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Após 5 mortes em 5 dias, PM diz que letalidade caiu em MS

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Tenente-coronel do Batalhão de Choque cita queda nos embates e defende preparo da tropa

Tenente-coronel Rigoberto Rocha, comandante do Batalhão de Choque, durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (Foto: Renan Kubota)

Em resposta às cinco mortes registradas em confrontos em cinco dias em Mato Grosso do Sul, o tenente-coronel Rigoberto Rocha, do Batalhão de Choque, afirmou que as ocorrências letais caíram 30% no ano passado. A declaração foi feita nesta quarta-feira (18), durante coletiva sobre a ação em Rio Verde de Mato Grosso, a 203 quilômetros de Campo Grande, que terminou com a morte de Flaviano Dias Passos, o “Zaroio”, de 46 anos.

O Batalhão de Choque de Mato Grosso do Sul registrou redução de 30% nos confrontos em 2023, conforme informou o tenente-coronel Rigoberto Rocha. A declaração foi feita após cinco mortes em confrontos policiais em cinco dias no estado, incluindo o caso de Flaviano Dias Passos, conhecido como “Zaroio”. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública mostram que as mortes por intervenção policial caíram de 108 em 2023 para 64 em 2024, representando redução de 40,7%. O comandante ressalta que a corporação prioriza o uso proporcional da força e atua dentro da legalidade.

Segundo o comandante, “todas as vezes que a Polícia Militar for acionada tiver o alvo selecionado e esse alvo tiver um perigo, uma possibilidade de reagir contra a força policial, o Batalhão de Choque vai ser utilizado”.

Antes, ele afirmou que, em confrontos como o de Rio Verde, “Esse resultado não é buscado pela Polícia Militar, nem pelo Batalhão de Choque; muito pelo contrário: queremos e tentamos de todas as formas realmente demonstrar aquela força para não utilizar a força maior.”

Ele reforçou que os números vêm caindo desde 2023 e que a redução exige inteligência mais apurada e aplicação pontual da força, para evitar o uso letal.

Caso “Zaroio” – De acordo com o relato, policiais do Choque estavam em apoio ao Carnaval quando receberam denúncia anônima de que “Zaroio” tinha envolvimento com organizações criminosas rivais, já teria tentado matar um rival e poderia estar armado. A equipe foi até o imóvel onde ele estava, sem confirmação de propriedade da casa.

“É constatado que ele estava armado e muito agressivo e já era de ciência da equipe. Ele começa a reagir, atirar contra a equipe, os policiais fazem todo o isolamento do perímetro, é tentada a abordagem e tem a necessidade de neutralização, porque esse elemento investe com letalidade contra a equipe. Ele é atingido, desarmado, socorrido, porém veio a óbito”.

Segundo o comandante, ele estava com um revólver calibre 38 e era apontado como um dos chefes do PCC (Primeiro Comando da Capital) na região.

Com a morte de Zaroio, chega a cinco o número de mortes em ocorrências policiais em Mato Grosso do Sul nos últimos cinco dias.

O primeiro caso foi o de Guilherme José Pena Alves, em Três Lagoas, no dia 13 de fevereiro. Ele fugia de equipe da Força Tática quando foi baleado.

Após 5 mortes em 5 dias, PM diz que letalidade policial caiu em MS
Flaviano, que morreu ao trocar tiros com a PM, em Rio Verde de Mato Grosso (Foto: Redes sociais)

No dia 14, José Alex Sandro da Silva, de 42 anos, morreu após reagir à abordagem do Batalhão de Choque. Ele fugiu de bicicleta e, segundo a polícia, apontou um revólver contra os agentes dentro de uma casa no Centro de Sonora.

No dia 16, Gabriela dos Santos, de 27 anos, morreu após ser baleada no Centro de Campo Grande. Conforme a ocorrência, ela tentou pegar a arma de um policial que havia caído no chão e foi atingida. Ela morreu a caminho do hospital.

A quarta morte ocorreu na terça-feira (17), no Distrito de Anhanduí. Um suspeito, ainda não identificado, morreu durante perseguição em área de mata às margens da MS-258. Ele faria parte de quadrilha de furtos que terminou com três presos.

Treinamento e proporcionalidade – O tenente-coronel afirmou que cada ocorrência é diferente e envolve “elementos diferenciados, conhecidos do crime e que o resultado só chegou nesse ponto porque foi o único resultado, porque todos eles ali com resistência e uma resistência letal”.

Sobre o caso da Gabriela dos Santos, ocorrido no cruzamento da Avenida Calógeras com a Rua 15 de Novembro, no Centro, ele disse que o Choque chancela a ação do policial de área.

“A ação do policial depois que tem a arma apontada para ele ou para a equipe é uma reação que buscamos no nosso treinamento e por que isso tem que acontecer? Porque se não acontecer o resultado é a morte do policial, então de dez policiais que passarem por aquela situação, se eu conseguir dois que tem esse tempo de reação que o policial teve é muito”.

Após 5 mortes em 5 dias, PM diz que letalidade policial caiu em MS
Policiais do Batalhão de Choque durante ocorrência de confronto em Anhanduí (Foto: Osmar Veiga)

Ele completou: “A ação do policial foi adequada e proporcional e principalmente muito rápida evitando que o policial levasse um tiro”.

Em outro trecho, afirmou: “Tem reduzido o número de letalidade, tanto é que temos aprimorado as nossas técnicas para utilizar muito a proporcional para não utilizar a força letal, para mostrar que o elemento não venha reagir se não ele vai ter o resultado que a polícia militar não quer”. Como exemplo, citou ocorrência em Anhanduí na tarde de ontem, em que suspeitos se entregaram sem reagir após ação do Choque.

Comparação com outros estados – O comandante declarou que a divulgação de números pode prejudicar a imagem da corporação. “Cabe salientar que todo esse levantamento de dado, especulação de números ela é danosa para o cidadão que não conhece a polícia militar. Nosso estado é muito bem controlado, não utilizamos qualquer tipo de dado para qualquer tipo de espetáculo, atuamos dentro da lei, da legalidade”.

Ele comparou Mato Grosso do Sul com estados vizinhos, sem citar nomes. Disse que um deles tem menos da metade dos confrontos registrados lá, enquanto outro tem número cinco vezes maior que o de Mato Grosso do Sul.

“É um número muito reduzido, porque somos técnicos, operamos dentro da lei, da proporcionalidade, tiramos de circulação o criminoso e se ele levantar as mãos, obedecer às abordagens, as ordens dadas, esse elemento vai ser preso, retirado de circulação da maneira mais tranquila possível”.

Fama de matadores – Questionado sobre a fama do Batalhão de Choque de matar criminosos, respondeu: “É desse jeito e vai continuar sendo desse jeito, sabe por que? Porque temos mais força, mais treinamento e mais efetivo para isso”.

Ele comparou a atuação do Choque com a do policiamento de área. “Enquanto o policial de área está atendendo às vezes uma batida de carro, o Batalhão de Choque está caçando um ladrão diferenciado. Então é desse jeito que vai continuar sendo. O Batalhão de Choque, Bope e em um segundo nível as forças táticas é feita para esse confronto. Tem até uma lógica, são quatro policiais, quatro fuzis, taser e granada, o batalhão de área tem só duas pessoas e pistola. Vou mandar uma equipe do batalhão de choque ou vai nos dois? Melhor ir quem está preparado, então é para isso que somos preparados”.

Ao ser questionado se criminosos estariam enfrentando mais a polícia, negou. Disse que o número de confrontos diminuiu porque muitos suspeitos se entregam. “Se o criminoso fizer menção ou apontar a arma para o policial, legitima a ação desse policial”.

Por fim, reforçou: “Nosso objetivo é a vida, a preservação dela e queria destacar isso aqui”.

Estatísticas – Dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) mostram que, em 2023, foram registradas 108 mortes por intervenção legal de agente do Estado. Em 2024, o número caiu para 77 e, no ano passado, foram contabilizados 64 casos. No comparativo entre 2023 e o último ano, a redução foi de 44 ocorrências, o que representa queda de aproximadamente 40,7% no período.



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