Com Boulos, MTST lança braço em MS e mira regularização de ocupações

Ministro participou do ato em Campo Grande, que reuniu moradores de áreas não regularizadas Guilherme Boulos é uma das principais lideranças da esquerda no Brasil e ganhou projeção nacional como coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. (Foto: Clara Farias) MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) lançou sua organização em Mato Grosso do Sul na...


Ministro participou do ato em Campo Grande, que reuniu moradores de áreas não regularizadas

Guilherme Boulos é uma das principais lideranças da esquerda no Brasil e ganhou projeção nacional como coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. (Foto: Clara Farias)

MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) lançou sua organização em Mato Grosso do Sul na noite desta quinta-feira (17), durante encontro em Campo Grande com Guilherme Boulos, coordenadores do grupo e moradores de comunidades. A estrutura local foi apresentada como uma frente para acompanhar demandas por moradia, regularização fundiária e acesso a serviços básicos. O evento marcou a entrada formal do movimento no Estado.

O MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) foi lançado oficialmente em Mato Grosso do Sul na quinta-feira (17), em Campo Grande, com a presença do coordenador Guilherme Boulos. O movimento pretende atuar em demandas por moradia e regularização fundiária no estado, reunindo moradores de comunidades locais, como a Lolita, formada em 2014, onde cerca de 60 famílias ainda aguardam regularização sem acesso a água e luz.

Boulos participou do lançamento durante passagem por Mato Grosso do Sul e destacou a expansão do MTST para o Estado. Em discurso, ele lembrou que o movimento se aproxima dos 30 anos de existência e citou a atuação em pautas habitacionais pelo País. “É uma honra, porque é uma luta coletiva. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto vai completar 30 anos”, afirmou.

A chegada a Mato Grosso do Sul ocorre com a participação de moradores que já se organizam em comunidades de Campo Grande. Uma delas é a Lolita, formada em 2014 entre o Indubrasil e o Polo Industrial, onde Heloisa Leguir Fernandes, de 40 anos, vive desde o ano seguinte. Segundo ela, cerca de 60 famílias permanecem no local e ainda buscam a regularização da área.

Heloisa afirma que parte das antigas barracas deu lugar a casas de alvenaria, mas os moradores ainda enfrentam problemas de infraestrutura. Ela coloca a permanência no local ou o acesso a outra moradia entre as principais reivindicações. “Se eles não regularizarem, que deem um sinal para a gente ou deem uma casa melhor para a gente, porque a gente não tem água nem luz aí”, disse.

A moradora contou que chegou à comunidade depois de deixar um acampamento rural. Sem casa, procurou outro lugar onde pudesse permanecer com a família. “Como o acampamento acabou, eu tinha que arrumar um lugar. Como eu vi que as pessoas estavam invadindo, eu também entrei junto. Eu luto por uma moradia”, relatou.

O coordenador nacional do MTST Clayton Veloso disse que representantes do movimento já passaram por comunidades da Capital antes do lançamento. Segundo ele, foram identificadas demandas relacionadas à regularização e à permanência das famílias nas áreas onde vivem. “A gente já sabe que tem uma comunidade aqui com risco de despejo, a gente sabe que tem várias comunidades aqui precisando da regularização fundiária”, afirmou.

Clayton também relacionou a atuação no movimento à própria experiência com moradia. Ele contou que perdeu a casa onde vivia em São Paulo (SP), em 2013, e passou a buscar informações sobre os direitos de famílias na mesma situação. “Eu queria entender o motivo de a Prefeitura ter derrubado a minha casa. Eu não sabia. E muitos aqui também não sabem”, disse.

Em Mato Grosso do Sul, Abílio Cesar Borges será um dos coordenadores do MTST. Durante o lançamento, ele afirmou que a organização pretende concentrar a atuação nas questões urbanas e na busca por moradia. “O povo se organiza e faz a luta por moradia, que é um direito constitucional. Assim como o direito à educação e o direito à saúde, a moradia é um direito”, declarou.

O encontro também teve a participação de moradores de áreas rurais. Argemiro Soares de Oliveira vive há 26 anos no PA Conquista, no km 16 da MS-080, na saída de Campo Grande para Rochedo, onde planta alimentos e cria animais. Ele afirmou que decidiu participar por considerar a organização coletiva importante para encaminhar demandas.

“A pessoa individual dificilmente vai conseguir arrumar alguma coisa. Então, nós temos feito alguma coisa, temos ganhado alguma coisa quando a gente se une para poder adquirir as coisas, ter direito a alguma coisa”, disse Argemiro.



Source link