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Pecuarista aplicava golpes na compra de gado e lesou produtores em R$ 8 milhões

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Em maior parte, suposto produtor usava cheques que posteriormente eram devolvidos por insuficiência de fundos

Lote adiquirido em leilão. (Foto: Reprodução | Youtube)

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul instaurou, no fim do mês passado, um inquérito para apurar golpe que causou prejuízo superior a R$ 8 milhões a pecuaristas e empresas ligadas à cadeia do gado no Estado. A investigação é conduzida pela Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários) e apura, entre outros delitos, estelionato, ocultação de bens e lavagem de dinheiro.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga um esquema de golpe milionário que causou prejuízo superior a R$ 8 milhões a pecuaristas e empresas do setor. O principal suspeito tem 33 ano é, investigado por estelionato, ocultação de bens e lavagem de dinheiro. O investigado comprava gado com cheques sem fundos, firmava contratos de parceria que não cumpria e recebia valores antecipados por animais nunca entregues. Os golpes ocorreram principalmente entre janeiro e maio de 2025, afetando diversos produtores rurais e empresas de confinamento do estado.

O principal investigado é homem de 33 anos que nos processos judiciais aparece qualificado como pecuarista. Apesar de não ser localizado por diversas vítimas e nem oficiais de justiça, documentos indicam endereços associados a ele em um condomínio de alto padrão em Campo Grande, além de registros no Bairro Pioneiros, na Capital, e até no interior do Estado, como Aquidauana.

De acordo com as apurações, o suspeito conseguia arrematar animais em leilões, firmar parcerias com confinamentos, receber adiantamentos em negociações de gado e celebrar contratos de criação em sistema de parceria. O problema começou quando os compromissos financeiros assumidos nessas operações deixaram de ser honrados.

Como funcionava? Conforme descrito em ações judiciais e relatos que embasam o inquérito policial, o esquema seguia um padrão. Ele comprava gado utilizando cheques que posteriormente eram devolvidos por insuficiência de fundos, firmava contratos de parceria para criação de bovinos e deixava de cumprir as confissões de dívida assinadas, além de receber valores antecipados por animais que nunca foram entregues.

Em muitos casos, ele revendia os mesmos animais para tentar quitar dívidas anteriores, criando um efeito cascata. Entre uma negociação e outra, o gado era deixado em confinamentos e em boitéis, onde também se acumulavam débitos.

Boitel é uma modalidade de parceria comum no setor pecuário, na qual o produtor entrega os animais a uma estrutura especializada para engorda e manejo, pagando uma diária ou dividindo os resultados ao final do período. Nesse sistema, o proprietário do gado continua responsável pelos custos e compromissos financeiros assumidos.

Os fatos investigados ocorreram, em sua maioria, entre janeiro e maio de 2025, período em que múltiplas negociações no mercado de gado bovino foram realizadas sem a devida cobertura financeira. O maior prejuízo, segundo consta nos autos, recaiu sobre produtores rurais e empresas de confinamento, com dívidas acumuladas em diferentes frentes.

Processos – Há diversas execuções de título extrajudicial e ações de cobrança ajuizadas por produtores rurais, todas apontando inadimplência. Em um dos processos, relacionado ao descumprimento de um contrato de parceria para criação de gado bovino, o valor confessado da dívida chega a R$ 778.260,10. O montante deveria ser quitado em seis parcelas mensais, de aproximadamente R$ 129,7 mil cada, com vencimentos entre junho e novembro de 2025, o que não ocorreu.

Em outro caso, envolvendo negociações no interior do Estado, a execução se baseia em três cheques emitidos em março de 2025, que somam R$ 1.550.000,00. Apesar da promessa de pagamento direto em conta, houve apenas um repasse parcial de R$ 100 mil. Os cheques foram apresentados dentro do prazo e devolvidos por insuficiência de fundos.

Há ainda processo relacionado a uma Cédula de Produto Rural com liquidação financeira, no valor de R$ 400 mil. O título previa pagamento em duas parcelas, sendo que apenas a primeira foi quitada, permanecendo inadimplente a parcela com vencimento em abril de 2025.

Outro episódio envolve a arrematação de um lote com 85 fêmeas em um leilão realizado em Campo Grande (foto acima), no valor inicial de R$ 479.400,00. Os animais foram entregues com reserva de domínio, ou seja, a propriedade só seria transferida após o pagamento integral. O valor não foi quitado na data acordada e, com juros, correção monetária e multa contratual, a dívida apontada no processo ultrapassa R$ 580 mil.

Investigação – Somados, os valores cobrados em diferentes ações judiciais ultrapassam R$ 8 milhões, montante que também é acompanhado pela Dedfaz no âmbito do inquérito policial. A suspeita é de que o investigado tenha ocultado bens e movimentado recursos de forma a dificultar a recuperação dos prejuízos.

A reportagem tentou contato com advogados que eventualmente representassem o suspeito nos processos em andamento, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

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