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INSS reforma calçada por R$ 39 mil, mas prédio segue depredado e sem atendimento

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A reforma da Agência da Previdência Social da Rua Alexandre Fleming, em Campo Grande, fechada desde 2019, virou alvo de críticas nas redes sociais após a divulgação do valor do contrato para execução da obra. O menor preço global apresentado no Pregão Eletrônico nº 90022/2025 ficou em R$ 39,8 mil, conforme processo que trata da contratação de empresa para reforma da unidade.

O INSS gastou R$ 38,8 mil na reforma da calçada de uma agência em Campo Grande, gerando críticas nas redes sociais. O prédio, localizado na Rua Alexandre Fleming, está fechado desde 2019 e permanece em situação precária, com janelas quebradas e interior deteriorado.Moradores relatam que o local chegou a ser ocupado por usuários de drogas e que a única intervenção visível foi a readequação da calçada. Além desse valor, outro contrato de R$ 9 mil foi firmado para locação de caçambas destinadas à retirada de resíduos do prédio, que segue sem previsão de reabertura.

Nesta quinta-feira (19), um vídeo que circula em diferentes perfis mostra uma pessoa lendo a placa instalada no local e afirmando que “um mês para construir a calçada custou 39 mil e 800 reais”. A gravação rapidamente gerou reações e comentários questionando o valor investido, principalmente porque, segundo moradores da região, a intervenção visível foi a readequação da calçada, enquanto o prédio segue fechado e em situação precária.

Morador do entorno há um ano e quatro meses, o servidor público Jones Leite de Oliveira, 37 anos, relata que o imóvel estava abandonado e chegou a ser ocupado por usuários de drogas. Segundo ele, a movimentação no local começou após notificações feitas por vizinhos. “Estava abandonado e com vários usuários de drogas. Depois de meses atrás vieram limpar. Mas a finalidade mesmo foi somente a calçada,” afirmou.

Para ele, a obra não trouxe mudanças significativas para o bairro. “Só a calçada não modificou nada. Só manteve a estética. Para o benefício da população aqui do bairro não mudou nada”, disse.

Janelas e portas de vidro foram quebradas, até dentro do prédio tem matos e entulhos (Foto: Osmar Veiga)

Jones conta que o interior do prédio permanece deteriorado. “Só entrou o pessoal com as ferramentas ali, mas não tem nada diferente do que já estava. O prédio está bem depredado”, relatou. Ele afirma que, após a instalação de uma corrente no portão, não houve novas invasões. “Colocaram aquele correntão e até agora não conseguiram entrar.”

Nos comentários da publicação que viralizou, internautas também questionaram o custo da obra. Um deles afirmou que um pedreiro faria o serviço em um dia por R$ 400. Outro avaliou que a calçada poderia ser executada por até R$ 5 mil, incluindo material e mão de obra. As críticas se concentram na comparação entre o valor contratado e a percepção de que a intervenção teria se limitado ao passeio externo.

Conforme o Portal de Compras, do Governo Federal, o edital do pregão descreve o objeto como contratação de empresa para execução de obra de reforma na Agência da Previdência Social Alexandre Fleming. O Termo de Referência também classifica a contratação como reforma da unidade, com prazo de execução de 30 dias e vigência contratual de até 120 dias.

INSS reforma calçada por R$ 39 mil, mas prédio segue depredado e sem atendimento
De acordo com os registros do Google Street View, em abril de 2019 os atendimentos já haviam mudado para Unidade Horto Florestal e 26 de Agosto

Apesar disso, a agência permanece fechada ao público desde 2019 e não há, até o momento, informação oficial sobre eventual reativação do atendimento no local. Em outubro, outro contrato, no valor aproximado de R$ 9 mil, foi firmado para locação de caçambas destinadas à retirada de resíduos do prédio. Mesmo após a limpeza mencionada por moradores, o imóvel continua sem uso.

O Campo Grande News procurou o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) Regional Norte/Centro-Oeste e a Direção Nacional para esclarecer se o escopo da reforma incluía intervenções internas, se há previsão de reabertura da agência, qual o motivo do fechamento prolongado e quanto já foi efetivamente pago do contrato. Até a publicação deste texto, não houve resposta.



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