Boteco vai fazer ação solidária para ajudar artista plástico que está com problema pulmonar grave na Bolívia
Hoje, o som que a família do artista plástico e guardião da memória boliviana, Guido Velasco, escuta não é das canções que ele colecionava, mas um silêncio angustiante. O homem que dedicou 13 anos mantendo a coleção do pai, ‘Esplêndida Colección’, um acervo com cerca de 100 mil discos e fitas que contam a história de um país inteiro, agora está na UTI. É a filha, Karla Velasco, quem conta um pouco da história do pai e do avô ao Lado B.
O artista plástico e guardião da memória boliviana, Guido Velasco Aguirre, encontra-se internado em UTI após sofrer embolia pulmonar grave e um pequeno derrame. Aguirre é responsável pela ‘Esplêndida Colección’, um acervo com aproximadamente 100 mil discos e fitas que documentam a história da Bolívia. Para auxiliar nos custos do tratamento, sua neta Karla Velasco organiza eventos beneficentes no Brasil e na Bolívia. A coleção, iniciada em 1946, inclui raridades como o primeiro disco com selo boliviano e o Hino Nacional gravado em 1904, sendo mantida ao longo dos anos com recursos próprios da família.
Ela explica que Guido sofreu uma embolia pulmonar grave e um pequeno derrame, e que está na Bolívia no momento. O artista viveu muitos anos em Campo Grande e para ajudar um boteco fará uma ação solidária.
A história da Esplêndida Colección começa em 1946, com o avô de Guido. Apaixonado por ópera e música clássica, ele iniciou o acervo que mais tarde se expandiu graças à Rádio Splendid, emissora AM da família. O rádio facilitou o acesso, mas também espalhou o “vírus” da música pela casa inteira.
A coleção cresceu, mudou de nome, incorporou novos gêneros e absorveu todos os registros da antiga rádio. O que antes era hobby virou missão. Manter esse acervo vivo nunca foi fácil. Falta de apoio institucional, ausência de políticas públicas, custos altos de conservação, catalogação e armazenamento. Tudo sustentado no braço, no bolso e na teimosia.
“Tudo foi mantido com esforço pessoal, trabalho contínuo e muita dedicação, enfrentando limitações financeiras, riscos de deterioração do material e a invisibilidade de um trabalho essencial para a história cultural do país”, conta a neta.
Para ajudar nos custos do tratamento do pai, ela fez uma ação solidária tanto na Bolívia quanto no Brasil. Por aqui, o evento será realizado no Boteco do Miau, neste sábado (17), às 21h. A ideia é que artistas se apresentem e doem parte do cachê para a causa. Karla é produtora cultural e conta por que precisa de apoio.
“A Bolívia não conta com um sistema público de saúde. Isso tem gerado custos altos e diários. Não só com a internação, mas com os remédios, que chegaram ao valor de R$ 15 mil cada, duas injeções de trombolíticos. Ele vive com a venda de alguns discos mais comerciais da coleção, além de dar palestras e workshops sobre a história da música na Bolívia. Como está internado, as atividades dele estão suspensas, complicando ainda mais a situação”.
Na coleção de Guido estão verdadeiras relíquias do início do século XX, como o primeiro disco com selo boliviano, o Hino Nacional gravado em 1904, óperas encenadas no Teatro Municipal, arquivos radiofônicos de festas populares e vozes de artistas ainda crianças. Além do apoio do Buteco, Karla também criou uma vaquinha solidária. A meta é arrecadar R$ 20 mil.
O Buteco do Miau fica na Avenida José Nogueira Vieira, 1303., bairro Tiradentes. A entrada custará R$15.












