Pesquisa com “DNA de MS” aponta 5 caminhos para vencer medo de vacinas

Estudo com participação de instituições de Campo Grande dá sugestões de como ampliar cobertura Bebê recebe vacina durante mutirão de vacinação em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo) Medo dos efeitos colaterais, informações falsas nas redes sociais e até a dificuldade de encontrar tempo para ir ao posto de saúde estão entre os obstáculos que afastam...


Estudo com participação de instituições de Campo Grande dá sugestões de como ampliar cobertura

Bebê recebe vacina durante mutirão de vacinação em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Medo dos efeitos colaterais, informações falsas nas redes sociais e até a dificuldade de encontrar tempo para ir ao posto de saúde estão entre os obstáculos que afastam a população da vacinação. Uma pesquisa desenvolvida com participação de instituições de Mato Grosso do Sul identificou cinco estratégias para enfrentar esse problema, que vão desde melhorar a comunicação com os pacientes até ampliar os horários de atendimento nas unidades de saúde.

Pesquisa coordenada pela Fiocruz-MS, com UFMS, Uems e Sesau, apontou cinco estratégias para reduzir a hesitação vacinal: melhorar a comunicação conforme a realidade de cada comunidade, combater a desinformação, capacitar profissionais de saúde, facilitar o acesso com horários ampliados e unidades móveis, e aproveitar o pré-natal para orientar gestantes. O estudo analisou dados de 2012 a 2024. Em Campo Grande, 39,2% dos pais e 32,7% dos profissionais da atenção primária demonstraram hesitação.

O estudo foi divulgado nesta segunda-feira (12) na revista científica Epidemiologia e Serviços de Saúde, conforme divulgado pela Folha de S. Paulo.

O trabalho foi coordenado pela pesquisadora Sandra Maria do Valle Leone de Oliveira, da Fiocruz-MS (Fundação Oswaldo Cruz em Mato Grosso do Sul), e contou com a participação de pesquisadores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande).

A pesquisa reuniu evidências científicas para orientar políticas públicas capazes de aumentar a confiança da população nas vacinas. Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram dados de 2012 a 2024, resultados de diferentes estudos sobre a resistência à vacinação entre adultos e gestantes, envolvendo imunizantes contra doenças como covid-19, influenza, HPV, hepatite B, coqueluche e pneumococo.

O projeto foi desenvolvido no âmbito do Núcleo de Evidências Pantanal, da Fiocruz em Mato Grosso do Sul, com financiamento e apoio técnico-científico do Ministério da Saúde.

Os 5 apontamentos – A conclusão geral é que não existe uma solução única para o problema. A primeira estratégia é melhorar a comunicação, conclui a pesquisa. Para os autores do estudo, é preciso abandonar campanhas que utilizam a mesma mensagem para todos e considerar as diferenças culturais, sociais e econômicas de cada comunidade. A recomendação é o uso de linguagem simples, informações acessíveis e participação de lideranças comunitárias e religiosas para ajudar a esclarecer dúvidas sobre a segurança e a importância dos imunizantes.

O combate à desinformação aparece como outra medida fundamental. Notícias falsas sobre supostos riscos das vacinas podem alimentar a desconfiança e levar pessoas a adiar ou recusar doses recomendadas.

A terceira recomendação é investir na capacitação contínua dos profissionais de saúde. Médicos, enfermeiros e outros trabalhadores precisam estar preparados para responder às dúvidas da população e orientar os pacientes sobre a vacinação.

Outra estratégia é facilitar o acesso às doses. Os pesquisadores observam que nem toda pessoa com a vacinação atrasada é contrária aos imunizantes. Em alguns casos, o problema está na dificuldade de deslocamento ou na incompatibilidade entre o horário de funcionamento dos postos e a jornada de trabalho. Entre as alternativas estão vacinação aos fins de semana, horários estendidos, unidades móveis e aplicação de doses em escolas, empresas e universidades.

A quinta medida é direcionada às gestantes. A pesquisa recomenda aproveitar as consultas de pré-natal para verificar a situação vacinal, esclarecer dúvidas sobre possíveis efeitos adversos e orientar sobre a proteção da mãe e do bebê. A oferta de vacinas durante o acompanhamento da gravidez também é apontada como uma forma de reduzir oportunidades perdidas de imunização.

Em Campo Grande – O problema já foi identificado em pesquisas realizadas na Capital. Um estudo com 158 pais de crianças menores de 12 anos, entrevistados entre setembro de 2022 e outubro de 2023, constatou que 39,2% apresentaram hesitação em vacinar os filhos. Entre os participantes que demonstraram resistência, as vacinas contra a covid-19 foram as mais evitadas e a falta de confiança apareceu como principal motivo.

A resistência também foi observada entre trabalhadores da própria rede de saúde. Outra pesquisa, realizada entre novembro de 2022 e agosto de 2023 com profissionais da atenção primária de Campo Grande, identificou hesitação vacinal em 32,7% dos participantes. Médicos e enfermeiros apresentaram menor frequência desse comportamento, enquanto agentes comunitários de saúde registraram maior resistência.



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