Modelo acaba e antigas incubadoras viram prédios vazios e depredados

Prefeitura diz que prédios deverão ser reaproveitados por outras secretarias municipais Abandonada, incubadora do Santa Emília está com vidraça quebrada e mato alto (Foto: Sofia Lupaes) Prédios que já abrigaram atendimentos a MEIs (Microempreendedores Individuais) e cursos de capacitação estão hoje desocupados e sem uso. Em Campo Grande, das quatro incubadoras municipais, apenas uma segue...


Prefeitura diz que prédios deverão ser reaproveitados por outras secretarias municipais

Abandonada, incubadora do Santa Emília está com vidraça quebrada e mato alto (Foto: Sofia Lupaes)

Prédios que já abrigaram atendimentos a MEIs (Microempreendedores Individuais) e cursos de capacitação estão hoje desocupados e sem uso. Em Campo Grande, das quatro incubadoras municipais, apenas uma segue ocupada. Segundo a prefeitura, o modelo de incubação física perdeu a finalidade diante da migração dos negócios para o ambiente digital, e os imóveis estão sendo cedidos a outras secretarias para novo uso.

Das quatro incubadoras municipais de Campo Grande, três estão abandonadas, com vidraças quebradas, mato alto e sinais de depredação. A Prefeitura justifica o fechamento pela migração dos negócios para o ambiente digital e afirma que os imóveis serão cedidos a outras secretarias, como Saúde e Assistência Social. Não há previsão de reativação do modelo físico, mas as Salas do Empreendedor serão mantidas nos quatro prédios.

Na manhã desta segunda-feira (13), a reportagem do Campo Grande News visitou os quatro imóveis. No Bairro Estrela Dalva, a Incubadora Francisco Giordano Neto, que atendia o segmento de tecnologia, foi encontrada com porta quebrada e mato alto.

Na entrada, há uma placa desbotada com informações sobre uma reforma que deveria ser realizada no local. O prazo para execução era de 90 dias, com valor de R$ 696.608,59. No entanto, não há registro da data de início da obra.

Modelo acaba e antigas incubadoras viram prédios vazios e depredados
Bernadete acompanhou as atividades e o fechamento da incubadora no Mário Covas (Foto: Sofia Lupaes)

No Bairro Mário Covas, o cenário também é de abandono. As portas de vidro estão quebradas e o balcão e o forro da recepção aparentam danos, mesmo após reforma realizada em 2023. O mato alto toma conta do terreno ao lado da USF (Unidade de Saúde da Família) do bairro.

Moradora da região há três anos, a universitária Rafaela da Silva, de 25 anos, afirma que nunca viu o local em funcionamento. “Quando mudamos para cá, minha mãe ficou feliz ao ver a incubadora, porque sempre quis abrir o próprio negócio. Mas nunca vimos esse espaço aberto e agora ele começou a ser depredado”, relata.

Segundo a líder comunitária do Bairro Mário Covas, Bernadete de Freitas, de 61 anos, a situação motivou a elaboração de um ofício que será encaminhado ao senador Nelsinho Trad. A intenção é solicitar emenda parlamentar, já que a incubadora foi inaugurada durante a gestão dele.

“Aqui os vândalos acabaram com tudo, está tudo destruído. O posto de saúde ao lado também tem sido alvo de furtos constantes. A população me cobra, mas a gente não sabe nem que caminho seguir”, afirma.

Modelo acaba e antigas incubadoras viram prédios vazios e depredados
Antes de ser fechada, a incubadora passou por reforma em 2023 (Foto: Sofia Lupaes)

Antes de ser fechado, o espaço atendia empresas do ramo têxtil e oferecia cursos à comunidade. “Tinha tudo e, de repente, acabou. É de dar dó. Hoje atendo moradores na minha casa porque não temos Centro Comunitário. Já cheguei a pedir uma sala aqui, mas, do jeito que está, nem quero mais”, completa.

Bernadete relata ainda que, na última tentativa de buscar solução, foi informada de que o prédio teria sido repassado à Semed (Secretaria Municipal de Educação). Pouco depois, disse ter recebido a informação de que o local pode se tornar uma casa de apoio a imigrantes.

A incubadora em situação mais crítica é a do Bairro Santa Emília. Da calçada, é possível ver vidros quebrados e o portão aberto. Em 2023, foi publicado no Diogrande contrato de R$ 435,5 mil para reforma do prédio, que deveria ser executada pela empresa BML Produtos e Serviços Ltda.

O comerciante Dilso Lima, de 63 anos, afirma que o imóvel está abandonado há cerca de cinco anos. “Quebraram tudo, não sobrou nada lá dentro. Alunos entram e depredam. É ridículo, porque gastaram mais de R$ 400 mil numa reforma que não aconteceu”, critica.

Modelo acaba e antigas incubadoras viram prédios vazios e depredados
Dilso tem comércio em frente a incubadora do Santa Emília (Foto: Sofia Lupaes)

A incubadora Norman Edward Hanson atendia o segmento de produtos alimentícios. Durante o período de funcionamento, Dilso lembra de atividades no local. “Tinha cursos, pessoal vendia mel e outros produtos. Funcionava bem”, diz.

No Bairro Zé Pereira, a última incubadora visitada é a única ainda ocupada. Embora não funcione mais como incubadora, o prédio abriga o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) desde janeiro deste ano.

Na recepção, uma servidora informou que não poderia conceder entrevista, mas confirmou que o espaço está sob responsabilidade da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). Segundo ela, o local ainda mantém ativa a sala do empreendedor.

Em nota, a Prefeitura de Campo Grande informou que, por conta da migração dos negócios para o comércio eletrônico, o modelo de incubação física perdeu a finalidade. Para evitar o abandono e garantir melhor aproveitamento dos imóveis, o município afirmou que realiza a cessão de direito de uso dos prédios para outras secretarias.

Modelo acaba e antigas incubadoras viram prédios vazios e depredados
No Zé Pereira, CRAS que ocupa incubadora manteve funcionando a sala do empreendedor (Foto: Sofia Lupaes)

Segundo a administração municipal, as unidades dos bairros Santa Emília e Mário Covas já tiveram a cessão oficializada, enquanto Estrela Dalva e Zé Pereira estão em fase final de documentação. Detalhes sobre quem passará a administrar cada imóvel foram cobrados pela reportagem que aguarda retorno.

No caso do prédio do Zé Pereira, o espaço está em fase final de regularização para formalizar o uso pelo CRAS, como foi citado na reportagem anteriormente.

Os imóveis deverão atender demandas da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) e da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). As secretarias responsáveis pelos imóveis também ficarão encarregadas das reformas e da manutenção, segundo a prefeitura.

A prefeitura também informou que não há previsão de reativação das incubadoras físicas nem de implantação de novas estruturas nesse formato.  Apesar do fim do modelo, o município afirmou que as Salas do Empreendedor serão mantidas nos quatro prédios, garantindo apoio técnico e digital descentralizado aos empreendedores.

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