Projeto paralímpico oferece aulas gratuitas para 80 atletas em Campo Grande

A iniciativa disponibiliza treinos durante a semana no Parque Ayrton Senna e no Rádio Clube Campo Alunos e professores do projeto paralímpico na pista de atletismo do Parque Ayrton Senna (Foto: Divulgação / Prefeitura Campo Grande) Campo Grande mantém um projeto gratuito de esporte paralímpico que atende cerca de 80 pessoas com deficiência em dois...


A iniciativa disponibiliza treinos durante a semana no Parque Ayrton Senna e no Rádio Clube Campo

Alunos e professores do projeto paralímpico na pista de atletismo do Parque Ayrton Senna (Foto: Divulgação / Prefeitura Campo Grande)

Campo Grande mantém um projeto gratuito de esporte paralímpico que atende cerca de 80 pessoas com deficiência em dois polos da Capital, oferecendo atividades voltadas ao desenvolvimento esportivo, inclusão social e qualidade de vida.

Campo Grande mantém um projeto gratuito de esporte paralímpico que beneficia cerca de 80 pessoas nos polos do Parque Ayrton Senna e Rádio Clube Campo. A iniciativa oferece treinos de paratletismo e futebol PC para pessoas com deficiência a partir dos 12 anos. O programa é referência nacional, revelando talentos para as seleções brasileiras e medalhistas internacionais. Além do alto rendimento, o projeto foca na inclusão social, qualidade de vida e autonomia dos participantes.

A iniciativa disponibiliza treinos de paratletismo no Parque Ayrton Senna e futebol PC no Rádio Clube Campo.

No Parque Ayrton Senna, os treinos de paratletismo acontecem de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 10h30.

Já o futebol PC é realizado no Rádio Clube Campo, às terças e quintas-feiras, no mesmo horário. A participação é gratuita e aberta para pessoas com deficiência a partir dos 12 anos.

De acordo com a prefeitura de Campo Grande, o projeto atende pessoas com deficiência física, visual, intelectual, entre outras. Para participar, os interessados precisam procurar a equipe técnica diretamente nos locais de treino, onde são feitas as inscrições e os encaminhamentos para as atividades.

Segundo a coordenadora do Núcleo Paralímpico, Yara Yule, os resultados obtidos ao longo dos anos consolidam o projeto como referência no paradesporto nacional.

“Temos muito orgulho do trabalho desenvolvido, porque hoje contamos com atletas de destaque nacional, medalhistas e beneficiados com bolsas federal e estadual. No futebol PC, por exemplo, atualmente temos cinco atletas convocados para a seleção brasileira. Campo Grande sempre foi referência na modalidade e segue sendo um grande celeiro de talentos para o país”, afirmou.

O professor Daniel Sena, que atua há sete anos no projeto, destaca que o trabalho desenvolvido vai além da preparação para competições. De acordo com ele, o programa atende desde a iniciação esportiva até o alto rendimento dentro do paratletismo da Funesp (Fundação Municipal de Esportes).

“Trabalhamos todos os grupos: corrida, salto, arremessos, lançamentos e também a Petra, tricicleta utilizada por atletas com paralisia cerebral”, explicou. “O objetivo é atender a pessoa com deficiência, independentemente dela chegar ao alto rendimento ou não. Mesmo assim, temos revelado diversos atletas e nos tornado referência”.

Entre os destaques citados pelo professor está Audrey Gonzaga, atleta da modalidade Petra, apontado atualmente como o sétimo melhor do mundo e o terceiro do Brasil. Além dele, a atleta Hávilla Vitória integra a seleção brasileira, enquanto o projeto soma cinco convocados para a seleção paralímpica.

Um dos talentos revelados pela iniciativa é Bruno Alves, de 16 anos, atleta da modalidade de baixa visão. Ele começou no atletismo aos 12 anos, após ser incentivado pelo professor Daniel Sena.

“Antes do paratletismo eu tinha dificuldades na escola, não era valorizado e sofria humilhações por causa da deficiência. Em 2023 disputei meu primeiro Campeonato Brasileiro e fiquei em segundo lugar. Desde 2024 todas as minhas medalhas têm sido de primeiro lugar”, relatou.

Em 2025, Bruno foi pré-convocado para o Parapan-Americano no Chile, representou o Brasil e conquistou medalha nos 100 metros.

Projeto paralímpico oferece aulas gratuitas para 80 atletas em Campo Grande
Atleta Audrey Gonzaga, de 22 anos, que disputa competições de atletismo na modalidade Petra (Foto: Divulgação / Prefeitura de Campo Grande)

Para Audrey Gonzaga, de 22 anos, o esporte significou uma mudança completa de trajetória. “Foi um divisor de águas. Antes eu era desacreditado e não tinha muitos planos. Agora tenho mais autonomia, confiança e objetivos. O esporte é a minha vida e meu sonho é chegar aos Jogos Paralímpicos”, afirmou.

A atleta Hávilla Vitória Soares, de 20 anos, da classe T12, também relata impactos positivos dentro e fora das pistas. “Antes eu era tímida, muito triste e me sentia sozinha. Hoje convivemos com mais pessoas, criamos vínculos e conseguimos enxergar a nossa capacidade. O esporte traz força, potência e mostra que somos capazes”, destacou.

O projeto reforça o compromisso de Campo Grande com a inclusão social, o acesso gratuito ao esporte e a valorização de atletas que representam a cidade em competições nacionais e internacionais.



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