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Hospital universitário integra medicina indígena ao atendimento em Dourados

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Em janeiro, a clínica pediátrica da unidade teve sessões de reza da etnia Guarani Kaiowá

Rezadeira realizando sessão de medicina tradicional Guarani Kaiowá em criança internada no Hospital Universitario de Dourados (Foto: Divulgação / HU-UFGD)

O HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados), vinculado à Rede Ebserh, está integrando a medicina tradicional indígena ao atendimento clínico da população indígena.

O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) está integrando a medicina tradicional indígena ao atendimento clínico, promovendo um cuidado intercultural para a população Guarani Kaiowá. A iniciativa, conduzida pelo Comitê de Saúde Indígena, inclui sessões de rezas curativas e o uso de medicamentos naturais à base de plantas, realizados por rezadeiras como Ñandesy Floriza Souza. O objetivo é respeitar os saberes tradicionais e fortalecer a relação entre corpo, espírito, natureza e comunidade. Além disso, o hospital está construindo uma casa de reza em seu terreno para acolher práticas tradicionais de forma segura. Intérpretes de língua indígena auxiliam na mediação entre demandas clínicas e culturais, enquanto equipes atuam diretamente nas aldeias, integrando atenção especializada e primária. A iniciativa busca oferecer um atendimento mais integral e personalizado, impactando positivamente na adesão ao tratamento e nos resultados.

A iniciativa é conduzida por meio do Comitê de Saúde Indígena e busca oferecer um cuidado intercultural, que respeita os saberes tradicionais do povo Guarani Kaiowá.

Nos dias 12 e 21 de janeiro, a Clínica Pediátrica (Posto 1) recebeu sessões de medicina tradicional conduzidas pela rezadeira Ñandesy Floriza Souza, da aldeia Jaguapiru.

Durante os atendimentos, foram realizadas orientações na língua materna, o Ñevanga (reza curativa tradicional) e a aplicação tópica do pohã ñanã, que são medicamentos naturais à base de plantas utilizados pela comunidade.

De acordo com o hospital universitário, para o povo Guarani Kaiowá, a saúde está diretamente ligada à relação entre corpo, espírito, natureza e comunidade. E nesse contexto, a iniciativa busca proporcionar maior conforto durante a internação e fortalecer a presença dos saberes tradicionais no ambiente hospitalar.

O trabalho é mediado por intérpretes de língua indígena, que auxiliam na articulação entre as demandas clínicas, culturais e espirituais junto ao comitê responsável.

De acordo com o vice-coordenador do Comitê de Saúde Indígena do HU-UFGD, Alan Simon, a proposta é que as práticas ocorram de forma contínua e respeitosa. “Para esses povos, o processo de adoecimento e de cuidado vai muito além do tratamento biomédico. Ele envolve a cosmologia, a espiritualidade e as formas tradicionais de cura”, explica.

O superintendente do hospital, Hermeto Paschoalick, destaca que a inclusão dos saberes tradicionais contribui diretamente para a qualidade do atendimento. “A integração permite um cuidado mais integral e personalizado, criando um ambiente seguro e confiável para a pessoa indígena, o que impacta positivamente na adesão ao tratamento e nos resultados”, afirma.

Expansão cultural no hospital – Como parte da ampliação do projeto, o hospital está construindo uma casa de reza em seu terreno.

O espaço será destinado ao acolhimento intercultural e permitirá a realização das práticas tradicionais de forma segura e adequada, consolidando o HU-UFGD como referência em saúde intercultural na região.

Atualmente, intérpretes indígenas já realizam acolhimento individualizado e auxiliam na inserção das práticas tradicionais como apoio ao tratamento clínico.

As equipes do HU-UFGD, em parceria com o programa de residência em saúde indígena, também atuam diretamente nos territórios das aldeias, integrando a atenção especializada com a atenção primária.



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Sbt