Conhecida por promover eventos literários, Hármor enfrentava dificuldades para se manter e mobilizou as redes
Após mobilizar leitores e frequentadores em uma grande rede de apoio, a Livraria Hármor conseguiu respirar um pouco mais aliviada em Campo Grande. A partir de uma campanha coletiva na plataforma Benfeitoria, o espaço autônomo arrecadou cerca de R$ 34 mil, com o apoio de mais de 220 pessoas, e afastou o risco de fechar as portas.
Conhecida por promover eventos literários, debates e por abrigar gratuitamente clubes de leitura, a livraria localizada na Rua Amazonas enfrentava dificuldades para se manter. Mesmo com a casa cheia em diversas atividades, o faturamento não era suficiente.
“A gente trabalha muito, faz muitos eventos, movimenta a casa, mas não estava conseguindo fazer com que a livraria pagasse as próprias contas. Muitas vezes saía do nosso bolso”, explica a sócia Bianca Resende.
O espaço, que também é comandado por Felipe Mafra e Febraro de Oliveira, funciona há quatro anos como um ponto de encontro cultural na cidade. Apesar do público fiel e engajado, a dificuldade em transformar a movimentação em vendas foi um dos principais desafios.
Bianca conta que a decisão de lançar a campanha veio após perceber que a situação não era isolada. Livrarias independentes em outras cidades também enfrentam dificuldades semelhantes, especialmente diante da concorrência com grandes plataformas online.
“A gente demorou para admitir que tinha um problema. Tentamos resolver sozinhos, mas chegou um momento em que entendemos que era legítimo compartilhar isso com a comunidade, que sempre demonstrou tanto carinho pelo espaço”, pontua.
Diferente de uma vaquinha tradicional, a campanha ofereceu recompensas aos apoiadores, como camisetas, ecobags e serviços ligados ao universo literário, como leitura crítica e revisão de textos. Segundo Bianca, a maior parte das contribuições veio da compra desses produtos e serviços.
O valor arrecadado não resolve todos os problemas, mas garante um fôlego importante. “Esse dinheiro vai permitir que a gente pague o aluguel e continue funcionando por mais um ano. É uma solução provisória, mas que traz tranquilidade para pensar nos próximos passos”, detalha Bianca.
Além da arrecadação de recursos, a campanha também abriu debate sobre hábitos de consumo. Bianca destaca que, muitas vezes, o público participa das atividades, consome no café do espaço, mas não leva livros para casa, que é a principal fonte de renda da livraria.

“A gente não cobra nada pelos eventos, tudo é gratuito. Mas é importante que exista essa consciência de que a livraria também é uma loja, que paga aluguel, imposto. Nem sempre a pessoa vai poder comprar, mas precisa ter isso em mente”, destaca.
Apesar dos desafios, ela vê com otimismo o impacto do trabalho realizado. De acordo com Bianca, ao longo dos quatro anos, a livraria ajudou a formar uma comunidade de leitores e a despertar o interesse pela leitura.
“Muitas pessoas dizem que passaram a ler mais depois que começaram a frequentar a Hármor. Quando você aproxima o público do livro, dos autores, dos debates, o interesse cresce”, finaliza.
A Livraria Hármor fica na Rua Amazonas, 1.080, no Bairro Monte Castelo.
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