Após crise bancária, Santiago Peña renuncia ao cargo de presidente do Paraguai

Após crise bancária, Santiago Peña renuncia ao cargo de presidente do Paraguai


Santiago Peña anunciou na tarde desta quinta-feira (5) que renunciou ao cargo de presidente do Paraguai após o escândalo envolvendo Ueno Bank, instituição ligada a antigos sócios do chefe de Estado.

“A história se encarregará de julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje nos cabe viver. Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, disse Peña em um vídeo publicado nas redes sociais.

O paraguaio também pediu desculpas à população. “Também quero pedir desculpas ao povo se em algum momento falhei. Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim. Todos os dias assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias no nosso sistema financeiro”, afirmou.

Risco de impeachment

Antes de Santiago Peña anunciar a renúncia ao cargo, um processo de impeachment contra ele avançava no Legislativo. A principal bancada governista divulgou que apoiava a saída do presidente.

“Não estaremos ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados”, afirmou Cartes, presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, em comunicado publicado no X. Segundo ele, a legenda apoiará o julgamento político para “reconduzir a institucionalidade da República”.

A Câmara havia iniciado nesta manhã a sessão para analisar a acusação contra Peña. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a adesão da bancada, com 35 deputados presentes, somou-se ao apoio dos demais grupos políticos e abriu a possibilidade de votação unânime. Para encaminhar o processo ao Senado, são necessários dois terços dos votos dos deputados presentes. A eventual destituição dependerá do julgamento pela Câmara Alta.

Entenda crise bancária

Milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção, na terça-feira (3), cobrando a liberação de seu dinheiro do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país. A instituição financeira foi colocada sob intervenção depois de ser considerado insolvente. Ou seja, sem capacidade de honrar seus compromissos.

O Banco Central do Paraguai determinou o bloqueio de recursos públicos e das economias de milhões de clientes. Nesta quarta-feira (4), o órgão suspendeu temporariamente saques de dinheiro de determinados fundos de investimentos vinculados ao Ueno Bank. A instituição financeira atendia quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios.

O órgão também comunicou que fará um adiantamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos aos poupadores do Ueno Bank. A antecipação será de até 40 salários mínimos. Dívidas pendentes com a instituição financeira serão deduzidas do valor.

Já a Justiça do Paraguai determinou a prisão preventiva de oito suspeitos de envolvimento na crise bancária. Dentre eles, estão o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e do diretor-executivo da instituição financeira, Federico Miguel Vázquez.

*com informações do Estadão Conteúdo





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