A Central de Atendimento do Cidadão, em Campo Grande, voltou a ficar lotada nesta quarta-feira, com filas longas, espera de horas e contribuintes em busca de revisão dos valores cobrados. O movimento intenso foi impulsionado por aumentos no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) considerados elevados, falta de entrega dos carnês e dificuldades para resolver pendências pela internet, o que levou moradores a recorrerem ao atendimento presencial.
A Central de Atendimento do Cidadão em Campo Grande registrou grande movimento nesta quarta-feira, com longas filas de contribuintes buscando revisão do IPTU. O aumento expressivo no valor do imposto, a não entrega dos carnês e problemas no sistema online foram os principais motivos das reclamações.Entre os casos relatados, destaca-se o da nutricionista Cristiane Silva, que teve aumento de R$ 1.200 para R$ 1.700, e da professora Lucimar Santos, cujo imposto subiu de R$ 890 para R$ 1.666. Idosos e aposentados também manifestaram preocupação com os valores, considerados incompatíveis com suas rendas.
Entre os casos está o da nutricionista Cristiane Laís Rodrigues da Silva, de 37 anos, que mora em um terreno no bairro Rita Vieira. Ela contou que mudou de endereço há dois anos e o carnê não chegou ao imóvel. Ao tentar acessar o boleto pelo site, encontrou o sistema fora do ar e decidiu ir até a Central. No ano passado, o IPTU foi de cerca de R$ 1.200. Para este ano, segundo ela, o valor parcelado pode chegar a R$ 1.700.
“Eu estou preocupada porque, como não chegou a correspondência, a gente não tem noção do valor. Vim checar principalmente a taxa de coleta, para ver se está correta”, disse. Cristiane afirmou ainda que, apesar de ser formada, não trabalha porque cuida de duas crianças com deficiência. A renda da casa vem da aposentadoria da mãe, de um salário mínimo.
Situação parecida vive a professora Lucimar Maria Santos, de 47 anos, que se abanava com o próprio papel do IPTU enquanto aguardava atendimento. O valor do imposto do imóvel dela saltou de R$ 890 para R$ 1.666. Na semana passada, ela chegou ao local às 10h e saiu às 16h50 sem conseguir resolver a pendência, quando havia menos atendentes. “Hoje espero sair pelo menos até às duas da tarde”, afirmou. Ela relatou ainda o desconforto no local, com o ar-condicionado desligado e senha alta. O marido, o músico José Augusto Nogueira Santos, de 57 anos, disse que o aumento pode estar ligado a uma construção ainda não finalizada no imóvel, na Vila Sobrinho. “A gente quer saber se é isso mesmo, porque também não tivemos opção de desconto. Normalmente pagamos à vista”, explicou.
A insegurança também levou o segurança Marildo Belini da Costa, de 61 anos, a aproveitar o dia de folga para resolver a situação. No ano passado, o IPTU do terreno, localizado no Taquaral Bosque, foi de R$ 56. Ele não recebeu o carnê e preferiu ir pessoalmente tirar a fatura. “Não consigo ver pela internet, preciso de mais segurança”, afirmou.
O imóvel está em nome da mãe, já falecida, e a regularização corre na Justiça. Marildo disse que nunca deixou o imposto atrasar e se mostrou apreensivo com o novo valor. Ele chegou de ônibus após quase duas horas de trajeto e esperava um atendimento rápido. “Se eles entregassem, eu já estaria satisfeito. Mas tenho que esperar, mesmo tendo outras coisas para fazer”, disse.
O aposentado Cícero Gomes da Silva, de 72 anos, também aguardava atendimento depois de dois dias tentando resolver a situação. Morador de um condomínio no bairro Centenário, ele relatou susto ao ver o valor cobrado. “Quando eu vi esse valor, assustei. Vou pagar de que jeito? Minha renda é um salário mínimo”, afirmou. Além do IPTU, ele arca com condomínio de R$ 250, prestação do apartamento de R$ 550, além de água e luz. Cícero contou que é isento do imposto desde 2019, mas está sendo cobrado pelos anos de 2021 a 2024, em um total de R$ 5.598. “Eu sou aposentado por idade há sete anos. Como vou pagar isso?”, questionou. No dia anterior, ele passou por três guichês, recebeu senha alta e acabou indo embora sem resolver.

