Criminosos têm usado aplicativos de entrega para atrair clientes e desviá-los para conversas no WhatsApp, onde solicitam pagamentos via Pix fora da plataforma. Uma professora de 34 anos, moradora de Campo Grande, relata ter perdido R$ 47 na noite desta sexta-feira (26) após seguir as orientações de uma suposta loja cadastrada no iFood.
Uma consumidora de 34 anos perdeu R$ 47 ao cair em um golpe aplicado por criminosos que usam o iFood para atrair vítimas e desviá-las para o WhatsApp, onde solicitam pagamentos via Pix fora da plataforma. O esquema consiste em simular problemas na entrega para convencer o cliente a cancelar o pedido no aplicativo e refazê-lo diretamente com a suposta loja. O iFood orienta que pagamentos fora da plataforma nunca devem ser realizados.
Essa sugestão foi feita pelo canal Direto das Ruas.
Segundo a cliente, o pedido foi realizado normalmente pelo aplicativo. Pouco depois, a loja informou pelo chat que o motoboy havia furado o pneu e pediu que ela continuasse o atendimento por um número de WhatsApp, para onde também deveria enviar a localização.
Na conversa, os supostos atendentes orientaram a consumidora a cancelar o pedido no aplicativo e refazer a compra diretamente com a loja. Em seguida, enviaram uma chave Pix e solicitaram o pagamento no mesmo valor cobrado pelo iFood, além do comprovante da transferência. A promessa era concluir a entrega após a confirmação.
A cliente fez a transferência do valor, mas o pedido nunca chegou. Ao conferir as informações da loja, percebeu inconsistências entre o endereço informado, o CNPJ cadastrado e a chave Pix utilizada para receber o pagamento.

“Você manda a localização. Quase no final do prazo, eles falam que o motoboy furou o pneu. Depois, propõem cancelar no iFood e fazer o pedido normalmente pelo WhatsApp. Pedem para mandar o Pix e o comprovante no mesmo valor do aplicativo. Quando você confere, não tem nada a ver”, relatou.
Após pesquisar sobre o caso, ela encontrou relatos semelhantes em outros estados e decidiu procurar o Campo Grande News para alertar outros consumidores.
“Quando fui pesquisar, vi que é um golpe comum em outros estados, mas ainda não tinha visto divulgação em Campo Grande. Temos que alertar antes que mais pessoas caiam”, afirmou.
A consumidora conta que procurou o atendimento do iFood logo após perceber que havia sido enganada, mas diz que não conseguiu resolver o problema.
“Preciso fazer um boletim de ocorrência e pedir a devolução pelo banco por causa de R$ 47. Dois chats foram finalizados sem um retorno que realmente resolvesse a situação”, disse.
O outro lado – A reportagem procurou o iFood para comentar o caso e questionou quais medidas a empresa adota para identificar lojas suspeitas e evitar esse tipo de fraude, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.
Em orientações publicadas no site oficial, o iFood alerta que clientes nunca devem realizar pagamentos por Pix ou qualquer outro meio fora da plataforma. A empresa também recomenda não compartilhar códigos de confirmação nem migrar negociações para canais externos, como o WhatsApp. Em caso de suspeita de fraude, a orientação é interromper o contato e acionar o suporte exclusivamente pelo aplicativo.
Como evitar o golpe
- Nunca faça pagamentos por Pix para concluir pedidos feitos pelo aplicativo.
- Desconfie quando uma loja pedir para continuar o atendimento pelo WhatsApp ou cancelar a compra para refazê-la fora da plataforma.
- Confira as informações do estabelecimento antes de concluir qualquer negociação.
- Em caso de suspeita, interrompa a conversa e procure o suporte oficial do aplicativo.
- Se houver prejuízo financeiro, registre boletim de ocorrência e comunique imediatamente a instituição bancária.
