Ex de DJ Ivis recebe apoio de Juliette e Marília Mendonça após agressão

"É inaceitável, intragável e brutal", disse Marília Mendonça

(FOLHAPRESS) - Vários famosos declararam apoio neste domingo (11) a arquiteta e influenciadora digital Pamella Holanda, 27, ex-mulher do músico DJ Ivis, 30, após ela denunciar em suas redes sociais uma série de agressões que sofreu dele. Ela publicou vídeos das brigas.

Juliette Freire, 31, campeã do Big Brother Brasil 21 disse também nas redes sociais que "a violência não deve nem pode nos calar. Não existe justificativa. Todo o meu apoio a Pamella e repúdio às cenas e atos de horror do DJ Ivis. Violência contra mulher é crime".

A atriz Giovanna Lancellotti, 28, disse em recado ao músico: "não justifique o injustificável". Já Marília Mendonça, 25, completou: "Não existem justificativas ou argumentos que diminuam as provas e a existência do crime cometido. É inaceitável, intragável e brutal".

Os vídeos divulgados por Holanda neste domingo mostram agressões em ao menos três momentos diferentes, com socos, tapas e empurrões da parte dele. Já o DJ admitiu, também nas redes sociais, mas disse que reagiu a ameaças. A Polícia Civil do Ceará, onde a violência teria ocorrido, investiga o caso.

DJ Ivis já foi tecladista e produtor da banda Aviões do Forró e depois participou da reconstrução da carreira do líder do grupo, Xand Avião. Xand, sócio da empresa Vybbe, também se manifestou e disse que não admite nenhum tipo de violência.

"Não tem explicação", afirmou. Segundo ele, a produtora Vybbe vai ajudar Pamella e a filha do casal, que chega a aparecer em algumas imagens da agressão. Ele afirmou que não há como seguir trabalhando com DJ Ivis.

A cantora Solange Almeida, ex-Aviões do Forró, divulgou um vídeo orientando as mulheres vítimas da violência a procurarem ajuda. "Amor com violência é doença", disse. "Tenha consciência do ciclo da violência: primeiro vem a tensão, depois a agressão, depois a desculpa, em quarto a calmaria e em quinto a nova agressão. Em outras palavras, ele não vai mudar".

A cantora contou que já sofreu violência doméstica e afirmou que "não é fácil denunciar, mas é preciso. Briga de marido e mulher se mete a colher, sim", completou.

Lideranças políticas falaram sobre o caso e pediram providências contra a violência contra as mulheres. A vereadora Mônica Benício (PSOL-RJ), por exemplo, reforçou que é importante denunciar e combater a lógica machista e cruel. "Pamella, você não está sozinha", afirmou.

"As imagens, que não recomendo que ninguém veja, são chocantes e não deixam dúvidas da violência praticada", escreveu a vereadora Erika Hilton (PSOL-SP).

Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o governo federal recebeu 105.671 denúncias de violência contra a mulher em 2020. Desse total, 75.753 denúncias diziam respeito à violência doméstica e familiar. Entre as principais estavam ameaça ou coação, constrangimento, agressão e tortura psíquica.

Após a divulgação dos vídeos, DJ Ivis foi afastado de todos os compromissos profissionais pela produtora Vybbe, responsável pelo gerenciamento da carreira dele. Produtor, cantor, compositor e tecladista, o artista emplacou hits como "Volta Bebê, Volta Neném", "Não Pode se Apaixonar" e "Volta Comigo BB" .


Há quase um ano, rede de idiomas Wizard tenta desvincular seu nome do Carlos Wizard

Pela terceira vez em um ano, a escola de idiomas Wizard precisou divulgar um comunicado para dizer que não tem relação com o empresário Carlos Wizard, que foi à CPI nesta quarta (30).

De fato, Wizard é o fundador da rede que leva seu nome, mas vendeu o negócio por R$ 2 bilhões para a multinacional Pearson em 2013.

No ano passado, quando o bilionário foi convidado para ocupar um cargo no Ministério da Saúde, a empresa colocou um aviso fixo em sua página na internet explicando que o vínculo não existia. Meses depois, o Tribunal de Justiça de São Paulo divulgou um comunicado, a pedido da Pearson, afirmando que o empresário não tinha qualquer ligação societária ou relação com a rede de escolas e a marca Wizard.

Nesta quarta, a empresa fez um novo comunicado oficial. Desta vez, foi mais direta no esforço de se desvincular do fundador: "a Wizard pertence à Pearson desde 2014 e nosso posicionamento é muito diferente do de Carlos Martins", escreveu. Enquanto isso, pipocavam nas redes sociais chamamentos para boicotes à marca que ainda leva o nome do empresário.

A confusão em torno do nome tem um contexto curioso. Carlos Wizard Martins não nasceu com o 'Wizard' na certidão.

É mais comum no mundo dos negócios que o nome do empresário batize o empreendimento. Mas com Carlos Martins foi o contrário. A rede de idiomas se incorporou ao seu nome.

Para conseguir mudar os documentos, ele disse ao juiz que, com um nome tão comum quanto Carlos Martins, ele teria dificuldades para desenvolver seu negócio, porque há muitos no mundo. Foi uma homenagem ao "Mágico de Oz" ("The Wizard of Oz", em inglês).

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em 2014, o bilionário disse que nome foi impresso em seus documentos e nos dos filhos. Disse também que em seu túmulo vai estar escrito Carlos Wizard Martins.

FOLHAPRESS


Manifestantes fazem atos contra Bolsonaro e a favor da vacina em todos os estados e no DF

Milhares de pessoas foram às ruas neste sábado (19) em cidades de todo o país em protesto contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e em defesa da vacinação contra a Covid-19. Os atos são pacíficos e, coincidentemente, ocorrem no dia em que o Brasil bateu a triste marca de 500 mil mortos por Covid.

Até as 18h30, os protestos ocorriam em Brasília e mais 24 capitais: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Maceió, Manaus, Natal, Palmas, Porto Alegre, Porto Velho, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo, Teresina e Vitória.

Houve atos também em outras localidades, como Campina Grande (PB), Campinas (SP), Caxias (MA), Lavras (MG) e Ribeirão Preto (SP). No total, os atos ocorrem em cidades de todos os estados e do Distrito Federal.

Os manifestantes pediam mais vacina, a saída de Bolsonaro, auxílio emergencial de R$ 600, erradicação da fome e da pobreza e proteção ao meio ambiente e aos direitos dos indígenas.

Em geral, os participantes dos protestos usavam máscaras. Em alguns locais, como Campo Grande, Palmas e Teresina, houve distribuição do item de proteção.

Houve também preocupação com o distanciamento social. No Recife, por exemplo, muitos caminhavam em fila indiana. Em Cuiabá, Jataí (GO) e Sorocaba (SP) a manifestação foi em forma de carreata.

Mas, em alguns momentos, houve registros de aglomeração.


MS recebe mais 70 mil doses de vacinas contra a covid e Capital retoma imunização

Finalmente chegaram hoje (18) no Aeroporto de Campo Grande as 70 mil doses de vacinas da Pfizer e da Coronavac. E após 5 dias sem vacinação, a Capital volta imunizar a população e amplia o público-alvo para pessoas com 49 anos.

https://www.youtube.com/watch?v=c8aQ6vNqDhU


Alexandre Garcia teria lucrado quase R$ 70 mil com fake news no YouTube

Segundo um relatório fornecido pelo Google, o canal do comentarista Alexandre Garcia teria sido um dos grandes disseminadores de fake news sobre a Covid-19. A lista foi fornecida pela empresa a pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para a CPI da Covid, e soma 385 vídeos que foram removidos pelo YouTube por alerta de conteúdo duvidoso.

Ainda de acordo com informações, o comentarista da CNN Brasil teria arrecadado R$ 70 mil apenas com as fake news divulgadas em seu canal. Só na conta de Alexandre, 126 vídeos foram deletados. Antes disso, eles já tinham rendido US$ 13.632,48, equivalente a R$ 69 mil. As informações são do jornal O Globo.


Com estoque baixo, hospitais de MS fazem apelo para doação de leite materno

A pandemia continua travando as doações de leite materno no Estado. Os estoques estão baixos e prejudicando o atendimento aos recém-nascidos e prematuros internados. Por isso, o apelo agora é ainda mais forte.

https://www.youtube.com/watch?v=AQCyTegKamU


ONG doa 50 vezes mais cestas que Pátria Voluntária, de Michelle Bolsonaro

programa Pátria Voluntária, coordenado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, distribuiu pouco mais de 27 mil cestas básicas e 38,5 mil quilos de alimentos desde que foi criado, em julho de 2019. Os dados foram informados pela Casa Civil e pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência após o Estadão revelar que o programa praticamente não recebe novas doações desde julho do ano passado. O número de cestas básicas distribuídas até agora corresponde a 1,93% do que a ONG Ação da Cidadania doou apenas no período da pandemia de covid-19, de março de 2020 até o dia 30 de abril.

Fundada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, a Ação da Cidadania entregou, sozinha, aproximadamente 14 milhões de quilos de comida - o equivalente a 1,4 milhão de cestas básicas - desde o início da crise sanitária. A ajuda beneficiou mais de 4 milhões de pessoas, segundo a ONG. De fevereiro para cá, a entidade distribuiu 350 mil cestas a 1,5 milhão de famílias.

Para efeito de comparação, pode-se dizer que, em pouco mais de um ano, no período da pandemia, a ONG ofereceu 50 vezes mais cestas do que o programa de Michelle em toda a sua existência. E, no período de três meses, 12 vezes mais.

Em outra frente, a Força Sindical anunciou que iria distribuir, a partir de 1º de maio, 15 mil quilos de alimentos. A oferta, em um único dia, equivale a mais da metade do que o Pátria Voluntária doou em quase dois anos de existência.

Propaganda, porém, não faltou para que o programa da primeira-dama decolasse. Reportagem do Estadão mostrou que o gasto da ação com publicidade (R$ 9,3 milhões) é maior que as doações destinadas pela iniciativa (R$ 5,8 milhões) até o momento. O governo alocou mais dinheiro para promover a campanha de Michelle, por exemplo, do que para divulgar a importância de combater o mosquito Aedes aegypti.

A Casa Civil justificou a disparidade sob o argumento de que há várias etapas a serem cumpridas no processo. "Os recursos são empenhados à medida que os editais públicos são lançados e todo o processo é devidamente internalizado e concluído, o que exige um tempo maior", informou a pasta, em nota. "O objetivo foi incentivar o voluntariado por meio da divulgação das ações desenvolvidas pelo Pátria Voluntária, evidenciando suas dimensões e impactos positivos na sociedade. É um equívoco tentar comparar a campanha publicitária com a execução de projetos, pois eles diferem quanto ao objeto, método e propósito."

A reportagem deixou claro que os recursos têm origens diferentes: enquanto a verba usada para propaganda sai do Orçamento da União, o dinheiro doado é captado por meio de doações.

A nota do governo diz que quem decide sobre o destino das doações é o "Conselho de Solidariedade", ligado à Casa Civil. Este grupo "não conta com ministros em sua formação, mas, sim, com representantes de ministérios, os quais se reuniram várias vezes ao longo do ano". Já o Conselho do Pátria Voluntária, mencionado no site do programa, é integrado por ministros e representantes da sociedade civil. O colegiado, no entanto, tem caráter consultivo e não toma decisões.

Escândalo

"É uma coisa escandalosa gastar R$ 9,3 milhões em publicidade, arrecadar só R$ 10,9 milhões e somente parte disso ter sido distribuída", disse Daniel Souza, coordenador da Ação da Cidadania. "É muito baixo para um programa que tem a força política da família do presidente e a estrutura do governo federal." Filho de Betinho, Souza afirmou que a ONG doa, na campanha Brasil sem Fome, entre 70 mil e 80 mil cestas básicas por mês. "Esse é o nosso ritmo. Não somos governo e não temos essa estrutura de comunicação. Se tivéssemos, com certeza estaríamos arrecadando muito mais".

Na prática, o Pátria Voluntária derrapa no momento em que mais da metade dos domicílios enfrenta algum grau de insegurança alimentar em consequência da pandemia. A volta da fome no Brasil tem repercutido no mundo. No dia 24 de abril, por exemplo, a capa do jornal The New York Times estampou a foto da enorme fila da doação de sopa, no centro de São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Não siga o meu exemplo ruim. Não aceite o que não é certo

Reconhecer os próprios erros não é uma prática recorrente no meio corporativo. Fazer mea culpa é, geralmente, visto como gesto de fraqueza, despreparo e amadorismo. Mas o empresário Henrique Constantino, cofundador da Gol Linhas Aéreas, decidiu imprimir, literalmente, um novo estilo de vida e de gestão. O filho caçula do polêmico Nenê Constantino, um dos principais empresários do setor de transporte do País, foi alvo da Operação Sépsis, que investigou esquema de propina na Caixa operado por Lúcio Funaro para beneficiar políticos — entre eles o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ). A ofensiva, em julho de 2016, resultou em busca e apreensão à casa de Constantino. Um acordo de leniência de R$ 70 milhões o livrou de condenação. “Não compensa ir pelo caminho mais fácil. Não siga o meu exemplo ruim. Não aceite o que não é certo”, afirmou. O relato abre o livro Desejo de Gol (editora Citadel, 256 págs., R$ 44,90), o empresário narra a trajetória para fazer da Gol uma das maiores na aviação do País e fala dos tropeços que o afastaram dos negócios.

Seu livro mostra o quanto você se arrepende do que fez de errado como empresário. Qual foi o momento mais difícil?

Henrique Constantino — Entre todos os dramas pessoais, a busca e apreensão na minha casa foi o pior. Depois disso, tive de sair do conselho da Gol e das empresas de capital aberto de que a minha família participa. Passei a me focar, dar todos os instrumentos para a minha defesa e colaborar com a Justiça para poder esclarecer a situação da forma mais adequada possível. Há quase cinco anos estou afastado da Gol. Aí me dediquei à terapia.

De onde veio a ideia de escrever o livro?

De uma conversa com meu psicanalista. Escrever seria uma forma libertadora dessa situação. Quero compartilhar isso com a sociedade da maneira mais transparente e verdadeira possível.

O livro ajuda a se conciliar com o passado?

De uma forma natural, estou cada vez me sentindo mais livre e feliz.

O Henrique Constantino de antes do livro é diferente do atual?

Com certeza. Hoje sou muito mais seguro, consciente, capaz de contribuir com a sociedade de uma forma ativa. Sou menos submisso, menos acuado e muito mais fácil, transparente, aberto, com a alma solta.

Qual a sua visão sobre os erros e acertos dos empresários brasileiros, em geral, e o que mudou após a Lava Jato?

É uma pergunta bastante delicada. Não quero ficar aqui medindo palavras, sem ter como responder da forma mais assertiva possível. Eu não diria que teve erro ou acerto, e nem que foi ruim ou bom. Acho que é uma evolução da sociedade. O Brasil é uma democracia nova. Temos 40 anos de democracia, nem isso. O que está acontecendo é uma evolução cada vez maior do meio empresarial, da relação entre poder público e poder privado. É uma evolução do ambiente político e empresarial.

“Se existe alguma analogia entre pandemia e acidente é a forma como devemos cuidar das vidas das pessoas. A gente precisa salvar vidas”© Jorge Hely/FramePhoto “Se existe alguma analogia entre pandemia e acidente é a forma como devemos cuidar das vidas das pessoas. A gente precisa salvar vidas”
Mas não há um legado positivo nas relações entre políticos e empresários?

Se houve coisas boas ou ruins, como você comentou, poderia resumir como mais transparência e fluidez.

Entre todos os relatos que você descreve no livro, um dos que mais chama a atenção é sobre o acidente aéreo com um avião da Gol que matou 154 pessoas em 2016. Aquele sentimento de luto é comparável com o que está acontecendo hoje na pandemia, com quase 4 mil pessoas morrendo por dia no Brasil?

Não. São coisas completamente diferentes. Aquilo que aconteceu naquele acidente aéreo no qual a Gol esteve envolvida, não é que a aeronave caiu, ela foi derrubada. Foi uma situação extremamente complexa e singular. Quem vive do meu negócio como eu, quem transporta pessoas, vive 24 horas do dia pensando segurança. A gente pensa o dia inteiro em como preservar vidas, cuidar das pessoas, como levá-las de um lugar a outro da forma mais segura. Se existe alguma analogia entre pandemia e acidente é a forma como devemos cuidar das vidas das pessoas. A gente precisa salvar vidas. No caso da vacinação, temos que fazer o que for possível, usar todo o investimento disponível, para preservar as pessoas.

A sua nova visão de compliance, com transparência e ética, não conflita com o estilo de gestão familiar, como é o caso da Gol?

Entendo que gestão familiar e transparência podem ser complementares. À medida que a empresa vai crescendo, todos os assuntos devem estar sob regras de conformidade necessárias de uma grande empresa. Mesmo assim, meus irmãos e eu, que somos sócios da Gol, temos o hábito de nos reunir toda quarta-feira para trocar ideias e, logicamente, levar isso para aprovação formal nos comitês, nos conselhos competentes. Mas eu sou favorável a essa gestão de dono, com a gestão profissionalizada integrada, onde há um sentimento de aguerrido, que é o dono do negócio e um executivo que está ali para transformar aquilo da melhor forma possível.

Empresas como Localiza e Itaú já não têm sobrenomes da família fundadora na gestão. Isso vai acontecer na Gol?

Na minha opinião, sem demérito nenhum de outro meio de atuação, unir gestão profissional com o sentimento de dono é a fórmula mais eficiente e vitoriosa possível. Seja dono ou não, temos que manter a disciplina do executivo, para que ninguém saia dos trilhos. Além dos dos nomes que você citou, acrescentaria a própria JSL. Quem conseguir unir a gestão familiar com uma gestão executiva eficiente, terá o melhor.

Dentro dessa visão, qual seu plano pessoal e profissional para os próximos anos?

Continuo focado naquilo que eu sei fazer, que é mobilidade, transportar pessoas. Sempre falo que meu negócio é aproximar pessoas, fazer com que elas consigam se encontrar da forma mais eficiente, rápida e segura possível. Quero continuar a minha vocação. E aí, a ideia do livro é também para compartilhar com a sociedade meus traumas, meus problemas, e tentar fazer com que a relação entre poder público e iniciativa privada seja mais forte. Que isso possa gerar nessa nova geração um sentimento de transparência, e de que vale a pena fazer bem-feito, construir juntos um país melhor.

Como ficará o setor aéreo no mundo todo depois dessa pandemia?

A pandemia vai gerar nas pessoas a necessidade de viver mais e melhor. A qualidade de vida passa a ser fundamental. Todos vão querer ter experiências boas. Então, a demanda por viagens vai aumentar. Essa vontade de viver melhor vai fazer com que as pessoas utilizem ainda mais os meios de transporte, se encontrem, valorizem os momentos que estiverem com familiares e amigos.

Baseado na sua experiência pessoal, como você imagina será o mundo pós-pandemia?

Vamos valorizar mais a vida. Aproveitar mais a vida. Eu não vivi a Segunda Guerra mundial, mas esse momento se compara com o que aconteceu depois daquele período, quando houve um boom de consumo, um boom de viagens, de pessoas tentando se divertir ao máximo. Então eu penso muito numa vida ativa, valorizando mais as experiências, a vida pessoal, as amizades, do que um mundo mais sisudo ou fechado.

Se você pudesse voltar no tempo, qual erro você não cometeria de novo e qual você entende que valeu a pena ter cometido?

Essa pergunta é muito boa e eu me faço até hoje. Com certeza, eu seguiria muito mais a minha vontade, o meu coração, a minha cabeça, e talvez ouviria menos algumas pessoas ao meu redor, talvez algumas coisas que eu não concordava e acabei aceitando. Muitas vezes a gente não percebe que está entrando numa onda que está quebrando, quase no bolo da onda. Então, se eu pudesse voltar atrás seguiria meu coração.

“A pandemia vai gerar nas pessoas a necessidade de viver mais e melhor. Todos vão buscar experiências boas. Então, a demanda por viagens vai aumentar” © Renato S. Cerqueira “A pandemia vai gerar nas pessoas a necessidade de viver mais e melhor. Todos vão buscar experiências boas. Então, a demanda por viagens vai aumentar”
E o que teria feito de diferente?

Não aceitaria mais ouvir: “Vai lá e resolve”, “Todo mundo faz assim”, “É assim que se faz”, “É assim que funciona”. Eu acabei aceitando uma coisa que eu não concordava. Então, se pudesse voltar, não faria algo que não concorda. Esse foi o grande erro para mim. Precisamos aprender mais com os nossos próprios erros.

A postura do governo influencia o modo de atuação das empresas?

Acredito que haja uma interferência, sim. As empresas podem até caminhar, mas o exemplo dos governantes, da população, das empresas, é fundamental para a gente atingir esse objetivo de um mundo mais sustentável. Para nossos filhos, o exemplo vem de casa. Se a gente conseguir que, de dentro de casa, os governantes de países como os Estados Unidos, ou o Brasil, possam estimular cada vez mais isso, valorizando a transparência, eu entendo que é um ciclo positivo. E que a gente vai conseguir superar se tiver o exemplo, não só pelo poder público como pelas empresas.

Só assim será possível fazer negócios no Brasil sem se corromper?

É aquilo que comentei sobre evolução das tratativas, das relações interpessoais, empresariais. Estamos num processo de evolução. A Europa já tem isso há muito tempo. À medida que se implanta programa de conformidade, de transparência, de controles, você estimula a sociedade a ser mais aberta, mais fácil, mais clara possível. Eu acho que é uma constante evolução e a gente está chegando lá.

Você pensa em escrever um segundo livro? Tem algum tema em mente?

Com essa pergunta você me pegou, eu realmente não sei. Mas a intenção não é fazer manual de autoajuda. Quero que o livro seja, realmente, algo que traga a mensagem: “Gente, vamos lá. Vocês são capazes, nós somos capazes”. A ideia de compartilhar minhas experiências é de estimular o pensamento, estimular as alternativas que melhor convenham para a sua cabeça.

Fonte: Hugo Cilo / Istoé Dinheiro