Suspensão começa nesta quinta-feira após receita estadual com a proteína crescer 47,9% no primeiro semestre
A suspensão das importações europeias de produtos de origem animal do Brasil, prevista para começar nesta quinta-feira (3), cria um novo obstáculo para a pecuária de Mato Grosso do Sul justamente no momento em que a carne bovina ganha participação nas exportações estaduais.
A suspensão das importações europeias de produtos de origem animal do Brasil, que começa nesta quinta-feira (3), ameaça a pecuária de Mato Grosso do Sul. O bloqueio atinge carnes, ovos, mel e pescados e pode custar quase US$ 2 bilhões ao país em um ano. A retomada das exportações de carne bovina ao bloco pode ocorrer somente em meados de 2028. O estado registrou crescimento de 47,9% nas exportações de carne bovina no primeiro semestre de 2026.
O bloqueio deve atingir carnes bovina e de aves, além de ovos, mel e pescados. A União Europeia cobra garantias de que os produtos brasileiros atendem às regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na criação de animais.
A medida decorre da retirada do Brasil, em maio, da lista de países considerados em conformidade com a legislação europeia. As normas proíbem determinados antimicrobianos, inclusive antibióticos usados para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais.
Desde 1º de julho, o Brasil adota novos procedimentos para controlar o uso dessas substâncias na produção de proteínas e outros produtos de origem animal. Os protocolos foram apresentados às autoridades europeias, mas ainda dependem de auditorias e da validação das instâncias responsáveis.
O bloqueio ocorre em um período de forte crescimento das exportações sul-mato-grossenses de carne bovina. Conforme levantamento do Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), as vendas da proteína ao exterior movimentaram US$ 1,17 bilhão no primeiro semestre de 2026.
O valor representa aumento de 47,9% diante dos US$ 791,8 milhões registrados no mesmo período de 2025. O volume embarcado cresceu 23,4% e chegou a 198,1 mil toneladas.
Com esse desempenho, a carne bovina passou a responder por 20,6% da receita obtida pelo agronegócio estadual no exterior e se aproximou da celulose, responsável por 25,3%. Ao todo, as exportações do agronegócio de Mato Grosso do Sul somaram US$ 5,68 bilhões no primeiro semestre, alta de 12,4%.
Segundo a consultora de Economia do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, o crescimento foi impulsionado pela demanda internacional e pela competitividade do produto brasileiro.
“Mesmo com a redução no número de animais abatidos, as exportações cresceram em receita, mostrando que o desempenho não esteve condicionado apenas ao aumento da oferta. A China, principal destino da carne bovina de MS, ampliou em 109% o valor das compras no período, enquanto os Estados Unidos aumentaram em 41,7%”, afirmou.
O preço médio da tonelada exportada por Mato Grosso do Sul também avançou 19,7% no primeiro semestre. Apesar do resultado, os dados mais recentes já mostram perda de ritmo. Em julho, a receita estadual obtida com as vendas de carne bovina à China caiu 46% em relação a junho. Considerando todos os destinos, a retração foi de 17%.
Além do bloqueio europeu, o setor deverá enfrentar mudanças nas condições de acesso ao mercado chinês, incluindo a cota para importações com tarifa reduzida.
“Para os próximos meses, a continuidade do desempenho dependerá da capacidade de diversificar mercados, preservar a competitividade da carne brasileira e manter a demanda internacional”, avaliou Eliamar.
Retomada pode demorar – O governo brasileiro considera difícil evitar a suspensão a partir desta quinta-feira, embora mantenha negociações com a União Europeia. O impacto potencial do bloqueio sobre as exportações brasileiras dos produtos atingidos é estimado em quase US$ 2 bilhões no período de um ano, segundo informações publicadas pelo jornal Valor Econômico e reproduzidas pela Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul).
A expectativa é de que as vendas brasileiras de carne de aves e mel possam ser retomadas ainda em 2026, possivelmente em novembro. Auditores europeus estão no Brasil para avaliar os processos de produção e fiscalização dessas cadeias.
Para a carne bovina, porém, a adequação pode levar mais tempo por causa do ciclo de criação dos animais. A retomada das exportações ao bloco pode ocorrer somente em meados de 2028.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que o Brasil seja reincluído na lista de fornecedores. O pedido foi enviado em julho, mas ainda não houve resposta.
O governo federal também avalia medidas de reciprocidade contra produtos europeus, segundo o Valor Econômico. Entre as possibilidades discutidas estariam restrições sanitárias a lácteos e azeites. O Palácio do Planalto, contudo, não confirmou que adotará a retaliação.