Sebo, tilápia e couro estão entre cadeias locais expostas às tarifas dos Estados Unidos
Empresas de Mato Grosso do Sul afetadas pelo aumento das tarifas dos Estados Unidos poderão acessar linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, que terá R$ 13,5 bilhões para exportadores, fornecedores e setores considerados estratégicos. O governo federal regulamentou nesta segunda-feira (24) a distribuição dos recursos, que poderão financiar capital de giro, compra de equipamentos, ampliação da produção e inovação. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ficará responsável pelo acompanhamento das operações.
Empresas de Mato Grosso do Sul afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos poderão acessar o Plano Brasil Soberano, com R$ 13,5 bilhões para exportadores e setores estratégicos. Cadeias de sebo bovino, tilápia e couro do estado estão entre as elegíveis. O BNDES coordenará as operações, que financiarão capital de giro, equipamentos e inovação. O acesso depende de critérios de elegibilidade e solicitação pelas instituições habilitadas.
Entre os setores sul-mato-grossenses que podem se enquadrar estão cadeias de sebo bovino, tilápia e couro, atingidas pela tarifa adicional dos Estados Unidos. Levantamento publicado pelo Campo Grande News mostrou que US$ 17,28 milhões dos US$ 371,02 milhões exportados pelo Estado ao mercado norte-americano no primeiro semestre ficaram sujeitos à sobretaxa. O montante corresponde a 4,66% das vendas realizadas no período.
O sebo bovino respondeu pela maior parcela entre os produtos locais afetados, com US$ 9,81 milhões exportados. Filés de tilápia somaram US$ 4,08 milhões, enquanto couros bovinos preparados movimentaram US$ 2,09 milhões. A maior parte das exportações de Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos ficou fora da tarifa adicional.
Dos R$ 13,5 bilhões regulamentados pelo governo, R$ 5 bilhões serão destinados a exportadores e fornecedores afetados pelo aumento das tarifas norte-americanas. Outros R$ 3,5 bilhões atenderão empresas que comercializam produtos com países do Golfo Pérsico, diante dos efeitos de conflitos e da instabilidade internacional.
A divisão também prevê R$ 2 bilhões para a cadeia de adubos e fertilizantes, R$ 2 bilhões para atividades relacionadas a minerais críticos e estratégicos e R$ 1 bilhão para setores industriais considerados relevantes para o comércio exterior. O programa contempla exportadores de bens industriais e seus fornecedores, além de empresas de segmentos relevantes para as vendas brasileiras ao exterior.
O acesso aos recursos não será automático. As empresas de Mato Grosso do Sul terão de atender aos critérios de elegibilidade previstos para cada linha e solicitar o financiamento pelas instituições habilitadas. Até o momento, não foi divulgada relação de companhias do Estado com operações aprovadas nesta nova etapa do programa.