União Europeia começa a vacinar sua população contra o novo coronavírus

Os países da União Europeia (UE) deram início a uma campanha massiva de vacinação neste domingo (27), com aposentados e médicos fazendo fila para tomar as primeiras doses de vacina contra o novo coronavírus.

“Graças a Deus”, disse Araceli Hidalgo, de 96 anos, ao se tornar a primeira pessoa na Espanha a receber uma vacina. Ela disse aos funcionários de sua casa de repouso em Guadalajara, perto de Madrid, que não havia sentido nada. “Vamos ver se conseguimos fazer esse vírus ir embora.”

Na Itália, primeiro país da Europa a registrar um número significativo de infecções, a enfermeira Claudia Alivernini, de 29 anos, foi uma das três funcionárias da saúde a receber as primeiras vacinas da Pfizer/BioNTech.

“É o começo do fim… foi um momento histórico e emocionante”, disse ela no hospital Spallanzani de Roma.

A região de 450 milhões de pessoas fechou contratos com uma série de fornecedores para mais de dois bilhões de doses de vacinas e estabeleceu uma meta para que todos os adultos sejam inoculados durante 2021.

Embora a Europa tenha alguns dos sistemas de saúde com melhores recursos do mundo, a escala do esforço para vacinar toda a população fez alguns países pedirem ajuda a médicos aposentados, enquanto outros afrouxaram as regras sobre quem pode aplicar as injeções.

Com pesquisas apontando altos níveis de hesitação em relação à vacina em países como França e Polônia, os líderes dos 27 países da União Europeia estão promovendo-a como a melhor chance de voltar a algo como a vida normal no próximo ano.

“Estamos começando a virar a página em um ano difícil”, disse Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia que coordena o programa de vacinação, em um tuíte. “A vacinação é a forma duradoura de sair da pandemia.”

Depois que os governos europeus foram criticados por não trabalharem juntos para combater a disseminação do vírus no início de 2020, o objetivo desta vez é garantir que haja igualdade de acesso às vacinas em toda a região.

Apesar disso, no sábado (26), a Hungria se adiantou ao lançamento oficial ao começar a administrar injeções das vacinas Pfizer/BioNTech para funcionários da linha de frente em hospitais na capital Budapeste.

A Eslováquia também deu início à vacinação de profissionais de saúde no sábado e, na Alemanha, um pequeno número de pessoas em um asilo para idosos também foi vacinado um dia antes.

“Não queremos desperdiçar aquele dia em que a vacina perde a vida útil. Queremos usá-la imediatamente”, disse Karsten Fischer, da equipe pandêmica do distrito de Harz, no estado alemão de Saxônia-Anhalt, à emissora local MDR.

A distribuição da injeção Pfizer/BioNTech apresenta desafios logísticos. A vacina usa uma nova tecnologia de mRNA e deve ser armazenada em temperaturas ultra baixas de cerca de -70º Celsius.

Além de hospitais e lares de idosos, pavilhões esportivos e centros de convenções esvaziados por medidas de bloqueio se tornarão locais para vacinações em massa.

Na Espanha, doses foram entregues por via aérea aos territórios insulares e aos enclaves norte-africanos de Ceuta e Melilla. Portugal está criando unidades frigoríficas separadas para os arquipélagos atlânticos da Madeira e dos Açores.

As primeiras doses em Portugal, neste domingo, foram aplicadas a profissionais de saúde da linha de frente de cinco grandes hospitais: dois em Lisboa, dois no Porto e um em Coimbra. Cerca de 80 mil doses da vacina serão entregues ao país até o final do ano.

“Uma janela de esperança se abriu, sem esquecer que há uma luta muito difícil pela frente”, disse a repórteres a ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido.

Na República Tcheca, o primeiro-ministro Andrej Babis estava no topo da fila. Em Viena, três mulheres e dois homens com mais de 80 anos foram vacinados na presença do chanceler austríaco Sebastian Kurz.

“Estamos em guerra, mas nossa arma chegou e está nesses pequenos frascos”, disse o chefe da força-tarefa antivírus da Bulgária, general Ventsislav Mutafchiiski, após ser vacinado em Sofia.

Na Croácia, a primeira pessoa a receber a vacina foi em um lar para idosos na capital Zagreb. “Estou feliz porque agora poder ver meus bisnetos”, disse Branka Anicic, residente de uma casa de repouso em Zagreb.

Cerca de 2 mil pessoas devem receber a vacina neste domingo em toda a Croácia, principalmente em lares para idosos, mas também alguns funcionários em centros de saúde.

Outros países da UE
Na França, a campanha de vacinação começou na região de Paris com uma mulher de 78 anos identificada como Mauricette em uma unidade de cuidados de idosos de um hospital público. Ela foi aplaudida pelos enfermeiros após ser vacinada.

Na Polónia, as primeiras cinco pessoas, todas funcionárias do Hospital Clínico Central do Ministério do Interior, em Varsóvia, foram as primeiras a serem vacinadas. O hospital deve vacinar cerca de 250 a 300 de seus funcionários neste domingo.

A Holanda já recebeu o primeiro lote de 10 mil vacinas da Pfizer/BioNtech neste fim de semana, mas não vai começar a vacinar até 8 de janeiro, com as primeiras doses destinadas aos cuidadores de idosos, enfermeiras e pessoas que cuidam de deficientes.

A Suécia e a Noruega esperam, cada uma, um lote inicial de 10 mil doses. A Noruega se concentrará em aplicá-las em lares de idosos.

A Dinamarca espera ter vacinas suficientes inicialmente para vacinar as 40 mil pessoas em lares de idosos, seguido por aqueles com alto risco de adoecer ou funcionários da saúde.

A Islândia receberá 10 mil doses por volta do ano novo. Bélgica e Luxemburgo preveem iniciar a vacinação na segunda-feira (28).

A alemã BioNTech já enviou 12,5 milhões de doses da vacina que desenvolveu com a Pfizer aos países da UE. No total, a região de 27 países e 450 milhões de pessoas negociou contratos para mais de 2 bilhões de doses de vacinas de vários fornecedores.

Ainda na Europa, mas fora da UE, Grã-Bretanha, Suíça e Sérvia já começaram a vacinar seus cidadãos nas últimas semanas.