Os dados de Mato Grosso do Sul integram o Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências
Estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental em Mato Grosso do Sul querem uma escola mais conectada à tecnologia, com aulas práticas e maior oferta de atividades esportivas.
Estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental em Mato Grosso do Sul demandam maior integração de tecnologia, atividades esportivas e aulas práticas nas escolas públicas. Pesquisa realizada com 45 mil alunos, em parceria com o MEC e outras instituições, revela que 43% dos alunos do 6º e 7º anos e 40% do 8º e 9º anos desejam mais acesso a tecnologias e mídias digitais. Além disso, práticas esportivas são prioridade para 41% dos mais novos e 39% dos mais velhos. A pesquisa também destaca a importância de metodologias participativas e a necessidade de melhorias no ambiente escolar. Enquanto 72% dos alunos do 6º e 7º anos se sentem acolhidos, esse índice cai para 62% entre os mais velhos. A iniciativa visa orientar políticas públicas para uma educação mais alinhada às expectativas dos adolescentes, promovendo maior engajamento e bem-estar.
É o que revela levantamento realizado com cerca de 45 mil alunos do 6º ao 9º ano pelo MEC (Ministério da Educação), em parceria com o Itaú Social, o Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e a Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação).
De acordo com os dados, 43% dos estudantes do 6º e do 7º ano desejam mais atividades com tecnologia e mídias digitais.
Entre os alunos do 8º e 9º anos, o índice é de 40%. As práticas esportivas também aparecem entre as prioridades: 41% dos mais novos e 39% dos mais velhos querem ampliar esse tipo de atividade nas escolas.
Outro destaque são as aulas com projetos “mão na massa”, apontadas por 39% dos alunos do 6º e 7º anos e por 41% dos do 8º e 9º anos. O resultado reforça o interesse por metodologias mais práticas e participativas.
Segundo a superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, a pesquisa mostra um chamado dos adolescentes de Mato Grosso do Sul por mudanças metodológicas nas escolas.
“As vozes dos adolescentes são um chamado para construirmos escolas que respondam às suas necessidades e aspirações. Esses resultados nos mostram que, ao ouvirmos, podemos criar políticas educacionais mais conectadas a essa fase do desenvolvimento humano e à realidade local”, afirmou.
A pesquisa também investigou quais ações os estudantes consideram relevantes para melhorar a aprendizagem. A interação fora do ambiente escolar, como passeios e visitas, lidera as respostas: 40% entre os alunos do 6º e 7º anos e 45% entre os do 8º e 9º anos.
Projetos em grupo foram citados por 38% dos mais novos e 31% dos mais velhos. Já as atividades baseadas em tecnologia ou mídias digitais aparecem com 23% e 24%, respectivamente.
Em relação ao ambiente escolar, os dados indicam que os alunos do 6º e 7º anos sentem-se mais acolhidos. Entre eles, 72% afirmam ter pelo menos um adulto na escola em quem confiam, índice superior ao registrado entre os estudantes do 8º e 9º anos (62%).
A sensação de bem-estar na escola também diminui com o avanço da idade: 62% dos mais novos dizem se sentir bem no ambiente escolar, contra 52% dos mais velhos.
Por outro lado, a socialização entre colegas apresenta índices elevados e semelhantes: 83% dos estudantes do 6º e 7º anos e 81% dos do 8º e 9º anos afirmam gostar de estar com os amigos na escola. Já a percepção de respeito e valorização por parte dos profissionais da educação é maior entre os mais novos (67%) do que entre os mais velhos (55%).
Conteúdos essenciais – Quando questionados sobre quais conteúdos consideram essenciais para seu desenvolvimento, os estudantes do 6º e 7º anos priorizaram as disciplinas tradicionais como língua portuguesa, matemática e ciências, que tiveram 48% das respostas, seguidas por esporte e bem-estar (42%).
Entre os alunos do 8º e 9º anos, as práticas esportivas e atividades de bem-estar lideram, com 40%, superando as disciplinas tradicionais, que somaram 37%.
A pesquisa também aponta diferenças de interesse entre as faixas etárias. Atividades artísticas são consideradas importantes por 29% dos mais novos e por 22% dos mais velhos.
Já ações de autocuidado e saúde mental têm maior adesão entre os estudantes do 8º e 9º anos (25%), contra 19% entre os do 6º e 7º anos.
Os dados de Mato Grosso do Sul integram o Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências, que reuniu mais de 2,3 milhões de estudantes em todo o país.
A iniciativa, de acordo com o Itaú Social , representa um passo importante na formulação de políticas públicas voltadas aos Anos Finais do Ensino Fundamental, com foco em uma educação mais prática, participativa e alinhada às expectativas dos adolescentes.


