“Acabou com a minha família”, diz mãe após júri do assassino da filha e da neta

Familiares de Vanessa e da bebê Sophie afirmam sentir dor e saudade, apesar do sentimento de justiça feita Com camisetas brancas, a irmã e a mãe das vítimas, Wesla e Eneide (Foto: Paulo Francis) A condenação de João Augusto Borges de Almeida, de 22 anos, pelo assassinato da companheira Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e...


Familiares de Vanessa e da bebê Sophie afirmam sentir dor e saudade, apesar do sentimento de justiça feita

Com camisetas brancas, a irmã e a mãe das vítimas, Wesla e Eneide (Foto: Paulo Francis)

A condenação de João Augusto Borges de Almeida, de 22 anos, pelo assassinato da companheira Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e da filha do casal, Sophie Eugênia, de 10 meses, não foi motivo de alívio para o coração de Eneide Lima Eugênio, mãe da jovem e avó da bebê. O fim do julgamento do réu foi seguido de fortes emoções dos familiares das vítimas, no Fórum de Campo Grande.

João Augusto Borges de Almeida, de 22 anos, foi condenado a 67 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato da companheira Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e da filha do casal, Sophie Eugênia, de 10 meses, em Campo Grande. A mãe de Vanessa afirmou que nenhuma pena seria suficiente. O réu confessou os crimes e disse que não queria pagar pensão após a separação.

Após a leitura da sentença, que fixou pena de 67 anos e 6 meses de prisão por duplo feminicídio e ocultação de cadáver, a mãe de Vanessa afirmou que não há condenação suficientemente justa para o tamanho do estrago que o assassino confesso causou. “Ele acabou, né? Com a minha família”, disse. Questionada se a decisão trazia algum sentimento de alívio, respondeu de forma direta: “Não é, não”.

Ao falar sobre a filha e a neta, ela relembrou a rotina interrompida pela violência. “É muita [saudade]! Todo dia eu falava com ela, todo dia. Ela me mandava a foto da neném, eu vi o primeiro passinho, tudo. Lembro do sorriso dela quando nasceu o primeiro dentinho”, contou.

Em seguida, ao ser perguntada sobre como seguirá a vida após a perda, resumiu: “Só Deus”.

“Acabou com a minha família”, diz mãe após júri do assassino da filha e da neta
Irmã de Vanessa e tia de Sophie durante entrevista (Foto: Paulo Francis)

A irmã de Vanessa, Wesla Kenya, afirmou que a decisão do júri representa o encerramento de uma etapa do processo, mas não encerra a dor da família. “Passou uma fase, né? Não é como se a dor fosse cessar, mas já é uma resposta, é uma forma da gente ver que a justiça foi feita, graças a Deus”, disse.

Ela também afirmou sentir apenas alívio parcial com a condenação. “Uma parte sim, pelo fato de que a gente tem aquele sentimento de que ele vai pagar pelo que ele fez, traz sim um certo alívio”, declarou.

Wesla destacou ainda que pretende transformar a experiência em atenção a outros casos de violência. Segundo ela, o episódio reforçou a importância de escutar possíveis sinais de sofrimento de mulheres próximas. “Escutar mais, dar mais atenção, porque às vezes é uma amiga da gente que está ali tentando falar e a gente não escuta”, afirmou.

Ao final, ela disse que o sentimento predominante segue sendo a saudade. “Só saudade e lembranças boas”, completou.

O julgamento terminou após cerca de sete horas e confirmou a condenação de João Augusto pelos crimes cometidos em 26 de maio de 2025, quando Vanessa e a filha foram mortas e tiveram os corpos jogados e queimados em área de mata.

“Acabou com a minha família”, diz mãe após júri do assassino da filha e da neta
Família estava com camisetas pedindo justiça pelas vítimas, mas como protestos são proibidos em plenário, tiveram de ficar com as roupas do avesso até a condenação (Foto: Paulo Francis)

Relembre – Eram por volta das 23h de uma segunda-feira quando equipes da Polícia Militar foram acionadas para atender um incêndio em área de vegetação na Rua Desembargador Ernesto Borges, no Núcleo Industrial Indubrasil, em Campo Grande. No local, encontraram os corpos das vítimas em chamas.

João foi preso no dia seguinte enquanto registrava o desaparecimento das vítimas na 6ª Delegacia de Polícia Civil. Equipe da DHPP (Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa) foi ao local e fez a captura.

No depoimento em solo policial, o rapaz confessou o duplo assassinato. Ele disse que estava cansado e não existia mais “química” entre ele e a companheira. Pretendia se separar, mas não queria pagar pensão. “Eu cansei, sinceramente eu cansei do relacionamento e não queria pagar pensão”, afirmou João em gravação.

Segundo a investigação, Vanessa e a filha foram mortas pelo réu durante o horário do intervalo de almoço dele. Depois de matar as duas, o acusado voltou ao trabalho e, mais tarde, levou os corpos no porta-malas do carro até a área de mata no Indubrasil.



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