Ação na Escola João Cândido reúne atendimentos de saúde, documentos e apoio jurídico à população
Aos 74 anos, Ornelia Barbosa da Silva saiu de sua cidade para resolver pendências que se arrastavam há uma década. Moradora de Miranda, ela chegou a Campo Grande há três dias, hospedou-se na casa da irmã, no Jardim Anache, e, neste sábado (25), estava na fila desde as 6h para participar do Mutirão “Todos em Ação”, realizado na Escola Municipal Professor João Cândido de Souza. O objetivo era atualizar todos os documentos, incluindo a nova identidade digital e a inclusão do sobrenome do marido, após dez anos de casamento.
O mutirão Todos em Ação reuniu neste sábado, na Escola Municipal Professor João Cândido de Souza, em Campo Grande, cerca de 300 serviços gratuitos, como emissão de documentos, vacinação, atendimentos de saúde, assistência jurídica, corte de cabelo e ações culturais. Moradores como Ornelia Barbosa, Lindomar Calixto e Maria Benedita buscaram resolver pendências antigas, enquanto estudantes orientaram sobre violência doméstica. A prefeita Adriane Lopes afirmou que o projeto seguirá para outras regiões da cidade.
“Eu fui ao Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e me disseram que eu ia precisar um dia. Então chegou esse dia. Minha identidade é muito antiga, e já que tem que fazer a nova, vou mudar tudo”, contou.
Assim como Ornelia, milhares de moradores aproveitaram a 2ª edição do mutirão, que ocorre até 13h e oferece cerca de 300 serviços gratuitos. A população tem acesso a emissão de documentos, vacinação, atendimentos de saúde e orientações sociais e jurídicas. A estrutura reúne órgãos municipais, estaduais, instituições e parceiros, além de serviços como corte de cabelo, atendimento veterinário e atividades culturais e educativas.
Entre os atendimentos está o apoio jurídico que foi procurado pelo pedreiro Lindomar Martins Calixto, de 63 anos. Ele buscou orientação por causa de um problema com uma inquilina, que deixou contas de água em atraso, dívida de R$ 1,7 mil. “Durante um ano foi tudo normal, mas depois começou a cortar a água e não quer pagar. A gente conversa e ela manda resolver sozinho”, relatou. Ele também aproveitou para procurar atendimento de saúde após perceber manchas no corpo e episódios de fraqueza.
Moradora da rua ao lado da escola, Maria Benedita, de 73 anos, viu no mutirão a oportunidade de resolver diferentes demandas em um único lugar. Ela agendou exame de vista após sentir dores de cabeça frequentes e também buscou negociar uma dívida de energia elétrica, estimada em cerca de R$ 2 mil. “Quando a gente não enxerga bem, dói a cabeça, dá tontura. É muito bom poder trocar”, disse.
Além dos serviços básicos, o evento também abre espaço para ações educativas. Estudantes de Psicologia abordavam o público com orientações sobre violência doméstica, distribuindo panfletos com informações e contatos de emergência. “A gente explica que a violência não é só física, pode ser psicológica, moral, financeira. É importante divulgar para que as pessoas reconheçam e denunciem”, afirmou o acadêmico João Vitor Kotsi Santos, de 20 anos.
A prefeita Adriane Lopes (PP) destacou a dimensão do projeto e o impacto direto nas comunidades. “O Todos em Ação já é o maior projeto de voluntariado do Brasil. Hoje trouxemos 300 serviços para esta comunidade, com apoio da prefeitura, governo do Estado e parceiros. É um trabalho que melhora a vida das pessoas”, afirmou.
Segundo ela, a iniciativa será levada a outras regiões da cidade ao longo do ano. “As equipes não vão sair daqui e esquecer o bairro. Elas permanecem para identificar melhorias necessárias nas sete regiões de Campo Grande”, completou.
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