Entidade teme queda no preço pago ao produtor com assinatura após acerto entre Mercosul e União Europeia
Pequenos produtores de leite de Mato Grosso do Sul passaram a avaliar risco de perdas com o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que será assinado no sábado (17), no Paraguai. A preocupação envolve a redução de tarifas e a criação de cotas para importação de lácteos europeus, como leite em pó e queijos finos. A avaliação é da Assuleite (Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso do Sul), que aponta impacto direto sobre preços e margens no Estado.
O setor leiteiro de Mato Grosso do Sul enfrenta desafios com o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. A Assuleite alerta sobre possíveis impactos nos preços e margens, especialmente para pequenos produtores, devido à redução de tarifas e cotas para importação de lácteos europeus. Para enfrentar a situação, o estado implementa programas como o Proleite, focado em melhoramento genético, e o Extraleite, que oferece suporte financeiro aos produtores. O estado também integra a Aliança Láctea Sul Brasileira, buscando fortalecer a cadeia produtiva regional diante da concorrência internacional.
O presidente e coordenador da Câmara Setorial Consultiva do Leite, Eder Souza Oliveira, afirmou ao Campo Grande News que o setor já enfrenta dificuldades antes mesmo da entrada em vigor do acordo. “Hoje o produtor já trabalha com margem apertada e custo elevado, e qualquer aumento de oferta no mercado interno pressiona o preço do leite”, disse. Segundo ele, os pequenos produtores sentem esse efeito de forma mais rápida.
Eder explica que a concorrência com produtos europeus preocupa porque o custo de produção no Brasil é maior. “A Europa tem outra estrutura, outro nível de subsídio e logística diferente, o que dificulta competir em igualdade”, afirmou. Para ele, a tendência é de maior pressão sobre o valor pago ao produtor, especialmente em períodos de maior oferta.
Além da concorrência externa, o dirigente chama atenção para possíveis exigências adicionais. “O acordo pode trazer cobrança por rastreabilidade e outras regras ambientais e de sustentabilidade”. Segundo ele, esse tipo de adaptação exige investimento e pesa mais para quem produz em menor escala.
Apesar do cenário de incerteza, Eder avalia que o acordo também expõe fragilidades antigas da cadeia produtiva. “Isso obriga o setor a discutir eficiência, redução de custos e organização da produção”, afirmou. Ele destaca que parte dessas ações já ocorre em Mato Grosso do Sul.
O Estado integra a Aliança Láctea Sul Brasileira, fórum público-privado que reúne Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No âmbito regional, participam das discussões Silems (Sindicato das Indústrias de Laticínios), Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e a Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
Entre as medidas em curso está o fortalecimento da produção por meio do Proleite, com investimento em genética. O programa prevê a entrega de um conjunto de animais aos produtores cadastrados, além de serviços de IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) e prenhez por embrião. A proposta busca elevar produtividade e reduzir custo por litro.
Outro eixo envolve incentivo financeiro ao produtor com o programa Extraleite, que está em fase de implantação. A iniciativa pretende dar fôlego ao produtor no curto prazo, enquanto as ações estruturais avançam. O foco é evitar saída de produtores da atividade.









