Louvação a Ogum tem fogos para orixás e feijoada servida à noite

Fogos de artifício anunciando a chegada de entidades e até feijoada completa, servida de graça e à noite. Nesta sexta-feira (25), o Lado B acompanhou uma louvação a Ogum, orixá guerreiro que está associado a São Jorge pelo sincretismo religioso. Na quinta-feira (23), fiéis celebraram o dia do orixá guerreiro, ligado à abertura de caminhos...


Fogos de artifício anunciando a chegada de entidades e até feijoada completa, servida de graça e à noite. Nesta sexta-feira (25), o Lado B acompanhou uma louvação a Ogum, orixá guerreiro que está associado a São Jorge pelo sincretismo religioso.

Na quinta-feira (23), fiéis celebraram o dia do orixá guerreiro, ligado à abertura de caminhos e conhecido como soldado valente e o senhor do ferro. Na casa de Umbanda onde Ogum é regente, o som do atabaque conduzia cantigas reverenciando guias espirituais, e pés descalços mostravam respeito ao ambiente sagrado.

No centro de um altar, montado em uma varanda simples no Jardim Sayonara, a imagem em destaque foi do cavaleiro vestido de armadura e com espada nas mãos. Na celebração, mensagens de amor se repetiam por todo o tempo e formavam um ambiente de bem-estar.

Altar para Ogum montado no centro do templo de Umbanda. (Foto: Maya Severino)
Louvação a Ogum tem fogos para orixás e feijoada servida à noite
Fé e devoção marcaram louvação a Ogum, o orixá guerreiro. (Foto: Maya Severino)

“A Umbanda é acolhimento, é união, é axé. Por isso a gente faz questão de reunir nossos filhos, de servir a feijoada e de acolher quem veio de fora com o objetivo de louvar Ogum e engrandecer o orixá. Ogum é caminho, é proteção, é quem abre as portas e defende”, explica a mãe de santo Thainá Pedrita.

Mesmo para quem não faz parte da religião, assim como esse repórter que vos escreve, é nítido que toda cerimônia gira em torno da evolução pessoal e espiritual. No início dos trabalhos, todos passaram pela defumação de ervas, em um ritual de limpeza espiritual para harmonizar o ambiente e elevar a energia.

Por volta das 20h, fogos de artifício sinalizaram a chegada das entidades. Já em terra, os espíritos deram conselhos, fizeram preces e aplicaram passes espirituais para retirar a negatividade e fortalecer a proteção de quem buscava ajuda.

Em tempos de hostilidade, a louvação a Ogum também foi mais um ato de resistência e luta contra a intolerância religiosa. “Ainda existe muito preconceito, mas aqui é exatamente o contrário do que muitos imaginam. Umbanda é paz, amor e caridade. A gente acolhe todo mundo”, destaca Stefferson.

Por volta das 22h30, a espiritualidade deu espaço à partilha da comida, com feijoada completa servida logo após os trabalhos. No espaço simples, que se tornou sagrado, a casa abriu as portas para quem quisesse participar, sem cobrar nada por isso.

“É uma comida ancestral, ligada a Ogum e às raízes africanas. A feijoada representa união, força e prosperidade. É o alimento que reúne o povo, que traz sustento e simboliza nossa história”, explica Stefferson.

Louvação a Ogum tem fogos para orixás e feijoada servida à noite
Feijoada completa foi servida a todos que participaram da festa. (Foto: Maya Severino)
Louvação a Ogum tem fogos para orixás e feijoada servida à noite
Preparação da festa foi momento de união entre membros da casa. (Foto: Maya Severino)

Segundo a mãe de santo Thainá, a feijoada começou a ser planejada muito antes de ser servida e envolveu planejamento de dias. No dia da festa, todos já estavam no terreiro às 6h da manhã.

“A gente começou desde segunda-feira porque é decoração, separação dos ingredientes, preparo da comida e também com a preparação espiritual da casa e dos filhos de santo. Tudo é feito com muito axé, com muito cuidado, porque é algo que a gente vai oferecer para as pessoas”, detalha.

Para a filha de santo Rafaela Alcântara, de 27 anos, a mais antiga da casa, a noite foi um resultado da coletividade. “Hoje não foi uma grande festa, foi uma louvação. É a união dos irmãos, dos pais de santo, das pessoas que vieram buscar ajuda. Tem gente que vem só para conversar, outras só precisam de um abraço. E as entidades estão aqui para isso, para acolher e aliviar o coração”, avalia.

O Templo de Umbanda Ogum Sete Espadas e Iemanjá fica na Rua Fernando Novas, 195, no Jardim Sayonara.

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