A avaliação predominante entre políticos aliados é de que o senador Nelsinho Trad (PSD) tomou decisão difícil e pessoal ao desistir da reeleição para ocupar a primeira suplência de Reinaldo Azambuja (PL), mas fez uma escolha que fortalece o grupo político. Para os entrevistados, uma candidatura não se sustenta de forma individual e depende de um projeto coletivo.
O senador Nelsinho Trad (PSD) desistiu da reeleição ao Senado para assumir a primeira suplência de Reinaldo Azambuja (PL), decisão avaliada por aliados como estratégica para fortalecer o grupo político de apoio ao governador Eduardo Riedel (PP). A mudança foi anunciada após ficar inviável acomodar três candidatos ao Senado na mesma coligação, que já conta com Azambuja e Capitão Contar pelo PL.
Essa foi a impressão dos políticos ouvidos pelo Campo Grande News durante a mega-convenção realizada na manhã deste sábado (1º), no Bairro Cidade Jardim, em Campo Grande. O encontro reúne PL, PP, União Brasil, PSDB, MDB, Podemos e Republicanos para confirmar a candidatura à reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).
O presidente da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), Gerson Claro (PP), afirmou que a trajetória política de Nelsinho e a impossibilidade de acomodar três candidaturas ao Senado dentro da mesma coligação pesaram na escolha. A chapa entra na disputa com Reinaldo Azambuja e Renan Contar, os dois pelo PL.
Segundo ele, o senador poderia ter seguido por uma candidatura separada, mas preferiu permanecer no grupo que sustenta o projeto de reeleição de Riedel.
“Nós, quando temos um projeto e um propósito, temos que olhar para o coletivo. O coletivo é mais importante do que o individual. Não podemos fazer política olhando para o umbigo e achando que, sozinhos, construímos alguma coisa”, afirmou.
Gerson comparou a decisão de Nelsinho a movimentos que ele próprio já precisou fazer, ao também desistir da candidatura ao Senado.
O deputado estadual Pedro Caravina (PSDB) também classificou a escolha como uma decisão pessoal com efeito direto sobre o conjunto de aliados. Ele avaliou que Nelsinho enfrentaria dificuldades para manter uma campanha isolada, já que sempre esteve politicamente próximo do grupo de Riedel.
“Foi uma decisão difícil, ele mesmo falou isso, mas acho que foi uma decisão acertada. Campanha política você não consegue fazer individualmente, tem que fazer com o grupo”, declarou.
Para Caravina, a legislação eleitoral criou uma situação em que Nelsinho precisaria escolher entre disputar sozinho pelo PSD ou participar da chapa como suplente. Ao aceitar a segunda alternativa, continuaria envolvido na campanha majoritária e no projeto estadual do grupo.
A deputada federal Rose Modesto (União Brasil) considerou que o recuo deve ser tratado como uma escolha pessoal do senador. Ela disse não ter conversado diretamente com Nelsinho, mas avaliou, com base na nota divulgada por ele, que a intenção foi preservar a lealdade aos aliados e seguir colaborando com o projeto.
“Ele continua contribuindo como primeiro suplente. Pelo que vi na nota, é uma decisão para manter a lealdade com o grupo que ele já vinha acompanhando”, disse.
Rose também mencionou a participação da direção nacional do PSD na definição. Ao oficializar a desistência, Nelsinho informou que a mudança estava ligada à estratégia partidária e à manutenção da aliança estadual.
O deputado federal Dagoberto Nogueira (PP) analisou a mudança pelo efeito eleitoral sobre a candidatura de Reinaldo. Para ele, a entrada de Nelsinho na suplência deixa a chapa mais competitiva e ainda provoca reflexos no campo adversário, onde Fábio Trad, irmão do senador, concorre ao governo do Estado. “Acho que foi uma jogada de mestre do Reinaldo”, afirmou.
Na avaliação dele, o senador acrescenta estrutura política, experiência e capilaridade à candidatura do ex-governador.
O deputado estadual Eduardo Rocha (PSDB) fez uma leitura semelhante. Para ele, Reinaldo sai fortalecido da negociação, porque Nelsinho vinha sendo tratado como um dos nomes competitivos na disputa pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado. “Acho que o Reinaldo se fortalece mais ainda, com uma chapa muito forte”, resumiu.
O ex-deputado federal pelo mesmo estado e ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Carlos Marun (MDB), foi a única voz dissonante. Afirmou que não recebeu com satisfação a desistência, pois retira da disputa uma opção eleitoral de centro em Mato Grosso do Sul. “Ficamos com menos uma opção de voto”.
Recuo – Nelsinho oficializou na noite de sexta-feira (31) a desistência da tentativa de renovar o mandato no Senado. Ele será o primeiro suplente de Reinaldo Azambuja, uma das duas candidaturas apresentadas pelo PL. A outra vaga será disputada por Capitão Contar.
O acordo foi construído depois que ficou claro que não haveria espaço para três candidatos ao Senado dentro da mesma coligação. A alternativa seria o PSD lançar Nelsinho de forma isolada, afastado da estrutura política reunida em torno de Riedel, hipótese considerada pouco estratégica pelos aliados.
Ao aceitar a suplência, Nelsinho manteve o PSD ligado ao grupo governista e evitou uma divisão entre aliados. A decisão encerrou um dos principais impasses da montagem da chapa majoritária.
O mandato atual de Nelsinho termina em fevereiro de 2027. Ele afirmou que continuará exercendo a função até o fim e apresentou o recuo como uma forma de preservar a unidade política construída em torno do atual governador.
O ex-governador André Puccinelli (MDB) foi o mais econômico nas avaliações. Sem entrar nas consequências eleitorais da mudança, admitiu que ainda tentava assimilar a notícia. “A única coisa que posso dizer agora, é que fiquei muito surpreso. Ainda não caiu a minha ficha. Fiquei surpreso, fiquei estarrecido”, afirmou.