Mutirão leva serviços judiciais à comunidade quilombola Furnas do Dionísio

Pela primeira vez, ação da Justiça Federal Itinerante ocorre em território tradicional em Mato Grosso do Sul Ação da Justiça Federal realizada anteriormente em Porto Murtinho (Foto: Divulgação/TRF3) A comunidade quilombola Furnas do Dionísio, localizada na zona rural de Jaraguari, a cerca de 47 quilômetros de Campo Grande, recebe nos dias 23 e 24 de...


Pela primeira vez, ação da Justiça Federal Itinerante ocorre em território tradicional em Mato Grosso do Sul

Ação da Justiça Federal realizada anteriormente em Porto Murtinho (Foto: Divulgação/TRF3)

A comunidade quilombola Furnas do Dionísio, localizada na zona rural de Jaraguari, a cerca de 47 quilômetros de Campo Grande, recebe nos dias 23 e 24 de abril uma ação inédita de atendimento judicial e serviços de cidadania. Pela primeira vez, o mutirão do JEF (Juizado Especial Federal) Itinerante é realizado em um território quilombola no estado, ampliando o acesso da população local a direitos e políticas públicas.

A comunidade quilombola Furnas do Dionísio, em Jaraguari, a 47 km de Campo Grande, recebe nos dias 23 e 24 de abril o JEF Itinerante, mutirão inédito em território quilombola no estado. A ação do TRF3 e da Justiça Federal oferece perícias médicas, benefícios previdenciários, emissão de documentos e orientações jurídicas. A iniciativa conta com parceria de instituições como INSS, Defensoria Pública e Receita Federal.

A iniciativa é promovida pelo TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) e JFMS (pela Justiça Federal em Mato Grosso do Sul), com atendimentos das 8h às 16h, na Escola Estadual Zumbi dos Palmares. A ação integra a 12ª edição do projeto, que tem como foco levar serviços essenciais a regiões distantes ou com dificuldade de acesso.

Durante os dois dias, a população terá acesso a uma série de atendimentos judiciais e administrativos. Entre eles, estão a realização de perícias médicas, audiências, acordos e julgamentos, além da concessão de benefícios previdenciários, como aposentadoria urbana, rural e por invalidez, salário-maternidade, pensão por morte e auxílios por incapacidade temporária e assistenciais.

Também serão oferecidos serviços integrados de cidadania, como emissão e regularização de certidões de nascimento, casamento e óbito, CPF (Cadastro de Pessoa Física), título de eleitor e carteira de identidade. Na área estadual, haverá atendimentos relacionados à união estável, casamento, divórcio, exame de DNA, guarda, pensão alimentícia e reconhecimento de paternidade.

A programação inclui ainda orientações jurídicas, especialmente sobre direitos previdenciários e questões de cobrança. A proposta é facilitar o acesso da população a informações e soluções que, muitas vezes, demandariam deslocamentos até centros urbanos.

A ação resulta da parceria entre diversas instituições públicas, incluindo Defensoria Pública da União, Defensoria Pública do Estado, INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Ministério Público Federal, Prefeitura de Jaraguari, Advocacia-Geral da União, Receita Federal, Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural e Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública.

O objetivo central do projeto é fortalecer a cidadania e garantir direitos, aproximando o Poder Judiciário de populações em situação de vulnerabilidade. A iniciativa busca promover justiça social e ampliar o alcance de serviços básicos, especialmente em comunidades tradicionais.

Os interessados em participar devem apresentar documentos pessoais, como identidade, carteira de trabalho, certidões e comprovantes diversos, além de laudos médicos e outros documentos que possam comprovar o direito solicitado. No entanto, a ausência de documentação não impede o atendimento.

A comunidade de Furnas do Dionísio é uma das mais antigas e populosas do estado. Fundada na década de 1890 por Dionísio Antônio Vieira, ex-escravizado vindo de Minas Gerais, a localidade surgiu a partir da busca por terras férteis para a agricultura de subsistência. Atualmente, cerca de 450 pessoas vivem na região, em pequenos sítios e chácaras.

A economia local é baseada principalmente na produção agrícola, com destaque para derivados da cana-de-açúcar, como rapadura, açúcar mascavo e melado, além de farinha de mandioca. Também há cultivo de hortaliças, milho, tomate e banana, além da criação de animais. Parte da produção é comercializada na Central de Abastecimento de Campo Grande ou vendida diretamente a visitantes.



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