Eles trabalhavam em fábricas por lá, namoraram quando jovens e anos depois estão juntos de novo
Adriana Mieko Shimabukuro e Demeraldo Teixeira Gomes da Silva saíram do Brasil aos 18 anos para tentar uma vida melhor no Japão. Ele paranaense e ela de Campo Grande, moravam a 500 km um do outro, ela em Gunma-ken e ele em Shiga. O encontro inusitado aconteceu em um balão. Os dois namoraram, se separaram e depois dos desencontros da vida, reataram o romance 20 anos depois. Hoje eles têm um sushi juntos na Avenida 1º de Maio.
Casal brasileiro que se conheceu no Japão reencontra-se após 20 anos e hoje administra restaurante japonês em Campo Grande. Adriana Mieko Shimabukuro e Demeraldo Teixeira Gomes da Silva partiram para o país asiático aos 18 anos, onde trabalharam em fábricas e viveram um breve romance. Após retornarem ao Brasil e seguirem caminhos diferentes, o casal se reencontrou em 2021 pelas redes sociais. Atualmente, são proprietários de um restaurante de sushi na Avenida 1º de Maio, em Campo Grande, onde Adriana, que fez curso de culinária japonesa, gerencia o estabelecimento com o apoio de Demeraldo.
O namoro, quando eram jovens, foi à distância. Adriana conta que o via aos finais de semana. Por lá, eles dividiram o peso do trabalho pesado em fábricas: ela em tecidos e embalagens e ele em carros. Ambos atravessaram o oceano Pacífico para juntar dinheiro e retornar ao Brasil. A meta de Adriana era ajudar a mãe.

“Fiquei 15 anos no Japão. Sou filha mais velha de 3 meninas e minha mãe perdeu o meu pai muito cedo e quando eu completei 18 queria ajudar ela. A primeira ideia era comprar um carro pra ela, mas na adolescência fui ficando, aí voltei, depois fui de novo. Trabalhei em fábrica de sutiã, de roupas, de embalagens. Era muito massante sempre fazer a mesma coisa e muitas horas de trabalho. Tinha que trocar o turno. Trabalhava das 8h às 20h. Na outra semana era das 20h às 8h”.
Em 2000 a mãe conseguiu ir até lá e juntas abriram um restaurante de yakisoba, com a mesma receita que vende hoje no sushi. O negócio deu certo, mas a mãe precisou voltar ao Brasil e adoeceu. A família achou melhor ela permanecer por aqui.
A época em que, tanto Adriana quanto o marido, foram para o Japão era a época de ouro para isso, poucos brasileiros e chance real de fazer dinheiro e voltar. Hoje a realidade é bem diferente.
“Não voltaria para trabalhar. O Japão já não é como antigamente, naquele tempo eram poucos que iam, hoje muita gente vai. Se eu fosse seria para conhecer, mas guardar dinheiro pra voltar e montar algo aqui já não faz mais tanto dinheiro. Eu não me arrependo de ter ido, às vezes penso que talvez deveria ter estudado, mas não sabemos nosso destino. Depois que voltei fiz uma faculdade de administração”.
Demeraldo também foi para conseguir uma vida melhor do outro lado do mundo. Trabalhou em fábrica por 7 anos até que um dia conseguiu abrir uma loja de carros usados. O público era justamente os brasileiros.
“Eu fui pra ganhar dinheiro, trabalhei em fábrica de pneu e outras. Eu procurava onde tinha bastante hora extra, eram 13 a 14 horas por dia de trabalho, 27 a 26 dias no mês. Foi assim por todos esses anos. Montei a minha loja e cheguei a ter 70 carros lá. Deu certo, mas como já tinha ganhado um dinheiro quis vir embora. Fui muito novo, com 18 anos, fiquei 13 anos lá e 7 anos sem voltar para o Brasil”.
Ele relembra que não teve estudo e que a oportunidade apareceu como salvação. Demeraldo não se arrepende de ter ido, é grato ao Japão e ao que ele proporcionou. “Aprendi muito, vi coisas lá que estão aqui agora, principalmente a parte de tecnologia. Os japoneses me ensinaram muita coisa. A língua foi uma barreira, mas quando estamos lá a gente se vira. Falo razoável, é um japonês sujo que eles falam”.
O reencontro do casal aconteceu em 2021, pelas redes sociais. Demeraldo foi atrás de Adriana. Os dois tiveram outros relacionamentos e filhos. Ele estava no Paraná e ela em Campo Grande. Depois da aproximação ele se mudou para a Cidade Morena para ficar com ela.
“Eu tinha um bar e um restaurante em uma sociedade. Na verdade cuidava do bar Balabuska e meu primo do sushi. Tinha mais uma pessoa na sociedade que queria ir para o Japão e decidimos separar. Eu comecei a administrar o sushi e pra mim foi bem difícil porque logo que peguei veio a pandemia. A gente tinha 16 funcionários, tive que demitir e fiquei com freelancer. Aí teve o pico do comida por delivery e ele vinha pra cá, ficava me ajudando, deu umas ideias”.
Hoje depois de tudo o que passou Adriana conta que aprender a gerir um restaurante japonês foi e segue sendo um desafio. “Eu falo há 5 anos fiz uma faculdade de sushi porque não sabia nada de sushi, abrir peixe. A parte administrativa é bem diferente de um bar. O tarê existe desde 2010, era em outro lugar e em 2017 veio para cá, em 2020 eu assumi”.














