Senadora afirma que acordo prioriza eleger dois nomes da direita e manter alianças com o PL
Em meio ao xadrez político para a formação das chapas ao Senado, a senadora Tereza Cristina (PP), presidente do Progressistas em Mato Grosso do Sul, afirmou que o partido não terá candidato próprio à Casa nas eleições gerais de outubro. A declaração foi feita na manhã desta sexta-feira (27), durante evento em Campo Grande.
A senadora Tereza Cristina (PP) anunciou que o Progressistas não terá candidato próprio ao Senado nas eleições de outubro em Mato Grosso do Sul. A decisão faz parte de um acordo político estabelecido durante as negociações para a filiação do governador Eduardo Riedel ao partido.As articulações no campo da direita indicam uma possível chapa do Partido Liberal (PL) com o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado Capitão Contar. Tereza Cristina ressaltou que o objetivo é montar uma estratégia para garantir duas vagas ao campo conservador, visando derrotar o PT nas eleições.
Segundo a parlamentar, a decisão faz parte de um acordo político construído ainda nas tratativas para a filiação do governador Eduardo Riedel ao PP. “O PP, quando das minhas conversas iniciais com o governador Riedel lá atrás, se ele viesse para o PP, nós não teríamos candidato, muito pouco provavelmente teríamos candidato ao Senado. Por quê? Porque isso é uma construção”, afirmou. “Política é muito o hoje. Então hoje é não”, complementou a senadora.
Atualmente, as negociações no campo da direita apontam para uma possível chapa pura do Partido Liberal (PL), com os nomes do ex-governador Reinaldo Azambuja e do ex-deputado estadual Renan Barbosa Contar, o Capitão Contar.
A sinalização de que o PP não lançará nome próprio, ao menos neste momento, reduz as possibilidades para lideranças da sigla que vinham sendo cogitadas, como o presidente da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), Gerson Claro (PP).
No início do ano, Gerson afirmou que estava com a campanha à reeleição pronta, mas que se colocaria à disposição do partido para disputar o Senado. Na última quarta-feira (25), em entrevista ao Campo Grande News, declarou que está disposto a concorrer a uma das duas vagas em 2026, desde que respeitadas as prioridades do grupo político: a reeleição de Riedel e a eleição de Azambuja para a primeira vaga. Segundo ele, o cenário precisa estar definido até 5 de abril. “Dia 6 eu já não quero mais”, disse.
Ao justificar a decisão, Tereza Cristina destacou a estratégia eleitoral do grupo, que provavelmente será disputado em um cenário polarizado com o PT. “Nós temos que ser pragmáticos, ganhar a eleição. E vocês sabem o campo em que eu milito. E o campo em que eu milito é da direita, conservadora, centro-direita. E o que queremos? Ganhar do PT”, afirmou.
Para ela, o objetivo é montar um “tabuleiro” capaz de garantir duas vagas ao campo político que representa. “Então nós temos que ter um tabuleiro muito bem montado para ganhar a eleição e tentar fazer dois candidatos da direita. Então, sendo muito pragmática, é isso. O PP tem ótimos candidatos a senador, mas isso só vai acontecer se, no final das contas, for necessário”, disse.
Questionada se o candidato a vice-governador seria alguém do PP para manter as alianças, Tereza afirmou que há um acordo em curso com o PL e que o cenário ainda pode mudar até as convenções. “Hoje o PP não tem candidato ao Senado, porque existe um acordo. Amanhã pode mudar, porque na política é assim. Até a gente chegar às convenções, muita coisa pode acontecer. Mas nós temos um projeto para eleger dois senadores do nosso campo”, disse.
Ela mencionou o entendimento atual com Azambuja e a pré-candidatura de Capitão Contar, ponderando que “ainda não está batido o martelo”. “Na política, dois e dois não são exatamente quatro; pode ser três vírgula oito ou quatro vírgula dois. Então nós temos que aguardar. Esse tabuleiro vai ser montado”, afirmou.
Chapa para governo — Sobre a composição majoritária estadual, Tereza citou que Riedel tem sinalizado que irá manter o atual vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha (PSD), em sua chapa.
“O Eduardo tem dito que o Barbosinha é o vice ideal. Porque o governador é do PP. Então cabe um vice do PP? Eu acho que não. Eu acho que essa vaga — suplente, vice — você tem que acomodar os seus aliados. É para isso que você faz uma coligação. Senão, você faria chapa pura do começo ao fim”, declarou Tereza.
A senadora também destacou que o calendário eleitoral será determinante nas próximas definições e que algumas coisas poderão mudar no meio do caminho. “A gente tem que ter um pouco de paciência até o dia 4 de abril, quando muita gente vai se desincompatibilizar. Depois temos até julho, começo de julho, com as convenções, quando a coisa vai fervilhar”, concluiu.









