Dono de loja plus size famosa vive fase terrível após febre do Mounjaro

Com tirzepatida cada vez mais acessível, setor sofre com o novo momento e menos pessoas gordas comprando Lojista mostra camiseta de tamanho extra grande. (Foto: Renan Kubota) Se antes a dificuldade era encontrar roupa que servisse, agora o problema virou acompanhar a velocidade com que os clientes estão emagrecendo. Em Campo Grande, a febre das...


Com tirzepatida cada vez mais acessível, setor sofre com o novo momento e menos pessoas gordas comprando

Lojista mostra camiseta de tamanho extra grande. (Foto: Renan Kubota)

Se antes a dificuldade era encontrar roupa que servisse, agora o problema virou acompanhar a velocidade com que os clientes estão emagrecendo. Em Campo Grande, a febre das chamadas canetas emagrecedoras tem mudado não só corpos, mas também o rumo de lojas especializadas em tamanhos grandes, e o clima, em alguns casos, já é de desespero.

Aberta há cerca de 40 anos, a tradicional loja Grande Homem, referência em moda plus size na cidade, começou a sentir o impacto há poucos meses. De lá para cá, o que era movimento constante deu lugar a um cenário bem diferente, e difícil de ignorar.

“Não foi tão legal no fim do ano, mas de lá para cá piorou. A situação está gritante, terrível”, resume a proprietária, Geovania Jardim Ribeiro, sócia da loja junto com o marido, Nilton Borges.

Dono de loja plus size famosa vive fase terrível após febre do Mounjaro
Com canetas emagrecedoras, realidade plus size tem se transformado. (Foto: Renan Kubota)

Segundo ela, a mudança veio rápida, quase da noite para o dia. Aquela história de encontrar um conhecido e perceber que ele emagreceu alguns quilos ao longo de meses ficou para trás. Agora, o susto é que de uma semana para a outra, clientes aparecem completamente diferentes.

“Hoje, praticamente todo mundo que entra aqui está tomando. Até nas fotos de WhatsApp, muitos clientes já estão com foto de perfil magros, outra pessoa”, conta.

A cena tem se repetido com frequência. Gente que vestia tamanhos maiores volta à loja semanas depois usando numeração bem menor, ou simplesmente deixa de aparecer. “Esses dias um cliente que usava calça tamanho 70 veio e já está vestindo 56 em pouco tempo. Você vê que a coisa é gritante mesmo”, reforça.

Dono de loja plus size famosa vive fase terrível após febre do Mounjaro
Loja de 40 anos vende tamanhos do 46 ao 80 e sente o mau momento. (Foto: Renan Kubota)

E não é só o emagrecimento que afeta o caixa. Quem ainda compra, leva menos. Isso porque muitos estão no meio do processo e evitam investir em roupas que logo vão perder. “Compra uma pecinha só. Sabe que vai diminuir mais”, explica.

O reflexo é direto nas vendas. Segundo os lojistas, a queda já chegou a 70%, um baque pesado para um negócio consolidado há décadas. “Assim não dá muito”, admite o sócio.

Diante disso, a incerteza começa a bater à porta. Mudar o modelo de negócio já entrou na pauta, mas não é uma decisão simples. “Tô pensando em mudar, sinceramente. Mas é difícil. São 40 anos, aluguel, toda uma história”, detalha Nilton.

Dono de loja plus size famosa vive fase terrível após febre do Mounjaro
Quem antes comprava muito, agora leva só uma peça ou deixa de voltar. (Foto: Renan Kubota)

Pioneira no segmento em Campo Grande, a loja construiu sua clientela atendendo tamanhos que vão do 46 ao 80, com peças que vão do casual ao social, incluindo roupas sob medida. Agora, vê esse público encolher, literalmente.

Dentro de casa, o alerta também já foi dado. “Meu filho falou pra eu mudar de área porque não vai ter mais pessoas gordas no mundo. E eu estou vendo que não vai ter mesmo não”, comenta Nilton.

Enquanto isso, a rotina na loja segue em meio a um cenário novo e imprevisível, em meio a tempos de emagrecimento acelerado.

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