CBV determinou que atletas trans terão de cumprir novo critério genético para competir
AVQ (Associação do Vôlei de Quadra de Campo Grande) manifestou apoio nesta segunda-feira (17) à jogadora Tifanny Abreu, de 41 anos, primeira mulher trans a disputar a Superliga Feminina. O posicionamento ocorreu depois que a CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) adotou critérios que impedem atletas transexuais de competir em determinados torneios femininos nacionais.
A AVQ (Associação do Vôlei de Quadra de Campo Grande) manifestou apoio à jogadora trans Tifanny Abreu, 41 anos, após a CBV adotar critérios genéticos que impedem atletas transexuais de competir em torneios femininos nacionais a partir de 2026. A entidade sul-mato-grossense, que forma o primeiro time de mulheres trans do estado, destacou a jogadora como referência. Tifanny, primeira mulher trans na Superliga, afirmou que lutará por seus direitos.
“Tifanny, nós aqui do Mato Grosso do Sul queremos agradecer por você ser pioneira no voleibol, trazer essa oportunidade para nós. E nós aqui do Mato Grosso do Sul estamos formando hoje o primeiro time de meninas trans aqui do Estado de Mato Grosso do Sul. Esse é um agradecimento pequeno do que a gente pode dar por você ter aberto portas para nós, porque o esporte salva vidas e o esporte tem inclusão”, afirmou uma representante do grupo.
A equipe sul-mato-grossense se apresenta como o primeiro time formado por mulheres trans em Mato Grosso do Sul. Em publicação nas redes sociais, o projeto destacou a carreira da oposta como referência para jogadoras que passaram a buscar espaço na modalidade. O grupo também declarou solidariedade às demais atletas afetadas pelos novos critérios.
“Tifanny já mostrou que lugar de mulher trans também é dentro da quadra. Regulamentar não pode significar apagar trajetórias. Competir não deveria significar deixar de existir”, publicou a equipe.
Entenda – A CBV anunciou a mudança na sexta (14) ao estabelecer uma nova política de participação nas categorias femininas do vôlei de quadra e de praia. Pela norma, as jogadoras deverão passar por uma triagem genética e apresentar resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento sexual masculino. Quem não comprovar o requisito não poderá atuar nas competições abrangidas pelo regulamento.
A exigência passará a valer nas Superligas A e B de 2026/27, na Supercopa de 2026, na Copa Brasil de 2027, no Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia de 2027 e no CBVP Challenger de 2027. Segundo a confederação, a alteração acompanha os parâmetros adotados em competições internacionais. A recusa à realização do exame não será considerada infração, mas deixará a atleta fora dos torneios sujeitos à regra.
Para a Folha de S.Paulo, Tifanny afirmou que a decisão compromete uma carreira construída ao longo de uma década no voleibol feminino. “O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos esses anos. São 10 anos no voleibol feminino. Não comecei ontem”, disse.
“Não vou me calar. E vou tomar todas as medidas possíveis para que minha luta pelo direito, pela visibilidade, pela inclusão e pela prática do esporte não tenha sido em vão. Meus 10 anos não foram em vão e vou lutar por eles e por todos vocês”, completou a oposta.
A nova política não afasta Tifanny do Campeonato Paulista em andamento. A Federação Paulista de Voleibol informou que o Estadual começou antes da publicação dos critérios e seguirá as normas vigentes na abertura da competição. Assim, a jogadora permanece liberada para defender o Osasco no torneio.
Saiba mais – Tifanny passou a competir oficialmente na categoria feminina em 2017, depois de receber autorização da Federação Internacional de Voleibol. Naquele ano, defendeu o Bauru e se tornou a primeira mulher trans a atuar na Superliga Feminina. Desde 2021 no Osasco, ela conquistou a Superliga, a Copa Brasil e o Campeonato Paulista na temporada 2024/25.