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Com reajuste de 5%, escola particular aumenta mais que inflação e cesta básica

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Segundo o sindicato, as escolas privadas têm autonomia para definir o valor das mensalidades

Alunos acompanhando aula em escola particular de Campo Grande (Foto: Marcos Maluf)

Todo começo de ano, o roteiro se repete para as famílias que têm filhos na rede particular de ensino: o reajuste da mensalidade escolar. Em Campo Grande, 2026 começou com aumentos que variam entre 5% e 10%, segundo o Sinepe/MS (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de Mato Grosso do Sul).

As escolas particulares de Campo Grande registraram reajustes nas mensalidades entre 5% e 10% em 2026, superando a inflação de 3,14% e o aumento de 0,72% na cesta básica. O Sinepe/MS afirma que as instituições têm autonomia para definir os valores, mas buscam equilíbrio, ainda impactadas pela perda de alunos durante a pandemia.Enquanto a inflação e o custo da cesta básica apresentam variações modestas, as mensalidades pressionam o orçamento familiar. Pesquisa do Procon MS revelou diferenças de até 285,3% nos valores, com médias entre R$ 1.500 e R$ 2.300 no Ensino Fundamental e até R$ 3.544,89 no Ensino Médio.

O índice chama atenção por ficar bem acima da inflação e até do aumento no custo da cesta básica, dois dos principais termômetros do orçamento familiar.

De acordo com o presidente do sindicato, Audie Salgueiro, as escolas privadas têm autonomia para definir o valor das mensalidades, mas recebem orientação para manter equilíbrio nos reajustes.

“As escolas privadas têm autonomia para fazer a precificação do serviço. O sindicato sempre orienta pelo equilíbrio no reajuste”, disse.

Ele destacou também que o setor educacional ainda sente os efeitos da pandemia da Covid-19. “Perdemos muitos alunos na época, a maioria das escolas não conseguiu reaver esse número. Existiu uma defasagem”, completou.

Questionado sobre como pode ser feita a recuperação financeira, Audie diz que é necessário o reajuste e melhorar a quantidade de alunos.

“Reajuste gradativo das mensalidades aliado com aumento no quantitativo de alunos. Essa questão do quantitativo é o maior desafio no segmento, para a maioria das escolas. Houve perda severa de alunos na época, que a maioria não conseguiu atingir o quantitativo que existia”, pontuou.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou 2025 em 3,14% em Campo Grande, enquanto o índice nacional foi de 4,26%.

Em dezembro, o custo da cesta básica na Capital teve queda de 0,47% e, na comparação com dezembro de 2024, apresentou aumento de 0,72%. Mesmo assim, o peso dos alimentos continua alto: em dezembro de 2025, quem recebeu o salário mínimo de R$ 1.518,00 precisou trabalhar 112 horas e 27 minutos para garantir os itens básicos do mês, que totalizam R$ 775,90.

Na prática – A vendedora Lucélia Nobre, de 44, é mãe de um aluno do 6º ano de uma escola particular na Avenida Afonso Pena. Enquanto aguardava a saída do filho, ela conversou com a equipe de reportagem sobre o reajuste.

Com reajuste de 5%, escola particular aumenta mais que inflação e cesta básica
Lucélia dentro do carro conversando com a reportagem (Foto: Henrique Kawaminami)

“Foi de 5% a 10%. Todo ano tem [reajuste]. Então, o valor que subiu a gente sempre compara com outras escolas e tá dentro do normal”, comentou.

No mesmo colégio, aguardava a cerimonialista Luscelene Delmondes, 46 anos, que também relatou sobre o mesmo percentual.

Com reajuste de 5%, escola particular aumenta mais que inflação e cesta básica
Luscelene em frente a escola da filha (Foto: Henrique Kawaminami)

“Foi bem tranquilo, fazemos parte do comércio e houve um pequeno reajuste de um ano para o outro, então eu já sabia que iria ter esse valor”, pontuou.

A professora Amanda Velasco, de 33 anos, resolveu mudar a filha de colégio, pois no outro o reajuste foi de 10%. “Ela sempre estudou em escola particular então, realmente, cada ano vai subindo e vai pesando e a outra escola pedia muitos materiais também. Um dos fatores que fez a gente mudar”, explicou.

Pesquisa – Levantamento realizado pelo Procon MS, entre os dias 24 de novembro e 1º de dezembro do ano passado, revelou uma variação de 285,3% nos preços das mensalidades, considerando turmas do Ensino Fundamental I, II e Ensino Médio, todas no período matutino.

No Ensino Fundamental, do 1º ao 4º ano, os valores vão de R$ 478,28 até R$ 3.976,60, com média entre R$ 1.500 e R$ 2.300. Já no Ensino Médio, a diferença chega a 285,31%, com mensalidades que variam de R$ 920 a R$ 3.544,89.

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