Ministério Público abriu procedimento após denúncia sobre ocorrências nos trechos
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu procedimento administrativo para acompanhar medidas da Prefeitura de Campo Grande contra acidentes nos corredores de ônibus das ruas Brilhante e Rui Barbosa. A prefeitura e a Agetran têm 30 dias para apresentar dados e ações adotadas. Entre 2019 e 2025, foram registrados 896 acidentes na Rui Barbosa e 710 na Brilhante.
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu procedimento administrativo para acompanhar as medidas adotadas pela Prefeitura de Campo Grande contra acidentes nos corredores de ônibus e pontos de parada das ruas Brilhante e Rui Barbosa. A apuração deverá verificar se as ações anunciadas pelo município reduziram os riscos e se as medidas de segurança funcionam na prática.
O procedimento foi instaurado em 20 de junho pela 42ª Promotoria de Justiça de Campo Grande. A portaria foi publicada nesta sexta-feira (24) no Diário Oficial da Justiça.
A promotora Andréia Cristina Peres da Silva determinou que o município informe, no prazo de 30 dias, quais providências estão atualmente em execução para reduzir os acidentes nos dois corredores. A resposta deverá ser acompanhada de documentos que comprovem as intervenções.
A Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) também terá 30 dias para apresentar dados atualizados e comparativos sobre os acidentes registrados antes e depois da implantação dos corredores.
O órgão municipal deverá ainda detalhar as medidas adotadas para enfrentar riscos já apontados em relatórios técnicos e informar o cronograma de ações que ainda não foram concluídas.
O BPMTran (Batalhão de Polícia Militar de Trânsito) foi chamado a fornecer estatísticas atualizadas, com indicação de acidentes com vítimas graves ou fatais e eventual análise sobre as causas predominantes.
A abertura do procedimento administrativo representa uma nova etapa de uma apuração iniciada em 2025. Naquele ano, o MPMS recebeu uma manifestação sigilosa questionando a localização das plataformas de embarque instaladas no meio das duas vias e apontando a ocorrência de acidentes, especialmente com motociclistas.
A reclamação foi registrada inicialmente como notícia de fato em setembro de 2025. A promotoria pediu à prefeitura os estudos técnicos que fundamentaram a localização das estações e informações sobre medidas de redução dos riscos.
A resposta demorou cerca de três meses e foi enviada em dezembro. A Agetran apresentou um relatório sobre o projeto dos corredores e uma análise de acidentes registrados entre 2019 e 2025.
O levantamento contabilizou 896 acidentes na Rua Rui Barbosa e 710 na Rua Brilhante durante o período. A própria análise, porém, inclui anos anteriores à implantação dos corredores e não permite, isoladamente, concluir se as novas estruturas aumentaram ou reduziram o número de ocorrências.
Segundo o relatório municipal, a falta de atenção foi apontada como fator predominante em aproximadamente 71% dos registros na Rui Barbosa e 69% na Brilhante. A Agetran sustentou que problemas de infraestrutura tiveram baixa incidência nas ocorrências e atribuiu a maior parte dos casos ao comportamento dos condutores.
A promotoria considerou as informações insuficientes para demonstrar a efetividade das ações de segurança. Em despacho de janeiro, afirmou que faltavam detalhes sobre reforço da fiscalização, monitoramento do tráfego e avaliação técnica da sinalização. Também cobrou provas de que as recomendações apresentadas pela própria equipe municipal haviam sido colocadas em prática.
Agora, o novo procedimento deverá manter esse acompanhamento de forma contínua, em vez de apenas analisar a denúncia original. A intenção é confrontar as medidas anunciadas pela prefeitura com a evolução dos acidentes nos dois trechos.
Acidentes – Os corredores das ruas Brilhante e Rui Barbosa já foram cenário de sucessivas colisões registradas pelo Campo Grande News.
Em novembro de 2023, imagens de uma câmera de segurança mostraram cinco acidentes ocorridos em apenas três meses atrás de uma estação da Rua Brilhante. As batidas foram registradas entre setembro e novembro daquele ano.
Na Rua Rui Barbosa, inaugurada com o corredor no fim de 2022, manobras irregulares de conversão à esquerda aparecem com frequência entre as circunstâncias dos acidentes. Em março deste ano, uma caminhonete que estava na faixa central tentou cruzar o corredor e foi atingida por um automóvel. Ninguém ficou ferido.
Quatro dias depois, um motociclista ficou ferido ao atingir uma picape cujo motorista também tentava entrar em um estabelecimento fazendo a conversão a partir da faixa central.
A orientação da Agetran é que o motorista entre no corredor somente na quadra em que realizará a conversão ou acessará um imóvel. A manobra não deve ser iniciada diretamente da faixa central, cruzando a pista reservada aos ônibus.