Mais chuvas, menos focos de calor e poluentes garantiram melhores índices atmosféricos em 2025
Campo Grande registrou, em 2025, a melhor qualidade do ar desde o início da série histórica de monitoramento, iniciada em 2021. O resultado representa uma mudança significativa após anos de oscilações e episódios críticos associados à seca prolongada e à fumaça de queimadas. Os dados são da Estação de Monitoramento da Qualidade do Ar instalada no campus da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), que acompanha continuamente a concentração de poluentes atmosféricos, especialmente o material particulado fino (MP2,5) e o inalável (MP10), principais indicadores de impacto na saúde.
Campo Grande registrou em 2025 a melhor qualidade do ar desde o início do monitoramento em 2021, segundo dados da Estação de Monitoramento da Qualidade do Ar da UFMS. A melhoria foi atribuída à redução significativa das queimadas e ao aumento das chuvas na região.O número de focos de calor no estado caiu para 1.844 em 2025, representando apenas 1,4% do total nacional. A cidade registrou precipitação de 1.977,8 milímetros, volume superior aos anos anteriores, contribuindo para a “lavagem atmosférica” e menor concentração de poluentes no ar.
Segundo o levantamento, 2025 apresentou os menores níveis desses poluentes desde o início das medições, mantendo a maior parte dos dias com classificação de qualidade do ar considerada “boa”. De acordo com o professor Widinei Alves Fernandes, doutor em geofísica espacial e coordenador do projeto QualiAr, a qualidade do ar em Campo Grande tem relação direta com dois fatores: o fluxo veicular e a movimentação urbana, além da fumaça das queimadas; tanto locais quanto transportadas por correntes atmosféricas de regiões como Bolívia, Mato Grosso e Amazônia.
Com as chuvas mais generalizadas em 2025, explica o pesquisador, o ar da Capital apresentou menor presença de fumaça e, consequentemente, menos partículas poluentes, principalmente de MP2,5, partículas cujo diâmetro é inferior a 2,5 micrômetros, cerca de 1/16 da espessura de um fio de cabelo. Esse tipo de poluente está associado a diversas doenças cardíacas e respiratórias.
Dados apresentados ao Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) indicam que, em 2021, a poluição do ar causou a morte de 8,1 milhões de pessoas no mundo.
Queda nas queimadas – Conforme o relatório, houve redução expressiva dos focos de calor no Estado, após o pico registrado em 2024, ano marcado por seca intensa e aumento das queimadas.
Em 2025, foram registrados 1.844 focos de calor, o equivalente a 1,4% do total nacional, que foi de 136.393. Já em 2024, o Brasil contabilizou 278.299 focos, sendo 13.041 em Mato Grosso do Sul, 4,76% do total.
Outro indicador da mudança ambiental foi a queda no número de dias com níveis de poluição considerados prejudiciais. Em 2024, a população enfrentou 51 dias de ar poluído, com setembro sendo o mês mais crítico, somando 24 dias de qualidade entre moderada e muito ruim. Em 2025, foram apenas quatro dias com qualidade moderada, registrados em 2, 5, 6 e 7 de outubro. Em 2021, foram 6 dias com qualidade do ar inadequada, 10 dias em 2022 e 28 dias em 2023.
Chuvas – Além da redução das queimadas, o estudo aponta que o regime de chuvas teve papel decisivo na melhoria da qualidade do ar. As precipitações ocorreram de forma mais distribuída ao longo do ano, aumentando a umidade e favorecendo a remoção de partículas suspensas, processo conhecido como “lavagem atmosférica”. Com isso, houve menor concentração de poeira e fumaça, redução de episódios de ar seco e poluído e maior dispersão dos contaminantes urbanos.
Em 2025, Campo Grande registrou precipitação total de 1.977,8 milímetros, bem acima dos anos anteriores: 1.587,8 mm (2021), 1.609,2 mm (2022), 1.806,8 mm (2023) e apenas 947,8 mm em 2024, período de estiagem severa.
Apesar do avanço, o pesquisador alerta que o índice anual, mesmo dentro dos parâmetros brasileiros, ainda ficou próximo do limite recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que estabelece referência de 5 µg/m³ para MP2,5.
Monitoramento – Apesar do resultado positivo, o estudo ressalta que a qualidade do ar na região é altamente dependente das condições climáticas e do controle das queimadas. Anos mais secos podem reverter rapidamente o cenário. A continuidade das medições, segundo o coordenador do projeto, permite identificar tendências, orientar políticas públicas e antecipar períodos de risco à saúde da população, além de compreender melhor a relação entre comportamento urbano e poluição atmosférica.
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