Cavalgar ou andar a pé pelos nossos sertões era uma tarefa extremamente cansativa. O calor excessivo e o mato fechado dificultava qualquer viagem, ainda que curta. Os buritis formavam oásis em cuja sombra se mantinha um clima ameno e onde sempre havia água. Onde tinha buriti, era obrigatório, havia água. Só o buritizal se mantinha como protetor nos meses de dezembro e janeiro, quando o calor tremendo fazia murchar as folhas do mato.
Os frutos do buriti são grandes. Apresentam-se em cachos com cocos ovalados recobertos de escamas de cor amarela queimada. Possuem uma castanha no interior de sabor apreciável para os caboclos do passado. Elas tem sabor adocicado e dela extraiam um vinho que entendiam como nutritivo e curativo. Esses cocos eram disputados com as araras.
A madeira boa para tudo.
Dentre outras utilidades do buriti, apreciadas pelos caboclos, estava sua madeira. Era utilizada na construção de casas, mangueiros, cercas, pocilgas, cochos e bicas de água. Com as fibras faziam cordas. Com as palhas, cobriam as casas e galpões, além dos chapéus. Os buritis eram o adorno do nosso sertão. Entre Coxim e Rio Negro, existiram imensos buritizais. Estranhamente, com mesmo tipo de solo e clima, a região de Miranda e Nioaque era pobre dessas palmeiras. Coisa magnifica, verdadeira maravilha, a mais bela palmeira brasileira, desapareceu…
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