Trabalho carrega um manifesto da arte preta, LGBTQIA+ e periférica de Mato Grosso do Sul
Em uma noite rodeada por ancestralidade, afeto e resistência cultural, o cantor sul-mato-grossense Silveira Soul fez nesta sexta-feira (15) o pré-lançamento do álbum “Afroafetos”, um projeto com DNA sul-mato-grossense e força para ultrapassar as fronteiras regionais.
O cantor sul-mato-grossense Silveira Soul realizou o pré-lançamento do álbum “Afroafetos” nesta sexta-feira (15), na Casa de Cultura. O projeto, financiado pelo FMIC, mistura soul, R&B e MPB e celebra a arte preta, LGBTQIA+ e periférica de Mato Grosso do Sul. Com cinco músicas e duas poesias, o álbum estará disponível nas plataformas digitais no dia 21 de maio.
Produzido de forma independente, com financiamento do FMIC (Fundo Municipal de Investimentos Culturais), o trabalho é o primeiro álbum autoral do artista nascido em Corumbá e carrega um manifesto da arte preta, LGBTQIA+ e periférica de Mato Grosso do Sul.
“Esse álbum foi gestado por muito tempo. São cinco anos de composição, estudo, referência na minha ancestralidade e na minha vivência. Conseguir lançar isso agora é um parto mesmo, porque foi muito difícil”, definiu o cantor natural de Corumbá, que transformou sua vivência pessoal em arte e acolhimento e ganhou destaque nos principais festivais culturais do Estado.
A estreia de “Afroafetos”, na Casa de Cultura, também foi uma experiência sensorial e política. O evento reuniu referências do universo afro-brasileiro, com banhos energéticos oferecidos aos convidados, adesivos inspirados em religiões de matriz africana e uma atmosfera de celebração coletiva.
Com cinco músicas e duas poesias, o álbum mistura soul, black music, pagode baiano, R&B e MPB, com influências nacionais e sem abrir mão das vivências sul-mato-grossenses. Mesmo em um Estado historicamente dominado pelo sertanejo, Silveira vê sua trajetória como um ato de ousadia.
“Eu faço uma música popular, mas diferente do comum aqui. É claro que existe barreira, mas eu acredito no meu público e na minha arte. Fazer isso aqui é, sim, resistência”, comenta Silveira.
Além disso, o artista lembra que para além do som, o projeto nasce como um coletivo multiartístico que abraça diversas linguagens. “Hoje somos um coletivo AfroAfetos. A gente abraça nossa religião, nossa fé, nossa arte e nossas minorias. Isso é só o começo”, ressalta.
No palco, Silveira reforça a proposta de romper padrões. “Eu fujo desse estereótipo de que cantor só canta. Em África, arte é uma só. Dança, música, comida, corpo, moda, tudo é arte. É isso que quero colocar no palco”, finaliza.
A produção musical do álbum é de Ton Alves, que transformou composições inicialmente construídas em voz e violão em uma obra com músicos locais e nacionais, cheia de referências às raízes negras. “Estamos exportando um trabalho nacional. É regional na origem, mas tem potência para furar bolhas”, destacou.
O álbum Afroafetos estará disponível nas plataformas digitais no próximo dia 21 de maio.

