Manifestantes também protestaram contra projeto sobre o uso de banheiros para pessoas trans em Campo Grande
Grupo liderado pelo movimento trans de Campo Grande ocupou, neste sábado (28), o imóvel destinado à casa de acolhimento LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexuais, assexuais e outras identidades), na Esplanada Ferroviária, para protestar contra a demora do poder público e dar função social ao espaço. A manifestação foi pacífica, com cartazes e bandeiras, e terminou com a entrada no prédio, que estava deteriorado e sem uso.
Grupo liderado pelo movimento trans de Campo Grande ocupou imóvel destinado à casa de acolhimento LGBTQIA+ na Esplanada Ferroviária. A ação protesta contra a demora do poder público em implementar o projeto, apresentado em 2025 pelo Governo do Estado. O local, encontrado em condições precárias, seria usado como abrigo temporário para pessoas em situação de vulnerabilidade. Os manifestantes iniciaram a limpeza do espaço e pretendem mantê-lo ocupado para garantir sua função social de acolhimento.
O imóvel foi apresentado em 2025 pelo Governo do Estado como sede da futura casa de acolhimento, proposta discutida por grupo de trabalho que teria prazo até agosto daquele ano para entregar o projeto. À época, a iniciativa previa abrigo temporário e apoio psicossocial a pessoas em situação de vulnerabilidade, como vítimas de expulsão familiar e violência.
Neste sábado, os manifestantes encontraram o espaço em condições precárias, com sinais de abandono e uso por terceiros. Segundo o grupo, o local servia como abrigo improvisado para usuários de drogas e pessoas em situação de rua. Diante do cenário, os próprios ativistas iniciaram a limpeza e organização do imóvel.
A ativista e mulher trans Hellen Kadory afirmou que a ocupação foi planejada sem divulgação prévia e representa uma resposta à falta de avanço do projeto. “A casa já tinha sido entregue para a gente, mas houve promessas de outro espaço e nada saiu. A gente decidiu retomar a mobilização direta para garantir esse direito”, disse. Ela afirmou que o movimento pretende manter a ocupação e dar início ao uso do espaço.
Para a professora Emy Santos, o imóvel representa uma alternativa para jovens que não têm onde morar. “Essa casa é um símbolo de resistência para pessoas expulsas de casa e que não são acolhidas em nenhum outro lugar. É um direito de quem está em situação de vulnerabilidade”, afirmou. Ela também criticou propostas discutidas no Legislativo municipal e disse que reforçam estigmas contra a população trans.
Presidente de honra da ATTMS (Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul), Cris Stefanny disse que o grupo decidiu ocupar o imóvel por falta de função social. “Esse espaço só serviu de trampolim político até agora. Se não cumpre sua finalidade, nós damos um fim social para garantir acolhimento digno”, afirmou. Ela também criticou projetos sobre uso de banheiros por pessoas trans e disse que o tema já foi decidido por instâncias superiores.
Confira a galeria de imagens:
Homem trans e ativista, Kaique Andrade afirmou que a ocupação expõe a ausência de políticas efetivas. “Se depender do Estado, a gente não tem nada. Isso mostra o abandono e também o avanço de propostas que aumentam a vulnerabilidade da nossa população”, declarou. Ele disse que mulheres trans e travestis enfrentam maior risco de violência e ficam mais expostas.
Durante a manifestação, o grupo também criticou projeto aprovado na Câmara Municipal que trata do uso de banheiros por pessoas trans. Segundo os participantes, a proposta representa retrocesso e não apresenta dados que sustentem a medida.

Os manifestantes informaram que pretendem manter a ocupação e continuar a limpeza do espaço para iniciar o acolhimento.
O outro lado – A reportagem questionou o poder público sobre a ocupação, mas não obteve retorno no prazo estipulado de 1 hora para a publicação do texto. O espaço segue aberto para manifestação futura.
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