A data das eleições 2022 e quando será o segundo turno

A data da eleições deste ano é uma das maiores dúvidas dos eleitores. Faltando menos de 6 meses para o 1º turno, muita gente precisa se organizar para poder votar no dia exigido pela lei.
Pois bem, em 2022, as eleições acontecerão no mês de outubro. O primeiro turno da votação será no dia 2 de outubro, um domingo.
Já o segundo turno das eleições acontece no último domingo de outubro, dia 30/10.

Entenda o segundo turno:

O segundo turno só deverá acontecer se, no primeiro turno, nenhum dos candidatos obter a maioria absoluta dos votos (ou seja, 50% dos votos mais 1).
O segundo turno só acontece para os cargos de presidente da República e governadores. Deputados estaduais e federais, além de senadores, serão escolhidos já no primeiro turno, independentemente do percentual de votos obtidos.


Brasil registra 285 óbitos e 30.056 novos casos de covid-19 em 24h

O Brasil registrou, entre ontem e hoje, 285 mortes causadas pela covid-19, de acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgados nesta terça-feira, 29. Com os registros, o País atingiu 659.241 vidas perdidas para a doença.

A média móvel de óbitos em sete dias foi de 221, ante 236 ontem e 302 de média em 22 de março, há uma semana.

O levantamento do Conass, que compila dados de secretarias de Saúde dos 26 Estados e do Distrito Federal apontou, ainda 30.056 casos de covid-19 em 24 horas, com um total de 29.882.397 registros conhecidos desde o início da pandemia.

A média móvel de casos ficou em 28.540, ante 35.780 casos de média há uma semana.

Os dados do Rio Grande do Norte não foram atualizados por problemas técnicos, segundo o Conass.


Nova linhagem da Ômicron avança, mas testes positivos para covid seguem em queda

A proporção de casos prováveis da linhagem BA.2 da variante Ômicron, considerada mais transmissível, subiu de 3,8% em relação ao total de diagnósticos positivos para 27,2% em três semanas no Brasil, aponta levantamento do Instituto Todos pela Saúde (ITpS). Em contrapartida, a taxa de positividade dos testes para detecção do coronavírus continua em queda. O índice, que chegou a 60% no início deste ano, agora está em 4,5%.

A BA.2 tem sido apontada como uma das principais responsáveis pelo avanço de casos em países da Europa, como Reino Unido e Alemanha, e da Ásia- recentemente, a China decretou lockdown por conta da alta de casos. No Brasil, pesquisadores ainda buscam entender se o avanço da variante irá acarretar em alta de casos a médio prazo.

De acordo com os dados divulgados pelo ITpS, que contou com a parceria dos laboratórios privados DB Molecular e Dasa, a BA.2 representava 3,8% dos casos de covid diagnosticados por meio de testes moleculares, como RT-PCR, no dia 27 de fevereiro. Duas semanas depois, no dia 19 de março, a sublinhagem passou a corresponder a mais de um quarto dos diagnósticos positivos (27,2%), indicando rápido avanço.

Apesar disso, a taxa de testes positivos para covid manteve tendência de queda e chegou a 4,5%. Isso significa que, em grupos de pouco mais de 20 pessoas que realizaram testes moleculares para covid no País, por exemplo, atualmente apenas uma pessoa tem resultado positivo para a doença. No auge do pico da variante Ômicron, no meio de janeiro, ao menos 12 pessoas desse mesmo contingente testariam positivo.

Como a circulação do vírus está atualmente em um patamar mais baixo, o ITpS destacou que número de testes realizados também teve queda. Entre 13 e 19 de março, DB Molecular e Dasa fizeram um total de 4,4 mil exames para detecção do SARS-CoV-2, sendo 192 deles positivos.

Desde o início do levantamento, em 5 de dezembro de 2021, até 19 de março, o ITpS analisou 118,6 mil testes. Até então, o banco de dados Gisaid, que reúne informações de sequenciamento genético de amostras de todo o mundo, apontava 131 casos de BA.2 no Brasil.

Nesta quarta-feira, 23, o número de novas infecções pela covid notificadas no Brasil foi de 45,5 mil, enquanto a média móvel de testes positivos na última semana é de 36,1 mil. Ao mesmo tempo, o País notificou 294 novas mortes pela doença nesta nas últimas 24 horas. No total, o Brasil tem 658.067 vítimas e 29.729.157 casos acumulados da doença.


Brasil registra 336 óbitos e 52.094 novos casos de covid-19 em 24h

O Brasil registrou, entre ontem e hoje, 336 mortes causadas pela covid-19, de acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgados nesta terça-feira, 15. Com os registros, o País atingiu 655.585 vidas perdidas para a doença.

A média móvel de óbitos em sete dias foi de 394, ante 415 ontem e 457 de média em 8 de março, há uma semana.

O levantamento do Conass, que compila dados de secretarias de Saúde dos 26 Estados e do Distrito Federal apontou, ainda 52.094 casos de covid-19 em 24 horas, com um total de 29.432.157 registros desde o início da pandemia.

A média móvel de casos ficou em 41.971, ante 46.742 casos de média há uma semana.


Fiocruz considera prematura retirada de máscaras e passaporte

O relaxamento de medidas protetivas contra a covid-19, como o uso de máscaras em locais fechados de forma irrestrita, é prematuro, revela boletim do Observatório Covid-19, divulgado hoje (11), no Rio de Janeiro, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os pesquisadores afirmam que as próximas semanas serão fundamentais para entender a dinâmica de transmissão da doença e que ainda não é possível avaliar o efeito das festas e viagens no período do carnaval.

"Flexibilizar medidas como o distanciamento físico (controlado pelo uso do passaporte vacinal) ou o abandono do uso de máscaras de forma irrestrita colabora para um possível aumento, e não nos protege de uma nova onda", afirma o boletim. "Atualmente, o ideal é voltarmos ao padrão do início da pandemia, quando recomendávamos fortemente o uso de máscaras, higienização de mãos e evitar as aglomerações", destaca.

O texto afirma, ainda, que as medidas de mitigação tomadas até então para controlar a pandemia ocorreram de forma tardia, quando as ondas de contágio já haviam se instalado, e não de forma proativa, para impedir que se formassem.

"Isto significa dizer que o custo humano para chegarmos ao patamar atual foi a perda de 650 mil pessoas, desnecessariamente. Dito isso, reforçamos que o relaxamento prematuro das medidas protetivas, assim como não investir na motivação da população sobre a vacinação, significa abandonar a história de tantas vidas perdidas", destacam os pesquisadores. "Portanto, é importante garantir que as medidas de relaxamento sejam adotadas em tempo oportuno, sob risco de retrocesso nos ganhos obtidos no arrefecimento da pandemia".

O potencial de transmissibilidade da variante Ômicron, que tem uma capacidade muito maior de escapar dos anticorpos produzidos por infecções ou duas doses das vacinas, ressaltou a importância da dose de reforço para todos os adultos, enfatiza a Fiocruz.

"Durante a onda da Ômicron, os países que têm maiores parcelas da população com dose de reforço apresentaram uma redução substancial das hospitalizações em relação aos casos confirmados de covid-19. No Brasil, a dose de reforço já foi aplicada em 31,2% da população. O esquema em duas doses se encontra em um patamar de 73%. É fundamental, portanto, avançar na cobertura vacinal com as três doses para a população elegível até o momento (adultos acima de 18 anos)", acrescenta o boletim.

Os pesquisadores citam, também, um estudo recente que sugere que o uso de máscaras deve ser mantido por duas a dez semanas após a meta de cobertura vacinal ser atingida, entre 70% e 90%. Com o surgimento da variante Ômicron e sua maior capacidade de escape dos anticorpos, o boletim afirma que as máscaras ficaram ainda mais importantes.

"A vacinação por si só não é suficiente para controlar a pandemia e prevenir mortes e sofrimento, é fundamental que se mantenha um conjunto de medidas combinadas até que o patamar adequado de cobertura vacinal da população alvo seja alcançado", acrescenta a publicação.

O cenário atual é de descida nas curvas de casos e óbitos após o pico da variante Ômicron no Brasil. A Fiocruz alerta, porém, que a redução da incidência após o pico sempre ocorre de forma mais lenta que a subida da curva.

O boletim informa, também, que os dados registrados entre 20 de fevereiro e 5 de março mostram uma queda de 48% nos novos casos e de 33% na média móvel de mortes, na comparação com a quinzena anterior. Mesmo assim, ainda são registradas, em média, 570 vítimas de covid-19 no país por dia.

Além da queda nos casos, a Fiocruz mostra que também há uma ligeira redução no índice de positividade dos testes RT-PCR para covid-19. Devido a isso, a expectativa é que as próximas semanas mantenham a redução dos indicadores que mais preocupam a população e os serviços de saúde: a mortalidade e a internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por covid-19.

Os leitos de unidade de terapia intensiva para pacientes com a doença estão fora da zona de alerta em todas as unidades da federação, exceto Santa Catarina. Isso significa que nenhum outro estado há mais de 60% das vagas ocupadas com pacientes graves. Já no Sistema Único de Saúde catarinense, o percentual está em 79%.

O boletim ressalta que metade dos óbitos ocorre atualmente em pessoas com no mínimo 78 anos, o que indica sua maior vulnerabilidade às formas graves e fatais da covid-19. Diante disso, os pesquisadores defendem a necessidade de aplicação de uma quarta dose neste grupo, seis meses após a aplicação da dose de reforço.

Além disso, a Fiocruz aponta um crescimento na proporção de crianças com covid-19 em relação ao total de infectados. "A maior vulnerabilidade das crianças, provocada principalmente pela baixa adesão deste grupo à vacinação, compromete igualmente o grupo que se encontra no extremo oposto da pirâmide etária", dizem os pesquisadores.

O boletim da Fiocruz levantou que 12 estados apresentam mais de 80% da população vacinada com a primeira dose, 15 têm mais de 70% da população com segunda dose e, em 11 estados, a vacinação de terceira dose está acima de 30%.

O Piauí é o estado com a vacinação mais avançada em primeira dose com 91%. Já na segunda e na terceira doses, o estado de São Paulo apresenta os maiores percentuais: 82% e 45%.


Pesquisadora acusa de plágio estudante de psicologia, influenciador digital

"Por que é tão difícil para um homem referendar o trabalho de uma mulher?", questiona a pesquisadora e psicóloga Valeska Zanello, em um post publicado nas redes sociais na quinta-feira, 3. Ela afirma ter sido vítima de plágio do estudante de psicologia João Luiz Marques. Com mais de 200 mil seguidores, ele é conhecido por divulgar conteúdos na internet sobre o comportamento masculino. Nesta sexta-feira, 4, ele compartilhou um pronunciamento em que admitiu ter feito plágio e anunciou: "não vou me eximir da responsabilização".

No desabafo, que já soma mais de 160 mil curtidas, ela menciona que não é a primeira vez que o influencer copia os trabalhos de pesquisas feitos por ela. Segundo a pesquisadora, João usou "falas idênticas, literais e assinando o que postou como se fosse dele" e acrescentou "mulheres foram em enxame solicitar que ele fizesse a referência a meu trabalho e me citasse". Na época, em meados de 2020, ela afirmou que o estudante bloqueou as pessoas que o refutaram.

Zanello detalhou que soube do plágio mais recente através de um print enviado por uma seguidora, em uma publicação feita há duas semanas. Ela explicou que o conteúdo foi compartilhado sem permissão. "Por exemplo, a frase de que homens aprendem a amar muitas coisas e mulheres aprendem a amar homens", destaca. Ela ainda reclama que o estudante estava sendo aplaudido através de um estudo que não foi produzido por ele. "Não faz referência alguma à obra de onde ele retirou a frase e grande parte das suas ideias", lamentou.

Por fim, a pesquisadora reforça que está na carreira acadêmica há 25 anos investigando a saúde mental das mulheres. "Saúde Mental, Gênero e Dispositivos: Cultura e Processos de Subjetivação" é o nome do livro de autoria de Valeska, em que ela afirmou ter sido retirado trechos e divulgados, sem os devidos créditos.

No pronunciamento feito por João Marques direcionado a Zanello e aos seguidores que o acompanham, ele assume não ter referenciado os conteúdos da pesquisadora. Mas segundo ele, após ter sido notificado por algumas mulheres, colocou os devidos créditos. Trata-se desta publicação: "Sobre os grupos masculinos de whatsapp". Ele também reconheceu ter bloqueado a pesquisadora e justifica que foi por "ter sentido medo, vergonha e culpa".

Ele finalizou a declaração garantindo que vai se comprometer a revisar todos os textos publicados na rede. "Não quero compactuar com o apagamento de nenhum pensador, e principalmente de pensadoras mulheres". Valeska ainda não se manifestou a respeito da retratação feita pelo estudante.

De acordo com a Lei de nº 9.610 de 1998, artigo 184 do Código Penal Brasileiro, "violar direitos de autor é considerado crime". A pena de reclusão pode alcançar até um ano, além de multa.

COM A PALAVRA, JOÃO LUIZ MARQUES

A reportagem do Estadão entrou em contato via WhatsApp e por ligação com o estudante de psicologia, mas não obteve um retorno até a publicação deste texto. O espaço está aberto para manifestação.


Bolsonaro encara nova rotina com rejeição e 'fugas' no litoral de SP

(FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) encarou na passagem de cinco dias pelo Forte dos Andradas, em Guarujá (SP), durante o feriado de Carnaval, uma rotina quase inédita desde a primeira visita ao local, em abril de 2019.

Em sua décima vez hospedado no hotel de trânsito da fortificação, além das tradicionais manifestações de apoio, houve algumas de rejeição atípicas em visitas anteriores. O político deixou o litoral paulista no fim da tarde desta quarta-feira (2), de helicóptero, rumo a Brasília.

Pouco antes, pelo segundo dia seguido, ao sair de jet-ski para um passeio pelas praias do Tombo, Astúrias e Pitangueiras ouviu palavras hostis, além de ser exaltado por apoiadores.

Um homem chegou a ir em direção a Bolsonaro no mar gritando "Vai trabalhar, vagabundo". Ele foi contido por apoiadores, que responderam: "Vagabundo é você".

Ajudado por um de seus assessores especiais, o tenente Mosart Aragão, Bolsonaro deixou a praia instantes depois.

A cena foi semelhante à vivenciada por ele em Praia Grande, município vizinho, um dia antes. Na faixa de areia, além dos gritos de "mito" e cumprimentos amistosos, alguns críticos receberam Bolsonaro com palavras ofensivas e vaias. Os registros estão nas redes sociais.

A rota de fuga com Aragão já havia se repetido também em Santos e, principalmente, em Praia Grande. Nas visitas anteriores, eram raros os gritos ou provocações contrárias direcionadas a ele.

Próximo ao Natal, quando passou pelo município antes da ida para o litoral de Santa Catarina, uma provocação pontual enquanto fazia selfies e conversava com apoiadores causou estranheza.

Um homem que passava no local dirigiu gritos provocativos: "É Lula, Bolsonaro. Já era. Lula disparou", em alusão a pesquisa divulgada pelo Datafolha. Uma das apoiadoras rebateu com xingamentos. Bolsonaro só sorriu.

Desta vez, enquanto algumas pessoas receberam o político aos gritos de "mito" e "fora, PT", outras vaiaram e aproveitaram a passagem do presidente para criticá-lo com palavras como "genocida", "vagabundo", "a favor da Rússia", "vai trabalhar" e "fora, Bolsonaro".

Em Praia Grande, um dos presentes se aproximou do grupo de apoiadores gritando palavras como "genocida" e "lixo" direcionadas a Bolsonaro. O fato quase desencadeou uma briga com apoiadores.

Novamente, Bolsonaro foi afastado do local e descumpriu a rotina de conversar com apoiadores nos gradis preparados previamente por sua segurança sempre que visita a Fortaleza de Itaipu.

Pouco depois do ocorrido foi possível ver Aragão e Bolsonaro conversando mais afastados. Mesmo depois de imagens de emissoras de televisão circularem os xingamentos e o princípio de confusão, o assessor preferiu chamar de "fake news" o ocorrido.

Aragão também fez seguidas publicações com provocações às pesquisas dizendo que a verdadeira popularidade de Bolsonaro poderia ser medida pelos vídeos que publica nas redes sociais, também feito de forma constante pelo deputado federal Helio Lopes (PSL-RJ) e Max Guilherme, outro assessor especial.

O assessor, por muitas vezes, utilizou músicas de fundo tapando o som ambiente ou só publicando trechos curtos de cada ida às praias da região. Outros vídeos circulam nas redes com manifestações contrárias.

Logo nas primeiras visitas, Bolsonaro arrastava inúmeros apoiadores aos gradis preparados na proximidade da entrada principal do Forte dos Andradas. Eram comuns os cercadinhos lotados para recepcioná-lo com pessoas vestidas de verde amarelo ouvindo o funk "Proibidão do Bolsonaro", paródia feita pelo MC Reaça da música "Baile de Favela", de MC João.

Nas últimas visitas, porém, o cenário mudou: não são mais frequentes as aparições de apoiadores no local. Nesta passagem, o político parou apenas uma vez, na segunda (28), pouco antes de sair para um longo passeio de moto acompanhado de sua comitiva.

Os principais gritos contrários a Bolsonaro foram relacionados ao período de folga em meio à guerra na Ucrânia. Em entrevista à Jovem Pan, o político reclamou dos questionamentos a respeito do gasto com dinheiro público em viagens suas e de auxiliares do governo.

"Eu estou aqui num quarto no quartel do Exército no Guarujá. Não tem despesa nenhuma aqui. Quanto custa a diária desse quarto aqui? Cem reais, talvez. Eu estou chutando", disse na entrevista.

Ele ainda concedeu uma inédita entrevista coletiva a jornalistas nas dependências do forte onde disse ter conversado "há pouco" com o presidente russo Vladimir Putin por duas horas. Depois, afirmou em rede social que se referia à conversa presencial quando da sua visita ao Kremlin, no último dia 16.

No período, o político se deslocou principalmente de jet-ski pelas praias da região. Além disso, andou de moto, comeu pastel na rua, utilizou a travessia de balsa entre Santos e Guarujá e conversou com apoiadores provocando grandes aglomerações. O roteiro foi semelhante ao de visitas anteriores.

O presidente disse que deve voltar à região no dia 11, com o ministro Tarcísio Freitas (Infraestrutura) para falar sobre túnel entre Santos e Guarujá. Também afirmou que pretende passar a Páscoa novamente na cidade.


Em entrevista, Bolsonaro cita 'dificuldades' para renovar concessão da TV Globo

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a ameaçar neste sábado, dia 12, a renovação da concessão pública da TV Globo. Segundo o presidente, a emissora carioca poderá "enfrentar dificuldades" para obter a renovação da outorga de serviços de radiodifusão, que vence em 5 de outubro, quando completa o prazo de quinze anos.

"A renovação da concessão da Globo é logo após o primeiro turno das eleições deste ano. E, da minha parte, para todo mundo, você tem que estar em dia. Não vamos perseguir ninguém, nós apenas faremos cumprir a legislação para essas renovações de concessões. Temos informações de que eles vão ter dificuldades", disse o presidente em entrevista ao ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PROS), na Rádio Tupi.

O presidente retomou, dias depois de alegar que defende a liberdade de imprensa, críticas à Globo e se disse "perseguido" pelo jornalismo do canal. "Eu fui muito mais perseguido que você, Garotinho", acenou o presidente ao radialista da Tupi, agora seu aliado político. "Com todo respeito, eu sou um herói nacional. Sempre disseram que ninguém resiste a dois meses de Globo. Eu estou resistindo."

As declarações de Bolsonaro também ocorrem num contexto de reiteradas críticas à ideia defendida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu virtual adversário nas eleições presidenciais deste ano, de regulação da mídia.

Ao longo do mandato, Bolsonaro deu diversas declarações dúbias, que deixam dúvidas sobre sua intenção de não recomendar a renovação da outorga à empresa da família Marinho. Ele costuma usar essas declarações como forma de mobilizar seus simpatizantes, principalmente nas redes sociais, contra a emissora. Em uma delas, disse que a empresa deveria estar "arrumadinha", do ponto de vista tributário.

Apesar de sugerir a não renovação do canal aberto da Globo, Bolsonaro não tem o poder de decisão sobre essa e outras concessões. Pela lei em vigor, cabe ao presidente apenas indicar uma posição por meio de decreto, mas a palavra final é do Congresso Nacional.

Além da concessão da TV Globo, também vencem neste ano as concessões para exploração de canais abertos como a Band, TV Cultura e Record TV, em São Paulo. Mas, sobre elas, Bolsonaro nada fala.

As concessões pala exploração dos canais abertos de TV duram quinze anos. A detentora da outorga pede a renovação ao Ministério das Comunicações, que encaminha parecer ao Palácio do Planalto. Fontes do setor afirmam ser improvável uma derrubada, se os requisitos documentais estiverem atendidos, e que a não renovação exigiria motivos graves, como dívidas junto à União.

A Presidência envia sua posição ao Congresso, que delibera pela renovação ou não. O pedido passa por comissões temáticas e pelo plenário, na Câmara e no Senado. A não renovação exige votação nominal do Congresso. Já a cassação de uma outorga tem de ser feita por via judicial, conforme fontes do setor.

As reiteradas ameaças de Bolsonaro contra a Globo causam apreensão do setor de rádio e TV. Isso porque, se o presidente enviar ao Congresso mensagem contrária à renovação, deverá justificar o ato e adotar os mesmos critérios ao analisar o caso das demais emissoras. Um ato casuístico poderia repercutir negativamente, inclusive, em avaliações sobre a liberdade de imprensa no País, o que é analisado na adesão à OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Procurada pela reportagem, a TV Globo não respondeu sobre a declaração do presidente, até a conclusão desta edição.

Urnas

Na mesma entrevista ao aliado Garotinho, Bolsonaro repetiu a estratégia de colocar em suspeita a segurança das urnas eletrônicas, sem mostrar evidências. "Temos um sistema eleitoral que não é de confiança de todos nós ainda. A máquina não mente, mas quem opera a máquina é um ser humano", disse.

Na última quinta-feira, em transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro disse que as Forças Armadas identificaram "dezenas de vulnerabilidades" no sistema de votação e cobrou uma resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A resposta da Corte veio no dia seguinte, com desmentido. "As declarações que têm sido veiculadas não correspondem aos fatos nem fazem qualquer sentido", disse o TSE em nota oficial. Conforme o Estadão havia antecipado, os quesitos elaborados por especialistas do Exército em Defesa Cibernética têm caráter técnico sobre o funcionamento do sistema de votação eletrônica.

Por iniciativa da base do governo, o Congresso votou e rejeitou no ano passado uma proposta para adoção do voto impresso. Mesmo derrotado, o presidente ignorou a decisão do Legislativo e continuou sua cruzada lançando suspeitas nunca comprovadas sobre o sistema de urnas eletrônicas.

O tom afável da entrevista revelou mais um ato na aproximação do presidente com outro político que esteve atrás das grades. Bolsonaro já havia ingressado no PL, presidido por Valdemar Costa Neto, um dos condenados no escândalo do mensalão.

Nos últimos dias, Bolsonaro visitou a família Garotinho em Campos dos Goytacazes (RJ), reduto do clã. O prefeito da cidade é Wladimir Garotinho, filho do ex-governador com a ex-governadora Rosinha Matheus. O casal foi preso mais de uma vez e depois solto, por causa de contratos da gestão municipal com empreiteiras. No ano passado, Garotinho foi condenado a 13 anos e 9 meses de prisão por compra de votos, usando recursos da prefeitura de Campos. Ele também foi condenado criminalmente por um esquema de loteamento de cargos em delegacias de polícia, no governo do Estado.


Fiocruz diz que covid mantém UTIs em alerta crítico no DF e em oito Estados

Nove unidades da federação estão na zona de alerta crítico para a ocupação de leitos de UTI Covid-19, com taxas iguais ou superiores a 80%. Outros onze Estados estão na zona de alerta intermediário - entre eles está São Paulo, com uma ocupação de 71%. Os números constam de nota técnica da Fiocruz divulgada nesta quinta-feira, 10, com dados do último dia 7.

Na última quarta-feira, 9, o País registrou 1295 mortes por covid-19 em 24 horas. Foi a pior marca desde julho passado, de acordo com o Consórcio de Veículos de Imprensa. Foi atingida apesar da imunização com duas doses já ultrapassar os 70% da população brasileira. Já na semana passada, a Fiocruz apontou que nove das 27 unidades da Federação enfrentavam alerta crítico na ocupação das suas UTIs.

Tocantins (81%), Piauí (87%), Rio Grande do Norte (89%), Pernambuco (88%), Espírito Santo (87%), Mato Grosso do Sul (92%), Mato Grosso (81%), Goiás (80%) e Distrito Federal (99%) estão em zona de alerta crítico. Já Rondônia (69%), Acre (67%), Pará (79%), Amapá (63%), Ceará (73%), Alagoas (69%), Sergipe (75%), Bahia (73%), Paraná (73%) e Santa Catarina (74%), além de São Paulo, estão em alerta intermediário.

Nas capitais, a situação é ainda mais preocupante. São 15 em zona de alerta crítico: Porto Velho (91%), Rio Branco (80%), Palmas (81%), Teresina (83%), Fortaleza (85%), Natal (81%), João Pessoa (81%), Maceió (82%), Belo Horizonte (82%), Vitória (89%), Rio de Janeiro (86%), Campo Grande (99%), Cuiabá (81%), Goiânia (91%) e Brasília (99%).

Outras cinco estão na zona de alerta intermediária: Macapá (74%), Recife (77%), Salvador (72%), São Paulo (72%) e Curitiba (76%)

O documento ratifica a preocupação com a disseminação da variante Ômicron sobretudo em áreas com baixa cobertura vacinal e recursos assistenciais precários. Essas condições podem causar a elevação do número de mortes por covid-19.

"Como temos sublinhado, a elevadíssima transmissibilidade da variante Ômicron pode incorrer em demanda expressiva de internações em leitos de UTI, mesmo com uma probabilidade mais baixa de ocorrência de casos graves", aponta a nota técnica.

Os pesquisadores alertam para a necessidade de avançar com a vacinação, principalmente entre crianças de 5 a 11 anos, exigir o passaporte vacinal como política de estímulo à vacinação e endurecer a obrigatoriedade de máscaras em locais públicos, como forma de controle da covid-19.