Brasil mantém maior juro real do mundo após Selic ficar em 13,75% ao ano

Brasil mantém maior juro real do mundo após Selic ficar em 13,75% ao ano


O Brasil permanece na liderança mundial do ranking de juros reais após o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidir manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, nesta quarta-feira (4). Com a decisão, o juro real brasileiro avançou para 9,49% ao ano, ante os 8,45% registrados na reunião anterior, realizada em setembro.

Os dados são de um levantamento elaborado pelas consultorias MoneYou e Lev Intelligence, que acompanha as taxas de juros de 40 das principais economias do mundo. O cálculo considera a diferença entre os juros nominais praticados no mercado financeiro e a inflação projetada para os próximos 12 meses.

No Brasil, a expectativa de inflação utilizada na análise é de 4,99%, conforme o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. A combinação entre a taxa básica de juros e a projeção inflacionária mantém o país com o maior custo real do dinheiro entre as economias avaliadas.

Na sequência do levantamento aparecem Turquia, com juros reais de 7,77%, Argentina, com 6,80%, e Rússia, com 6,57%. Colômbia, Indonésia e México registram, respectivamente, 4,05%, 3,67% e 3,26%. África do Sul (2,93%), Hungria (2,04%) e Chile (1,69%) completam os dez primeiros colocados.

A diferença entre o Brasil e o segundo país da lista é de 1,72 ponto percentual, evidenciando a distância entre os indicadores brasileiros e os demais mercados analisados.

Copom mantém Selic e aponta incertezas

A manutenção da Selic em 13,75% ao ano interrompeu uma sequência de cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual. O ciclo de cortes havia começado em março, quando a taxa estava em 15% ao ano.

A decisão foi tomada na primeira reunião do Copom desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro. No comunicado, o colegiado justificou a manutenção dos juros pela piora das expectativas de inflação, pelos reflexos dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e pelo aumento das incertezas nos cenários econômicos nacional e internacional.

Segundo o Banco Central, a conjuntura exige “serenidade e cautela” na condução da política monetária. A autoridade monetária, entretanto, não estabeleceu uma previsão para a retomada dos cortes na taxa básica.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando permanece elevada, tende a encarecer empréstimos e financiamentos, além de influenciar o consumo e os investimentos. Por outro lado, juros mais altos também podem contribuir para conter a demanda e reduzir as pressões sobre os preços.

Com a decisão, o Brasil segue entre os países que praticam os maiores juros nominais e mantém a primeira posição no indicador de juros reais, que considera o desconto da inflação esperada.



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