Now Reading:

Petrobras retoma processo para concluir fábrica de fertilizantes em Três Lagoas

Font Selector
Sans Serif
Serif
Font Size
A
A
You can change the font size of the content.
Share Page


Companhia prevê pré-operação em 2028; consumo de gás natural será garantido pela malha integrada nacional

Obra da fábrica de fertilizantes foi suspensa em 2014 (Foto: Saul Schramm/Arquivo)

A retomada das obras Unidade de Fertilizantes Nitrogenados, em Três Lagoas, já entrou na fase de contratação de empresas para a conclusão da fábrica – lançada oficialmente em 2008 com o objetivo de reduzir a dependência externa de fertilizantes e fortalecer o agronegócio nacional.

A Petrobras iniciou o processo de contratação de empresas para retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3) em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O projeto, paralisado desde 2014, tem previsão de conclusão em 2029, com investimentos estimados em R$ 3,5 bilhões.A fábrica terá capacidade de produção anual de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia, consumindo 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. O empreendimento visa atender principalmente os estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo, reduzindo a dependência externa de fertilizantes.

Na prática, o projeto da UFN3, como é denominada, avança atualmente em duas frentes estratégicas, conforme informou a Petrobras ao Campo Grande News. Na contratação dos pacotes de obras e na estruturação da garantia de suprimento energético – fatores considerados determinantes para tirar o empreendimento do papel após mais de uma década de paralisação.

A aprovação final dos investimentos pelas instâncias competentes da Petrobras está prevista para o primeiro semestre de 2026, o que permitirá, segundo a empresa, que as obras sejam retomadas ainda este ano.

A estatal projeta ainda “o início da pré-partida operacional para 2028”, etapa que antecede o começo da produção comercial. O cronograma posiciona a conclusão da UFN3para 2029.

Demanda de gás já está prevista no plano 2026–2030

Assim que entrar em operação, a UFN3 deverá consumir aproximadamente 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Segundo a companhia, essa demanda já está contemplada no Plano de Negócios 2026–2030 e integrada ao planejamento de oferta e demanda de gás natural.

“Esse planejamento considera o conjunto completo de premissas de oferta e demanda de GN”, informou a estatal. Ou seja, o suprimento contínuo necessário para viabilizar a fábrica já está incorporado às projeções de médio prazo.

A Petrobras diz que a garantia estruturada de suprimento para a UFN3 não tem vínculo específico empresas fornecedoras do gás que precisará para operar.

“O projeto da UFN3 considera acesso à malha integrada nacional de transporte de gás natural, que reúne diversas fontes de suprimento – nacionais e importadas – e possibilita o atendimento às demandas do mercado brasileiro como um todo.”

Após a entrada do gás na malha, não é possível associar um consumidor a uma origem determinada. Isso significa que a UFN3 não estará diretamente atrelada ao gás boliviano ou argentino, ponto sensível diante da retração das importações da Bolívia e da maior integração com a Argentina.

A companhia ressalta ainda que o Plano de Negócios é revisado anualmente, considerando a evolução da oferta, da demanda e da capacidade de transporte. “O fornecimento previsto para a UFN3 será contínuo e oriundo da malha nacional ao longo de todo o horizonte operacional projetado.”

A fase de licitações avançou no fim do ano passado com a abertura dos envelopes dos primeiros pacotes de obras. Ao todo, foram estruturados 11 processos licitatórios, com recebimento de propostas até dezembro.

O empreendimento foi fracionado em diferentes lotes, modelo que amplia a participação de fornecedores, estimula a concorrência e busca reduzir custos. Entre os pacotes estão drenagem, pavimentação, prédios administrativos, laboratórios e oficinas.

A Petrobras pretende investir neste ano R$ 1,564 bilhão na retomada das obras da UFN3 em Três Lagoas – quase metade do total de R$ 3,5 bilhões estimados para a conclusão da unidade. O valor consta da Lei Orçamentária Anual (LOA), já sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os recursos estão inseridos no Plano de Negócios que destina US$ 15,8 bilhões ao segmento RTC (refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes).

Além da conclusão da unidade sul-mato-grossense, o plano prevê a continuidade das operações das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia e de Sergipe (Fafen-BA e Fafen-SE) e da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA).

Capacidade de produção e mercado consumidor

O projeto da UFN3 prevê a produção anual de cerca de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia. Localizada próxima aos principais mercados consumidores, a fábrica deverá atender prioritariamente Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo.

Com foco na redução da dependência externa de fertilizantes utilizados pela agricultura brasileira, a unidade é considerada estratégica para o agronegócio nacional.



Source link

Sbt