Expogenética projeta mais de R$ 200 milhões em negócios em MS

A terceira edição da Expogenética MS chega com a expectativa de ultrapassar R$ 200 milhões em negócios, impulsionada não apenas pelos leilões de animais, mas também por operações financeiras, máquinas, equipamentos, insumos e serviços ligados à cadeia produtiva. Em entrevista ao JD1, o presidente da Nelore-MS, Paulo Matos, afirma que o evento ampliou sua proposta...


A terceira edição da Expogenética MS chega com a expectativa de ultrapassar R$ 200 milhões em negócios, impulsionada não apenas pelos leilões de animais, mas também por operações financeiras, máquinas, equipamentos, insumos e serviços ligados à cadeia produtiva. Em entrevista ao JD1, o presidente da Nelore-MS, Paulo Matos, afirma que o evento ampliou sua proposta para aproximar o campo da cidade e mostrar que a pecuária movimenta uma cadeia que vai muito além da porteira. Além disso, Paulo comenta sobre a grade de shows.

 

JD1 – Paulo, quanto a Expogenética projeta movimentar nesta edição e quais segmentos, além dos leilões de animais, devem concentrar esse volume de negócios?

Paulo Matos – Nossa expectativa é ultrapassar os R$ 200 milhões em negócios. E estamos sendo até conservadores nessa projeção, porque a Expogenética movimenta uma cadeia muito maior do que os próprios leilões de animais. Temos operações bancárias, renegociação de dívidas, compra de máquinas e equipamentos, consórcios, insumos e outras operações ligadas ao produtor. Na edição passada, por exemplo, tivemos instituições movimentando valores muito expressivos durante a feira. Mas o impacto não fica restrito ao agronegócio. A feira gera emprego e movimenta hotelaria, restaurantes, comércio, transporte e serviços. Hotéis, lojas de roupas, botas, chapéus e acessórios, motoristas de aplicativo, salões de beleza. É uma feira de negócios, mas que impacta toda a economia de Campo Grande e do Estado.

 

JD1 – A feira chega à terceira edição com uma programação maior e expectativa de superar os 140 mil visitantes. O que mudou na Expogenética MS para que ela deixasse de ser apenas uma feira voltada ao criador e passasse a buscar também o público urbano?

Paulo Matos –  Desde o começo, nós entendemos que precisávamos mostrar para a sociedade tudo o que existe por trás da produção de carne. A pecuária não é somente o produtor e o boi. Existe genética, tecnologia, pesquisa, sanidade, mão de obra, indústria, comércio e uma cadeia enorme trabalhando para que esse alimento chegue à mesa. Então fomos ampliando a Expogenética MS . Hoje temos negócios e genética, mas também rodeio, música, cultura, gastronomia, esporte, inclusão e entretenimento. Queremos que a pessoa que mora em Campo Grande venha ao Parque, conheça esse trabalho e perceba que a pecuária faz parte da vida dela, mesmo quando ela não está diretamente ligada ao campo.

 

JD1 – A genética é apresentada como o eixo central do evento. Na prática, quais avanços genéticos produzidos pelos criadores de MS já estão trazendo resultados concretos em produtividade e rentabilidade para o pecuarista?

Paulo Matos –  A genética trouxe ganhos muito importantes para a nossa pecuária. Melhoramos a qualidade da carne, a precocidade dos animais e conseguimos reduzir o tempo de abate. Hoje temos um rebanho menor em relação ao passado, mas a produtividade por hectare aumentou bastante. Isso é resultado de anos de seleção, melhoramento genético, manejo e tecnologia. E existe uma coisa que considero fundamental: genética não pode ser apenas um animal bonito ou premiado. Ela precisa entregar resultado dentro da fazenda. O produtor precisa colocar aquele animal no seu sistema e ter mais produtividade, mais eficiência e, principalmente, mais rentabilidade. Esse é o verdadeiro objetivo do melhoramento.

 

JD1 – O produtor hoje enfrenta pressão de custos, mudanças no mercado da carne e exigências cada vez maiores por eficiência. Que tipo de animal e de genética o mercado está procurando atualmente?

Paulo Matos – O mercado procura eficiência. Um animal precoce, fértil, adaptado, com bom ganho de peso, boa conversão e qualidade de carcaça. Cada vez mais precisamos olhar para o animal como um conjunto de características e entender qual genética funciona melhor dentro de cada sistema de produção. Não adianta simplesmente ter um animal de alto valor se ele não entrega resultado para quem está produzindo bezerro ou carne. O produtor precisa produzir mais, em menos tempo, utilizando melhor a terra e os recursos que tem disponíveis. E isso passa diretamente pela genética e pela gestão da propriedade.

 

JD1 – A Nelore representa a maior parte do rebanho brasileiro. Como a Nelore-MS pretende fazer com que a genética de ponta chegue também ao pequeno e médio produtor?

Paulo Matos –  Essa é uma preocupação que eu tenho desde que assumi a Nelore-MS. Mato Grosso do Sul tem criadores que produzem alguns dos melhores touros do Brasil, mas não podemos ter uma genética excelente somente na ponta da cadeia. Precisamos fazer essa genética chegar à base da produção. O pequeno e o médio produtor precisam ter condições de acessar um bom reprodutor, melhorar o seu rebanho e aumentar a produtividade. Porque, no final, isso significa melhorar a renda daquele produtor. A associação tem justamente esse papel de aproximar o conhecimento, a tecnologia e a genética de quem está produzindo.

 

JD1 – A pecuária brasileira está cada vez mais inserida no mercado internacional. O que Mato Grosso do Sul precisa fazer para continuar sendo competitivo e ampliar sua participação nesse mercado?

Paulo Matos –  Precisamos continuar fazendo o que trouxe a pecuária brasileira até aqui: investir em genética, sanidade, produtividade, tecnologia e sustentabilidade. O mundo está cada vez mais exigente e nós precisamos estar preparados para atender essas exigências e, ao mesmo tempo, mostrar o que fazemos de melhor. Nós temos carne de qualidade, temos volume, temos sanidade e temos produção. Mato Grosso do Sul tem uma participação importante nessa história. Eu acredito que o espaço conquistado pela carne brasileira no mercado internacional é resultado de um trabalho construído ao longo de muitos anos e que não podemos perder. Como falei no lançamento, o mundo hoje depende da nossa carne, nós alimentamos o planeta, e Mato Grosso do Sul é um dos grandes expoentes desse resultado.

 

 

JD1 – A presença da PBR pelo terceiro ano aproxima ainda mais a genética do universo do rodeio. Existe uma relação direta entre a seleção genética dos animais e o desempenho dos touros nas arenas?

Paulo Matos – Existe, sim. O touro de rodeio também é resultado de seleção genética. Ele precisa ter características muito específicas, como força, explosão, agilidade, equilíbrio e capacidade atlética. Não é simplesmente colocar qualquer animal na arena. Existe um trabalho de seleção e manejo por trás desses touros. E acho interessante a presença da PBR justamente por isso: ela nos permite mostrar para um público muito maior que a genética bovina tem várias vertentes. No caso do rodeio, existe toda uma seleção voltada para desempenho e características que são próprias desses animais. E são três noites de PBR, nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro.

 

JD1 – A entrada gratuita no Parque e na Arena é uma das apostas desta edição. Qual é a estratégia por trás dessa decisão e como ela pode contribuir para aproximar a sociedade da pecuária? E como será a grade de shows?

Paulo Matos –  A ideia é democratizar o acesso. Queremos que a família possa entrar no Parque e na Arena gratuitamente, conhecer os animais, a genética, acompanhar o rodeio e aproveitar a programação. Quem quiser uma experiência diferenciada terá as áreas comercializadas, como VIP, Bangalôs, Camarotes e Arquibancada, com ingressos pelo Q2 Ingressos. E estamos preparando uma programação musical muito forte: Jads & Jadson, Leonardo, Léo & Raphael, Fiduma & Jeca, Japa NK, Mari Fernandez e CountryBeat. Então a pessoa pode vir pela genética, pelo rodeio, pelo show ou simplesmente para passear com a família. O importante é que ela esteja dentro do Parque e tenha contato com a pecuária.

 

 

JD1 – A Expogenética MS também mantém ações de inclusão para pessoas com deficiência e crianças neurodivergentes. Como funciona na prática?

Paulo Matos –  A inclusão precisa acontecer de verdade. No ano passado nós começamos esse trabalho com as salas sensoriais e uma estrutura de acolhimento para pessoas com deficiência e crianças neurodivergentes. Foi uma experiência muito importante para nós porque mostrou que existe uma demanda e que essas famílias querem participar dos grandes eventos da cidade. Em 2026, vamos ampliar esse trabalho. A nossa preocupação é criar condições para que essas pessoas possam chegar ao Parque, participar da programação, assistir aos shows e ao rodeio e se sentir parte daquele momento. A Expogenética MS precisa ser um evento para todos.

 

JD1 – Mato Grosso do Sul vive um momento de expansão e transformação da atividade pecuária, com novas tecnologias e maior busca por produtividade. Na avaliação da Nelore-MS, qual é hoje o principal desafio para o produtor que quer permanecer competitivo?

Paulo Matos – O grande desafio é produzir mais e melhor, controlando custos e agregando valor ao produto. O produtor precisa entender que não existe mais espaço para produzir apenas porque sempre foi feito daquela maneira. É preciso ter informação, fazer gestão, utilizar tecnologia, melhorar a genética, cuidar da sanidade e acompanhar o mercado. E também precisamos valorizar aquilo que o produtor já construiu. O Brasil conquistou um espaço muito grande na produção de carne justamente porque aumentou a produtividade. Agora precisamos transformar essa eficiência em maior rentabilidade para quem está dentro da porteira. Essa é uma discussão que a Nelore-MS considera fundamental.

 

JD1 – Paulo, para finalizar, olhando para além dos 11 dias de evento, que legado a Nelore-MS pretende deixar com a Expogenética MS para a pecuária de Mato Grosso do Sul e para a relação entre o campo e a cidade?

Paulo Matos –  O nosso objetivo é que a Expogenética MS deixe conhecimento, negócios, relacionamento e uma imagem cada vez mais forte da pecuária de Mato Grosso do Sul. Queremos mostrar para o Brasil e para o mundo a qualidade da nossa genética e o trabalho sério que o produtor desenvolve dentro da propriedade. Mas também queremos deixar uma aproximação maior com a sociedade. Que o cidadão de Campo Grande venha ao Parque, conheça um animal de genética diferenciada, veja uma prova, um rodeio, um leilão e entenda um pouco mais sobre o caminho que existe entre o campo e a mesa. Se conseguirmos fazer essa conexão, o evento já terá cumprido uma grande missão.

 

JD1 – Paulo, o que o senhor diria para uma pessoa que nunca foi a uma feira agropecuária e está pensando em conhecer a Expogenética MS pela primeira vez?

Paulo Matos – Eu diria simplesmente: venha conhecer. A EExpogenética MS foi pensada para toda a família. Você pode vir pela música, pelo rodeio, pela gastronomia ou pelo entretenimento, mas vai encontrar também genética, tecnologia, animais de qualidade e muita informação sobre a nossa pecuária. E o mais importante é poder conhecer um pouco do trabalho que existe por trás da carne que chega todos os dias à mesa. A gente quer que o produtor se sinta representado, mas também quer que quem mora na cidade perceba que o campo está muito mais próximo da vida dele do que muitas vezes imagina.



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