Uma lei básica em economia é que preço tem um nível de equilíbrio, sendo resultante das interações entre oferta e demanda. Essa verdade se estende para todos os preços: valor dos bens e serviços, aluguéis, salários e taxa de juros.
A taxa de juros também é um preço. É o preço dos termos de troca entre presente ou futuro. É o quanto estamos dispostos a abrir mão do consumo presente para poupar e consumir no futuro. De uma maneira mais simples: a taxa de juros é o preço do dinheiro.
Quando o capital é abundante, a taxa de juros é baixa. Em sentido contrário, quando o capital é escasso, a taxa de juros é elevada. A formação dessa taxa leva em conta também a inflação, o risco e, claro, o custo de oportunidade de abrir mão do consumo presente por um determinado prazo.
Esses fatores em conjunto explicam a elevada taxa de juros básica no Brasil. Os diretores do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) levam em conta as expectativas de inflação e o risco para determinar o nível da taxa Selic.
Ignorar a inflação corrente e futura na decisão de juros significa flertar com mais altas de preços. Quem tentou navegar contra a maré e ignorou os princípios básicos de economia, acabou lidando com mais inflação.
Durante o governo Dilma, o Bacen reduziu a taxa Selic para 7,25% a.a., quando a inflação rondava 6% ao ano. Resultado: mais inflação, e o Bacen rapidamente teve que subir os juros para 14,25% a.a.
Para um leigo, essa lógica pode não ser trivial. Compreensivo. Economia não é uma ciência fácil. Mas para um grande economista, um dos pais do Plano Real, como André Lara Resende, isso deveria ser consenso.
Resende deveria saber que preço não se controla. Isso vale para a taxa de juros.



