Fotos levam Alma Serrana de volta à fita K7 e bailes com 3 mil pessoas

Acervo reúne apresentações lotadas, relíquias antigas, diferentes formações e lembranças de fãs Fotos guardadas ao longo dos anos ajudam a reconstruir a trajetória do Alma Serrana, dos primeiros bailes aos grandes palcos pelo País (Foto: Amanda Ferreira) Uma fotografia de cada vez, integrantes do Alma Serrana voltam a bailes lotados, lançamentos de discos, grandes palcos...


Acervo reúne apresentações lotadas, relíquias antigas, diferentes formações e lembranças de fãs

Fotos guardadas ao longo dos anos ajudam a reconstruir a trajetória do Alma Serrana, dos primeiros bailes aos grandes palcos pelo País (Foto: Amanda Ferreira)

Uma fotografia de cada vez, integrantes do Alma Serrana voltam a bailes lotados, lançamentos de discos, grandes palcos e até aos tempos em que alguns dos atuais músicos ainda estavam do outro lado, como fãs.

O grupo Alma Serrana, de Campo Grande, abriu o acervo de mais de três décadas de história e passou a compartilhar fotografias, cartazes, discos e uma fita K7 lacrada do primeiro CD, de 1996. Entre os registros, estão o baile no Estoril, em 1993, com mais de 3 mil pessoas, e o lançamento do terceiro CD, em 1998, para cerca de 15 mil. A banda relembra viagens pelo País, a exposição de Araçatuba e participações na televisão. Os músicos afirmam que já preparam novas músicas para lançar ainda neste ano.

Atualmente, o Alma Serrana é formado por João Villar, na voz; Ney Sena, na guitarra e voz; Luiz Fernando Villar, no contrabaixo; Marcos Ribeiro, na bateria e voz; e Osmar Lima, no acordeon. Juntos, eles mantêm viva uma trajetória construída ao longo de mais de 3 décadas, agora revisitada por meio de fotografias, discos, recortes e outras lembranças guardadas pelo grupo.

A formação que deu início ao Alma Serrana era bem diferente da atual. Nos primeiros passos, ainda nos anos 1990, o grupo tinha os irmãos João e Luiz Fernando Villar, além da cantora Marilane e de um primo da família na guitarra. Foi com essa formação que começaram as apresentações em bares. Com o crescimento da banda, novos músicos chegaram e incorporaram a sanfona ao grupo, instrumento que se tornaria uma das marcas do Alma Serrana.

Em Campo Grande, o grupo abriu parte do próprio acervo e transformou fotografias, recortes, discos e até uma fita K7 ainda lacrada em atalhos para revisitar uma história iniciada há mais de 3 décadas.

A ideia de voltar ao passado surgiu quase sem pretensão. Ao procurar algo para fazer em casa, um dos integrantes começou a vasculhar fotografias antigas guardadas pela banda. O que estava esquecido no arquivo ganhou outro propósito: mostrar ao público, aos poucos, registros de diferentes fases do Alma Serrana.

Acervo – “Eu vou começar a colocar esse material que nós temos de arquivo. Cartazes de baile de 1995… Então a gente criou essa ideia e, na próxima quinta-feira, vai colocar mais fotos antigas”, conta João Villar.

Fotos levam Alma Serrana de volta à fita K7 e bailes com 3 mil pessoas
Registro do lançamento do primeiro CD do Alma Serrana, em 1996, uma das lembranças recuperadas pelo grupo ao revisitar o acervo (Foto: Amanda Ferreira)

Na hora de abrir o acervo, uma das primeiras imagens reconhecidas remete ao lançamento do primeiro CD, em 1996. Ao lado das fotografias daquele período, sobrevive uma relíquia que provavelmente desperta alguma confusão em quem nasceu na era do streaming: uma fita cassete original do trabalho, ainda fechada.

“Esse é o primeiro CD nosso, 1996. A gente tem uma fita original, fita K7, não sei se vocês sabem o que é isso, lacrada, ainda original. Na época foram feitos CDs e fita K7”, afirma Fernando.

As imagens também revelam mudanças na aparência e nas formações do grupo. Em uma delas, os músicos aparecem em uma fase que eles próprios definem como mais “pagodeira”, com uma estética diferente daquela que marcaria outras etapas da carreira.

Fotos levam Alma Serrana de volta à fita K7 e bailes com 3 mil pessoas
Teclado marcou o início do Alma Serrana, antes de a sanfona ser incorporada à formação com os irmãos Villar (Foto: Arquivo Pessoal)

 Em outra fotografia, estão os irmãos que deram início à história tocando juntos, antes mesmo da chegada da formação com sanfoneiro. “Meu irmão tocava teclados e eu tocava um baixo”, recorda João ao observar o registro.

Entre tantas fotografias, uma leva diretamente a 1993. O registro é de um baile realizado no Estoril, em Campo Grande, e carrega um significado maior do que o tamanho da festa. Segundo os músicos, foi o primeiro grande baile encarado pela banda, pouco depois do início da trajetória. Mais de 3 mil pessoas estavam no local, público muito maior do que a estrutura que o grupo possuía naquele momento.

“Aquele baile, para mim, foi o primeiro baile grande que a gente tocou aqui. Tinha mais de 3 mil pessoas lá no Estoril. A gente não tinha nem equipamento para isso”, relembra. Universitários haviam organizado a festa e, para o grupo que ainda dava os primeiros passos, o momento acabou sendo decisivo. “A gente tocando e o som não chegava. A gente sabia que o nosso som era pequeno, mas marca bastante porque foi uma virada de chave para a gente”.

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Integrantes do Alma Serrana em uma das antigas formações do grupo, que passou por diferentes mudanças ao longo de mais de três décadas (Foto: Arquivo Pessoal)

A própria origem do Alma Serrana aparece nas lembranças puxadas pelas fotografias. O grupo considera 1992 como o início da trajetória, quando foi à Expogrande disposto até a tocar de graça para conseguir espaço. A primeira tentativa foi em uma barraca ligada a estudantes de Veterinária.

Depois, surgiu a oportunidade em outro espaço da feira e o que seria uma apresentação para mostrar o trabalho acabou em contratação. “A gente foi lá para oferecer para trabalhar de graça. Se eles gostassem, a gente tocaria. Contrataram, gostaram, a gente voltou à noite à barraca.” Naquele ano, os músicos fizeram apresentações durante aproximadamente 7 noites.

Outra fotografia transporta o grupo para um cenário bem maior. O registro mostra o lançamento do terceiro CD no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, em 1998. Segundo os integrantes, aproximadamente 15 mil pessoas acompanharam o evento.

A imagem guarda também detalhes de uma formação da banda, com músicos que seguiram diferentes caminhos profissionais depois daquela fase.

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Foto relembra baile no Estoril, em 1993, apontado pelos músicos como uma virada de chave na trajetória do Alma Serrana (Foto: Arquivo Pessoal)

Momentos favoritos – Nem sempre, porém, é o maior público que determina a memória preferida. Quando os integrantes são convidados a escolher um momento do acervo, as respostas mudam conforme a relação de cada um com a banda.

Para um deles, a gravação do quinto CD ao vivo ocupa lugar especial. O projeto teve gravações em diferentes cidades, mas a apresentação realizada em Campo Grande permaneceu como uma das noites mais marcantes.

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Alma Serrana durante lançamento do terceiro CD, no Parque das Nações Indígenas, em 1998, diante de público estimado pelo grupo em 15 mil pessoas (Foto: Arquivo Pessoal)

“A de Campo Grande, para mim, foi marcante porque a expectativa criada em torno da gravação, não só na gente, mas no público que estava presente, foi muito grande. Tivemos interação real do público com tudo que a gente tocou na noite. Era da primeira música à última”, relembra Fernando.

“Teve grandes momentos, outros momentos maravilhosos, mas eu acho que a gravação do quinto CD ao vivo foi diferente”, conta João.

Para Osmar, a fotografia preferida representa algo completamente diferente. Ele é um dos músicos que não viveu pessoalmente as primeiras fases do Alma Serrana porque, naquele momento, acompanhava a história como fã. Anos depois, acabaria entrando para a mesma banda cujas músicas tentava aprender em casa.

“Eu sou o mais novo integrante, não participei de toda essa história, mas participei sendo fã. Então, quando eu comecei a aprender a tocar essa sanfona, eu tentava tocar as músicas. Eu não conseguia, mas eu tentava”.

O encontro entre fã e ídolo fica ainda mais evidente quando ele olha para uma cópia do primeiro trabalho. “Ser fã e participar da sua banda foi o meu…”, começa, antes de voltar ao disco de 1996. A lembrança é de aprender as canções ouvindo o material repetidamente, numa época em que voltar alguns segundos de uma música significava literalmente rebobinar uma fita.

Outro integrante, Ney Sena, também conta que comprou a fita do grupo e tirou as músicas de ouvido. Ao reencontrar o objeto tantos anos depois, a reação foi imediata: “Cara, essa fita eu tenho na casa da minha mãe até hoje”.

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Imagem guarda uma das participações do Alma Serrana no programa de Gilberto Barros, onde o grupo afirma ter estado ao menos quatro vezes (Foto: Arquivo Pessoal)

Para quem estava na formação original, o primeiro disco carrega outro peso. Além da estreia em estúdio, foi o momento de aprender processos que hoje fazem parte da rotina profissional, como escolher repertório e gravar cada instrumento. Os integrantes lembram-se especialmente de “Chamamé” e “Cara Metade”, esta última apontada por eles como uma das músicas mais executadas no Estado naquele período.

A lembrança do lançamento também permanece viva. “Chegar no dia do lançamento e não tinha mais mesa para vender, estava lotado, não cabia mais gente. Foi um marco, sensacional”, recorda um dos músicos. São detalhes que as fotografias não necessariamente mostram, mas que reaparecem assim que alguém reconhece uma imagem, um rosto ou a capa de um disco.

O acervo também documenta uma sucessão de formações. No início, havia teclado, baixo, guitarra e uma cantora. Conforme o grupo começou a tocar mais, veio a sugestão de incorporar a sanfona, instrumento que ajudaria a aproximar o som dos ritmos executados pela banda. Vários sanfoneiros passaram pelo Alma Serrana até que novas formações se consolidassem e participassem das gravações dos primeiros discos.

Fotos levam Alma Serrana de volta à fita K7 e bailes com 3 mil pessoas
Fotografias mostram diferentes fases e formações do Alma Serrana desde os primeiros anos de trajetória em Campo Grande (Foto: Arquivo Pessoal)

Com o tempo, as fotografias deixaram de registrar apenas Campo Grande e passaram a guardar viagens pelo País. Depois do CD ao vivo, segundo os músicos, o Alma Serrana ampliou a circulação e passou por Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Rondônia. Há ainda registros da participação em grandes exposições, como a de Araçatuba, onde o grupo dividiu programação com artistas que se tornariam nomes nacionais.

Em uma dessas lembranças, eles citam a exposição de Araçatuba de 2011. Na programação estavam nomes como Victor & Leo, Luan Santana, João Carreiro & Capataz, Oficina G3, Jorge & Mateus, João Bosco & Vinícius e Gusttavo Lima. O Alma Serrana afirma ter se apresentado por anos consecutivos no evento e conquistado público na região. “Para nós sempre foi ótimo tocar lá. Graças a Deus tivemos muito sucesso naquela região. Tínhamos fã-clubes lá que nos acompanhavam em várias cidades”.

Fotos levam Alma Serrana de volta à fita K7 e bailes com 3 mil pessoas
Alma Serrana durante passagem pela exposição de Araçatuba, onde o grupo se apresentou por anos consecutivos e conquistou fã-clubes na região (Foto: Amanda Ferreira)

E os fãs também deixaram seus próprios documentos dessa história. Entre os materiais guardados estão álbuns montados e entregues ao grupo, além de registros de fã-clubes, inclusive de Dourados. São fotografias que chegaram às mãos dos músicos por intermédio de quem acompanhou shows e viagens e, décadas depois, acabaram incorporadas ao acervo da própria banda.

Há espaço ainda para lembranças da televisão. O arquivo reúne imagens das participações no programa de Gilberto Barros, em que, segundo os músicos, estiveram pelo menos 4 vezes. Também aparece um registro relacionado a uma gravação feita em Campo Grande para uma reportagem de televisão. São pedaços de uma época em que aparecer na TV aberta significava apresentar o trabalho para um público que dificilmente seria alcançado apenas pelos bailes.

Confira a galeria de imagens:

Outro capítulo lembrado pelo grupo é o disco gravado em 2008 e lançado no ano seguinte. Entre as músicas citadas pelos integrantes estão “Pra Dançar a Vanera” e “Pérola”. Segundo eles, “Pérola” chegou a integrar uma novela do SBT, marcando a primeira vez que uma música do Alma Serrana entrou em uma produção do gênero. Já “Pra Dançar a Vanera” ganhou força principalmente fora de Mato Grosso do Sul e continuou no repertório da banda.

Depois de tantos discos, mudanças de integrantes, viagens e fotografias acumuladas, o arquivo não será apenas guardado novamente. A intenção é continuar compartilhando esses registros e contar, publicação por publicação, as histórias escondidas atrás deles.

É uma maneira de mostrar que a trajetória do Alma Serrana não está somente nas músicas gravadas, mas também nos bailes universitários, nas fitas rebobinadas por fãs, nos palcos grandes demais para o equipamento dos primeiros anos e nas fotografias que sobreviveram a tudo isso.

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Álbuns e fotografias entregues por fãs também passaram a integrar o acervo mantido pelo Alma Serrana (Foto: Arquivo Pessoal)

E o acervo não deve servir apenas para olhar para trás. O Alma Serrana afirma que já voltou ao estúdio e trabalha em novas produções. Duas músicas estavam em desenvolvimento durante a conversa, além de uma terceira prevista.

 A expectativa relatada pelos integrantes é lançar material novo ainda neste ano. Depois de mais de três décadas, portanto, as fotos contam onde a banda esteve, mas a história ainda não ganhou sua última imagem.



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