Permissão vale por 12 meses e abrange trechos não pavimentados em Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas
Os hexatrens utilizados pela Suzano no transporte de madeira foram autorizados a circular, em caráter experimental, por seis trechos de rodovias estaduais de Mato Grosso do Sul. Até agora, as composições, formadas por um caminhão-trator e seis semirreboques, trafegavam somente em estradas dentro das fazendas de eucalipto da empresa.
A Senatran autorizou, por 12 meses, a circulação experimental de 41 hexatrens da Suzano em trechos não pavimentados de rodovias estaduais de Mato Grosso do Sul, em Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas. Os veículos, usados no transporte de madeira, só poderão trafegar nas rotas definidas, sem comboio e com distância mínima de 300 metros. A empresa responderá por danos e deverá apresentar estudos e relatórios técnicos.
A autorização consta na Portaria nº 571, publicada nesta segunda-feira (27) pela Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) no Diário Oficial da União. A permissão vale por 12 meses e abrange trechos não pavimentados em Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas.
Segundo a portaria, o experimento tem como objetivo reunir informações técnicas e operacionais para a análise da inovação veicular e subsidiar futuros estudos de regulamentação. As configurações autorizadas ainda não estão previstas entre as combinações de veículos homologadas nacionalmente.
A circulação poderá ocorrer nos dois sentidos das vias. Os veículos poderão seguir vazios em direção às áreas florestais e retornar carregados para a unidade industrial da Suzano.
O Campo Grande News procurou a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) e a Suzano para falar sobre a autorização e aguarda as manifestações.
Autorização contempla 41 caminhões

A portaria relaciona individualmente 41 caminhões Volvo FM 540 autorizados a participar da operação experimental. São 25 veículos com configuração 6×4, acoplados a semirreboques de dois eixos, e 16 caminhões com configuração 6×6, que utilizarão semirreboques de três eixos.
A permissão não se estende automaticamente a todos os hexatrens da empresa. Somente os veículos identificados no documento por placa e número de chassi poderão participar dos testes.
Os trajetos abrangem a MS-357, a MS-338, dois trechos da MS-456 e a MS-340, em Ribas do Rio Pardo, além da MS-459, em Três Lagoas. A Senatran delimitou os pontos iniciais e finais de cada percurso por coordenadas geográficas.
A circulação dependerá da anuência do órgão responsável por cada via. A portaria também determina que as composições com pesos e dimensões superiores aos limites nacionais obtenham a concordância dos órgãos rodoviários, para que seja verificada a compatibilidade da infraestrutura.
Os hexatrens não poderão trafegar em vias públicas pavimentadas nem circular em comboio. As composições deverão manter distância mínima de 300 metros entre si, medida entre o último semirreboque do veículo da frente e o caminhão-trator seguinte.
Hexatrens já operavam dentro das fazendas
A publicação da portaria não representa o início da utilização dos hexatrens pela Suzano. Conforme informações divulgadas pela Volvo, a empresa adotou esse tipo de composição em 2019, inicialmente na unidade de Três Lagoas.
Em comunicado publicado em 2021, a fabricante informou que os conjuntos utilizados naquele período tinham 54 metros de comprimento e transportavam até 200 toneladas de toras de eucalipto por viagem. Segundo a Volvo, o ganho de produtividade chegava perto de 30% em relação ao pentatrem, com cinco implementos, e a quase 130% na comparação com o tritrem.
Em outubro de 2024, a Volvo anunciou que 14 novos hexatrens FMX 6×6, equipados com motor de 540 cavalos, já estavam em operação para abastecer a fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo. A unidade foi implantada por meio do Projeto Cerrado, que recebeu investimento de R$ 22,2 bilhões.

De acordo com o comunicado, as novas composições, considerando o cavalo mecânico e os implementos, possuem 60 metros de comprimento, um metro a mais que os modelos anteriores utilizados naquela operação.
Segundo a Volvo, a nova configuração permitiu aumento de 25% na capacidade máxima em relação à versão anterior, de 200 toneladas. Os veículos foram desenvolvidos com CMT (Capacidade Máxima de Tração) de até 250 toneladas.
O incremento foi obtido com reforços nos eixos, longarinas duplas e a instalação de um eixo dianteiro com tração. Segundo a fabricante, as alterações ampliaram a capacidade de tração e reduziram o risco de paralisações provocadas por patinação em operações severas, como o transporte florestal.
Com a aquisição anunciada em 2024, a Suzano passou a somar 47 hexatrens Volvo FMX distribuídos por diferentes operações. A fabricante ressaltou, entretanto, que os veículos trafegavam somente dentro das fazendas de eucalipto. A novidade da Portaria nº 571 é a autorização para que caminhões selecionados passem a circular em trechos de rodovias públicas estaduais não pavimentadas.
O ato da Senatran não informa o peso, o comprimento nem a carga máxima que será admitida durante os testes nas vias públicas. Portanto, embora a Volvo tenha divulgado composições de 60 metros e com CMT de até 250 toneladas, a portaria não confirma que os veículos poderão utilizar toda essa capacidade nos trechos estaduais.
Suzano responderá por eventuais danos
Durante o período experimental, a Suzano será responsável por eventuais danos causados pela circulação dos veículos nas vias públicas. A empresa também deverá adotar medidas para reduzir riscos e impactos sobre a infraestrutura dos trechos autorizados.

Em até 30 dias após a publicação da portaria, a companhia deverá apresentar à Senatran, com a anuência do órgão responsável pelas vias, um estudo técnico inicial sobre a capacidade estrutural e geométrica dos trajetos.
O levantamento deverá avaliar a infraestrutura ao longo das rotas, incluindo pontes, bueiros e outras estruturas existentes, para verificar a compatibilidade dos trechos com a circulação das composições. Os testes poderão começar antes da apresentação do estudo, desde que exista anuência do órgão responsável pela via.
A Suzano também terá de encaminhar relatórios técnicos trimestrais à Senatran. Os documentos deverão reunir dados operacionais, informações de telemetria, desempenho dos veículos, ocorrências, acidentes, colisões, infrações, histórico de manutenção e condições de trafegabilidade das estradas.
Os relatórios ainda deverão apontar eventuais medidas corretivas, dificuldades, vantagens e avaliações de desempenho observadas durante o experimento.
As composições terão de portar identificação nas laterais e na traseira, com a inscrição “Veículo em teste”. Somente técnicos, engenheiros da Suzano ou pessoas autorizadas por eles poderão conduzir ou ocupar os veículos.
A autorização poderá ser revogada a qualquer momento em caso de descumprimento das exigências. A circulação também deverá ser interrompida se os estudos não forem aprovados ou apontarem a inviabilidade da operação em vias públicas.