Now Reading:

Contrabando perfumado: produtos árabes falsos ameaçam saúde e comércio local

Font Selector
Sans Serif
Serif
Font Size
A
A
You can change the font size of the content.
Share Page


Produtos estão sendo alvo de apreensões no Estado; na Capital são vendidos com preços bem abaixo do mercado

Da esquerda para a direita, perfumes árabes no Camelódromo custam R$ 180, R$ 390 e R$ 280 (Foto: Marcos Maluf)

Os perfumes árabes falsificados se tornaram a nova sensação entre os muambeiros de Campo Grande. A promessa de preço muito abaixo do praticado e da fixação intensa virou vitrine para atrair consumidores.

Perfumes árabes falsificados têm ganhado popularidade em Campo Grande, sendo comercializados por preços significativamente menores que os originais. No camelódromo da capital, vendedores oferecem fragrâncias como Royal Amber por R$ 390, enquanto o original custa cerca de R$ 1.500.A comercialização desses produtos, além de configurar contrabando, representa riscos à saúde. Segundo especialistas, os perfumes falsificados podem conter substâncias tóxicas e causar alergias, dermatites e queimaduras. A CDL-CG alerta para os prejuízos econômicos e sanitários dessa prática ilegal.

No entanto, além de ser considerado contrabando, por trás dessa fragrância, também há uma série de riscos para quem usa.

A reportagem do Campo Grande News esteve no camelódromo da Capital na manhã desta sexta-feira (30). Em uma das primeiras bancas, o vendedor, que preferiu não se identificar, tenta dizer que “são quase iguais”.

“Na verdade, é um perfume importado árabe, alguns deles são inspirações, eles são quase iguais, aparenta ser parecido com alguns importados. E tem o árabe mesmo”, disse.

Questionado sobre a duração da fragrância, ele diz que o que ajuda é a quantidade de óleo. “Eles vão ser em torno de 8 a 12 horas. Olha o óleo que ele tem. Pode ver que ele é puro óleo, então ajuda a fixar mais”, disse, mostrando o frasco.

Em outra banca, a explicação foi semelhante. “A gente sabe que depende da pele. Só que eles são à base de óleo e a tendência é durar mais na pele”, relatou o comerciante.

O perfume Royal Amber é vendido por R$ 390, enquanto o valor original chega a ser encontrado entorno de R$ 1.500. O Tharwah Gold estava por R$ 280, e o original, a reportagem encontrou por até R$ 372.

O Asad masculino estava sendo vendido por R$ 150, enquanto o original foi encontrado por R$ 859.

A CDL-CG (Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande) alerta que a venda dos perfumes árabes piratas não apenas prejudica a economia local, mas representa um risco real e imediato à saúde da população.

“O que vemos hoje é um crime duplo: contra a economia e contra o cidadão. O lojista formal, que gera empregos em Campo Grande e paga seus impostos, não pode competir com a ilegalidade. Ao mesmo tempo, o consumidor está levando para casa substâncias químicas desconhecidas que podem causar desde alergias severas até queimaduras na pele”, afirmou o presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo.

Para o comércio de Campo Grande, o impacto se traduz em concorrência desleal, fechamento de postos de trabalho e queda na arrecadação.

A entidade recomenda que o consumidor desconfie de preços excessivamente baixos e ofertas em canais de venda não oficiais.

Apreensão – A comercialização irregular também tem sido alvo de constante apreensão no Estado. O caso mais recente ocorreu na quinta-feira (29), no distrito de Vista Alegre, em Maracaju. O Batalhão de Polícia Militar Rodoviária realizou uma grande apreensão de mercadorias de origem estrangeira durante fiscalização de trânsito na MS-164.

Contrabando perfumado: produtos árabes falsos ameaçam saúde e comércio local
Produtos apreendidos em Mato Grosso do Sul, incluindo perfumes falsificados (Foto: Divulgação/Batalhão de Polícia Militar Rodoviária)

O valor estimado das mercadorias apreendidas é de R$ 230.590. Entre os itens recolhidos estavam perfumes, vinhos de origem chilena, caixas de medicamentos emagrecedores, suplementos e fármacos, produtos estéticos e aparelhos celulares.

Em outubro do ano passado, uma operação conjunta da Receita Federal e do Garras (Delegacia de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) resultou na apreensão de centenas de caixas de perfumes importados contrabandeados, avaliados em cerca de R$ 15 milhões. O depósito funcionava na Rua Antônio Mena Gonçalves, no Bairro Coronel Antonino.

Riscos – Esses produtos podem conter substâncias de origem desconhecida, capazes de provocar alergias, irritações na pele, dermatites e outras reações adversas. O alerta é da dermatologista Carolina Albuquerque Arroyo, professora do curso de Medicina da Uniderp.

Segundo a especialista, os perfumes árabes falsificados costumam representar um risco maior até mesmo quando comparados a outras falsificações comuns. “Eles podem causar dano na pele e o risco costuma ser um pouco maior do que os perfumes originais ou até outras falsificações, porque normalmente não seguem as normas sanitárias vigentes no nosso país, não passam por teste dermatológico e muitos podem conter substâncias tóxicas ou proibidas”, explicou.

Ainda de acordo com a médica, os perfumes árabes, especialmente os falsificados, costumam ter alta concentração de fragrância. “Normalmente eles são mais concentrados e isso acaba causando uma irritação maior na pele”, afirmou.

As reações imediatas mais comuns incluem coceira, ardência e vermelhidão no local da aplicação. Em casos mais intensos, podem surgir inchaço e até sensação de queimadura.

“Alguns tipos de perfumes, especialmente os mais concentrados, são fototóxicos. Quando entram em contato com o sol, podem causar queimaduras, manchas e irritações na pele. Em geral, os perfumes falsificados não são seguros para o uso na pele, muitos contem metanol, solvente, corantes, fixadores e principalmente não há controle de concentração e nem pureza”, alertou.

A dermatologista orienta também que o ideal é nunca aplicar perfumes de procedência desconhecida ou duvidosa diretamente na pele. Caso ocorra irritação, é fundamental suspender imediatamente o uso, lavar a área com água em abundância e, se necessário, procurar atendimento com um dermatologista.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.





Source link

Sbt