Plataformas de reserva mostram tarifas até 60% maiores na semana da conferência
A realização da COP15 em Campo Grande, entre os dias 23 e 29 de março, já começa a provocar reflexos no setor de hospedagem da Capital. Comparação de preços em plataformas de reserva indica aumento significativo nas tarifas de hotéis e acomodações por temporada na semana do evento internacional. Em alguns casos, o valor das estadias chega a subir mais de 60% em relação à semana anterior.
A COP15, conferência global sobre conservação de espécies migratórias, está impactando significativamente o setor hoteleiro de Campo Grande. O evento, que acontecerá entre 23 e 29 de março, provocou aumentos de até 66% nos valores de hospedagem, principalmente em acomodações particulares, enquanto hotéis registram reajustes entre 10% e 25%. O encontro reunirá representantes de mais de 130 países no Expo Bosque, mobilizando diversas secretarias estaduais e forças de segurança. A conferência também será utilizada para promover o turismo local, com programação especial incluindo visitas ao Bioparque Pantanal e exposições de artesanato regional.
Um dos anúncios analisados em plataforma de aluguel por temporada mostra que uma hospedagem de seis noites custava R$ 1.809 no período de 16 a 22 de março. Para a semana da conferência, entre 23 e 29 de março, o mesmo imóvel passou a ser ofertado por R$ 3.004. O aumento representa diferença de R$ 1.195 no pacote de seis noites, uma alta aproximada de 66%.
Nos hotéis, a variação existe, mas costuma ser menor. No Hotel Campo Grande, por exemplo, o valor de uma estadia de seis noites aparece por R$ 1.480 para o período do evento. Em média, o comportamento observado indica reajustes de cerca de 10% a 25% nos hotéis e de 30% a mais de 60% nas acomodações ofertadas por anfitriões particulares.
Apesar da elevação de preços nas plataformas, o setor hoteleiro afirma que ainda não percebeu aumento expressivo nas reservas diretamente relacionadas à conferência. Segundo Alexandra Corrêa Martins, presidente da ABIH-MS (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Mato Grosso do Sul), até agora o movimento tem sido pontual.
“Foi informado que cada delegação faria contato direto com os hotéis para as reservas, mas essa procura ainda não aconteceu. Tivemos apenas casos isolados, como uma reserva feita por uma pessoa da Alemanha”, afirmou.
A dirigente explica que representantes do setor de turismo e hotelaria participaram recentemente de uma reunião com entidades do segmento e integrantes do Ministério do Meio Ambiente para discutir a organização da conferência.
Participaram do encontro associações como a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), entidades ligadas ao turismo e representantes da rede hoteleira da Capital.
Durante a reunião, foram repassadas algumas informações preliminares sobre o evento, incluindo estimativa inicial de público. “Naquele momento foi informado que havia cerca de 1.002 pessoas inscritas. Também foi citada a possibilidade de mais mil participantes além desse número”, relatou.

De acordo com Alexandra, a expectativa apresentada é que a COP15 em Campo Grande tenha dimensão menor do que a edição realizada em Manaus. “A informação passada é que não terá o mesmo tamanho nem o mesmo perfil do evento realizado lá”, disse.
Segundo ela, as delegações presidenciais devem ficar hospedadas em hotéis de categoria mais elevada da cidade. “Pelo que entendemos, as delegações escolheriam hotéis como Deville, Novotel ou até mesmo o novo hotel da rede Slaviero, que chegou recentemente ao mercado com padrão mais alto.”
A organização também informou que as atividades da conferência devem ocorrer em diferentes pontos da cidade.
Entre os locais mencionados estão o Bosque Expo, no Shopping Bosque dos Ipês, o Bioparque Pantanal, a Casa do Homem Pantaneiro e o Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, onde devem ocorrer reuniões restritas de autoridades.
A logística de transporte entre hotéis e espaços do evento também foi discutida com o setor.
Para Alexandra, a previsão é que os hotéis ofereçam transporte para levar participantes até os locais das atividades, mas ainda não há definição sobre rotas ou operação. “Isso ainda precisa ser organizado pela prefeitura e pela Agetran (Agência Municipal de Trânsito). Para os hotéis é importante saber como será esse fluxo para organizar embarque e desembarque de hóspedes.”
Outro fator que preocupa o setor é a coincidência do evento ambiental com outra agenda internacional já confirmada na cidade. Entre os dias 16 e 28 de março ocorre em Campo Grande o exercício Cooperação, da Aeronáutica, que reúne forças aéreas de diversos países das Américas e tem cerca de 800 participantes confirmados.
Segundo a presidente da ABIH-MS, esse evento já está com a logística estruturada junto ao setor hoteleiro. “Eles já fizeram contato com hotéis, agências e até elaboraram guia de hospedagem e restaurantes. Esse está bem organizado.”
No caso da COP15, porém, a avaliação do setor é de que ainda faltam definições. “Hoje é uma grande incógnita. Pode ser um evento importante para Campo Grande, com potencial de projeção internacional, mas ainda temos poucas informações e não conseguimos estimar ocupação ou impacto na receita.”
Evento – A COP15 reunirá representantes de governos, cientistas, organizações internacionais e membros da sociedade civil de mais de 130 países. O encontro global terá como tema central a conservação das espécies migratórias de animais silvestres.
Organizada pela ONU (Organização das Nações Unidas) e pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), a conferência terá a chamada Blue Zone instalada no Expo Bosque, no Shopping Bosque dos Ipês, além de atividades paralelas em diferentes pontos da cidade.
Diante da magnitude do evento, o Governo de Mato Grosso do Sul mobilizou diferentes secretarias para apoiar a realização da conferência.
A coordenação das ações estaduais ficará a cargo da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), enquanto outras pastas atuarão em áreas como segurança, mobilidade, turismo, saúde e educação.
Segurança e logística mobilizam forças públicas
Para garantir a estrutura necessária à conferência, a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) organizou um plano integrado de segurança envolvendo órgãos federais, estaduais e municipais.
Participam da operação a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, forças estaduais de segurança, Guarda Municipal e o Exército Brasileiro.
Um Gabinete de Ações Integradas será instalado no CICC-MS (Centro Integrado de Comando e Controle de Mato Grosso do Sul), com cerca de 40 integrantes responsáveis pelo monitoramento das atividades durante o evento.
Entre as medidas previstas estão policiamento ostensivo, patrulhamento aéreo, controle de trânsito e bloqueios de vias para deslocamento de autoridades e delegações internacionais.
Além das discussões ambientais, a conferência também será usada para promover o turismo sul-mato-grossense.
A Fundtur-MS (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul) preparou uma programação voltada à divulgação do potencial turístico do Estado, incluindo painéis sobre observação de aves e sugestões de roteiros turísticos para participantes.
Entre os atrativos oferecidos aos visitantes estão o Bioparque Pantanal, o Museu Dom Bosco, o Parque Estadual do Prosa e o Parque Estadual Matas do Segredo.
A programação também inclui ações culturais coordenadas pela Setesc (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura) e pela FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul), que levará artesanato regional para exposição durante o evento.
Com delegações internacionais, especialistas e representantes de organizações de diversos países, a expectativa é que a conferência impulsione setores como hotelaria, transporte, alimentação e turismo.



