Em 1993, ele deixou emprego de gerente de banco para se dedicar à paixão do mercado audiovisual
Há cerca de 15 anos, o que para muita gente tinha virado objeto esquecido ganhou novo significado nas mãos de Márcio Abreu, de 66 anos. Em um estúdio montado em casa, ele se dedica a “reviver” memórias que pareciam perdidas no tempo, transformando fitas VHS, cassetes, Mini DV e até películas antigas em arquivos digitais acessíveis.
O trabalho atende a uma demanda crescente de pessoas que guardaram lembranças em formatos que já não podem mais ser reproduzidos. Com o avanço da tecnologia, aparelhos como videocassetes e tocadores antigos deixaram de ser fabricados, tornando impossível assistir a registros de décadas atrás.
“Tem muita gente que tem fita em casa e nem sabe o que tem gravado ali. Não tem mais aparelho para ver, então fica tudo perdido”, comenta Márcio.
Segundo ele, a digitalização exige paciência e técnica. Márcio explica que existem dois caminhos principais. Usar uma placa de captura ligada ao computador ou transferir o conteúdo primeiro para DVD e depois converter para formatos digitais, como MP4.
No estúdio, ele utiliza diferentes equipamentos ao mesmo tempo e consegue converter até quatro fitas simultaneamente. Em poucos dias, consegue entregar grandes volumes de material.
Além das fitas mais comuns, como VHS, ele também trabalha com formatos raros, como Super 8 e Betacam, usados em produções antigas e até em emissoras de TV.
“Uma vez atendi um idoso de 84 anos que trouxe um rolo de Super 8 com imagens do próprio casamento, gravadas uns 50 anos antes. Ele nunca tinha assistido ao material e quando viu, começou a chorar. Foi algo muito emocionante”, relembra Márcio.
Ele conta que histórias assim são comuns. São pessoas que descobrem vídeos de aniversários, momentos em família e até imagens da infância das quais nem se lembravam mais. “Tem gente que traz várias e diz que não faz ideia do que tem na fita. A curiosidade é grande”, comenta.
O serviço varia conforme o formato e o tempo de gravação. Em média, a digitalização de fitas custa a partir de R$ 40 por unidade, com até duas horas de conteúdo. Já materiais mais antigos, como películas, têm valor mais alto. Um rolo pequeno de Super 8, por exemplo, pode custar cerca de R$ 100 para poucos minutos de gravação.
Confira a galeria de imagens:
“Não tem comparação com o valor emocional. As pessoas ficam muito felizes quando conseguem ver de novo”, afirma.
Do banco para o audiovisual – Antes de mergulhar de vez no universo das imagens, Márcio trabalhou por 19 anos em um banco e chegou até a ser gerente. Mas, paralelamente, tinha a fotografia como hobby e isso acabou mudando a direção de sua vida.
Foi nos anos 1990 que o interesse virou profissão. Após comprar uma filmadora, ele conta que começou a registrar festas e eventos. Tempos depois, o que era renda extra virou negócio e, em 1993, ele decidiu deixar o banco para se dedicar exclusivamente ao audiovisual. “Eu fiz isso pela paixão”, destaca.
Desde então, Márcio acumulou experiências como cinegrafista, produtor e até passou pela TV Educativa, onde trabalhou com jornalismo e projetos documentais, incluindo produções no Pantanal e gravações de aulas durante a pandemia.
Hoje, a maior parte do trabalho é na digitalização de arquivos, fazendo uma ponte entre essas gerações tecnológicas. “É um trabalho que devolve uma lembrança para a pessoa. Isso não tem preço”, finaliza.
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