Ela afirma que pediu reavaliação da triagem, mas permaneceu na classificação verde durante a madrugada
Paciente de 44 anos afirma ter esperado quase quatro horas por atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário, em Campo Grande, durante a madrugada desta quinta-feira (5), mesmo relatando dores intensas provocadas por fibromialgia e artrite enteropática. O relato foi enviado ao canal Direto das Ruas.
Uma paciente de 44 anos, técnica de enfermagem, relatou ter esperado cerca de quatro horas por atendimento na UPA Universitário, em Campo Grande, mesmo apresentando dores intensas causadas por fibromialgia e artrite enteropática. Ela recebeu classificação verde na triagem, indicando caso sem urgência imediata.A situação ocorre em um momento significativo, pois desde janeiro a Lei nº 15.176/2025 permite que a fibromialgia seja reconhecida como deficiência no Brasil, garantindo direitos como prioridade em atendimentos de saúde, mediante avaliação biopsicossocial que comprove o impacto funcional da doença.
Segundo a paciente, que é técnica de enfermagem, ela procurou a unidade por causa de dores fortes e também por apresentar herpes, condição associada ao tratamento que faz para doenças autoimunes. Ainda assim, recebeu classificação verde na triagem, categoria que indica casos sem urgência imediata.
“Estou no posto do Universitário com dores de artrite e fibromialgia. Me classificaram como verde. Mesmo depois de várias reclamações de dor, fiquei mais de três horas esperando”, relatou.
Ela afirma que tentou pedir nova avaliação da triagem ao perceber piora no quadro, mas diz que o pedido não foi atendido. “Os pacientes chegavam depois e eram atendidos. Pedi para reavaliar por causa da dor forte, falei com o serviço social, mas não mudaram a classificação”, contou.
De acordo com o relato, o tempo prolongado de espera agravou o quadro. A paciente diz que a dor aumentou por permanecer sentada e levantando diversas vezes durante a madrugada. “No final tive que tomar medicação na veia, porque já não conseguia levantar de tanta dor”, afirmou.
Por fim, ela recebeu um coquetel intravenoso, composto por anti-inflamatório, analgésico e corticoide.
Essa situação ocorre em um momento em que a fibromialgia passa a ter novo reconhecimento legal no país. Desde janeiro, a Lei nº 15.176/2025 passou a permitir que a fibromialgia seja enquadrada como deficiência no Brasil, desde que haja avaliação biopsicossocial que comprove impacto funcional da doença na vida do paciente.
A legislação busca ampliar a proteção a pessoas que convivem com dor crônica e fadiga intensa, sintomas característicos da doença. Dependendo da avaliação médica e multiprofissional, o reconhecimento pode garantir direitos como prioridade em atendimentos de saúde.
O Campo Grande News procurou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) para comentar o caso e esclarecer os critérios de classificação de risco utilizados nas unidades de pronto atendimento. Até a publicação desta matéria, não houve retorno, mas o espaço segue aberto para manifestação.


