“Olheiro” diz que detento mandou executar adolescente por vingança

Garoto teria baleado interno do sistema prisional em outra ocasião; jovem de 17 anos também foi ferido Rafael dos Santos Rui, de 31 anos, foi preso em flagrante suspeito de monitorar um adolescente de 13 anos antes de uma tentativa de execução em Campo Grande. O crime ocorreu na Rua Catiguá, no Bairro Paulo Coelho...

Garoto teria baleado interno do sistema prisional em outra ocasião; jovem de 17 anos também foi ferido

Rafael dos Santos Rui, de 31 anos, foi preso em flagrante suspeito de monitorar um adolescente de 13 anos antes de uma tentativa de execução em Campo Grande. O crime ocorreu na Rua Catiguá, no Bairro Paulo Coelho Machado. A vítima foi baleada e está em estado gravíssimo no CTI. Rafael, que usa tornozeleira eletrônica, teria agido a mando de um detento que queria vingança contra o adolescente.

Preso em flagrante por envolvimento na tentativa de execução de um adolescente de 13 anos, Rafael dos Santos Rui, de 31 anos, afirmou à PM (Polícia Militar) que recebeu ordem de um detento para localizar a vítima e confirmar sua presença no local antes do ataque. Segundo ele, o crime seria motivado por um acerto de contas.

O atentado ocorreu na tarde de terça-feira (16), na Rua Catiguá, no Bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande. A vítima estava em frente a uma conveniência, acompanhada de outro adolescente de 17 anos, quando dois homens chegaram em uma motocicleta azul e abriram fogo. Um vídeo registrou a ação.

Durante a investigação, ficou apontado que Rafael esteve no local em uma Honda Biz branca, usando camiseta amarela, momentos antes da chegada dos atiradores e perguntou pelo paradeiro do garoto. Segundo a polícia, ele monitorou a movimentação da vítima e repassou as informações aos executores.

O homem usava tornozeleira eletrônica, o que ajudou na identificação. Ele foi localizado momentos depois no Bairro Guanandi e, ao ser abordado, confessou que foi até a conveniência a mando de um detento do sistema prisional.

Em depoimento, Rafael contou que o interno queria vingança porque teria sido baleado pelo adolescente em outra ocasião. Apesar disso, alegou não conhecer os autores dos disparos. Ele foi preso em flagrante. Um outro homem foi reconhecido por testemunhas como atirador, mas ainda não foi encontrado.

Outra versão

Em depoimento ao delegado Felipe Madeira, Rafael apresentou outra versão e negou que estivesse atuando como “olheiro” para os atiradores. Segundo ele, a ida até o local do atentado foi apenas para comprar drogas a pedido de um conhecido identificado como “Henri”, a quem disse ter uma dívida antiga.

“Ele me ligou e falou: ‘Vai ali e vê se a biqueira tá ativa’. Eu fui de inocente fazer um favor para o cara porque estava devendo uma consideração das antigas”, afirmou.

Rafael contou que é usuário de entorpecentes e disse ter ido ao ponto de venda para comprar skunk. Depois, ligou para o conhecido para avisar que o local estava funcionando, mas negou que soubesse quem eram os adolescentes ou que tivesse fotos de ambos;

“Ele nunca falou o nome de ninguém para mim. Só pediu para ver se a boca estava aberta”, alegou.

O suspeito afirmou ainda que, após comprar a droga, foi até outro ponto para consumir o entorpecente com conhecidos e, em seguida, voltou para a conveniência onde trabalha com a esposa, onde acabou sendo abordado por policiais.

Durante o interrogatório, Rafael também acusou os policiais de agressão física para forçá-lo a confessar participação no crime e indicar os autores dos disparos. Além disso, tentou reforçar a própria versão dizendo ter limitações físicas que, segundo ele, inviabilizariam qualquer atuação em uma fuga armada.

“Eu tenho problema na perna, não consigo nem pilotar moto direito. Ando de bicicleta no dia a dia”, declarou.

Caso 

Segundo o boletim de ocorrência, a vítima estava em frente a um comércio na Rua Catiguá acompanhada de um adolescente de 17 anos, quando dois homens em uma motocicleta azul se aproximaram. Ambos desembarcaram armados – um com revólver e outro com uma pistola de carregador prolongado – e efetuaram diversos disparos.

A vítima correu para se abrigar nos fundos de um imóvel na Rua Valinhos, onde caiu baleada nos ombros e na perna. Ela foi socorrida por populares e transferida para a Santa Casa, onde está em estado gravíssimo no CTI (Centro de Terapia Intensiva) pois teve o pulmão perfurado.



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