Viajar de carro elétrico pelo interior de Mato Grosso do Sul exige planejamento detalhado devido à infraestrutura limitada de recarga. O Estado conta com apenas 175 eletropostos em 38 municípios, segundo a plataforma Carregados, enquanto 41 cidades não possuem nenhum ponto cadastrado. Campo Grande concentra 68 equipamentos, 38,9% do total estadual. A frota de veículos elétricos soma 8.896 unidades no Estado, sendo 64,48% na Capital.
Sair de Campo Grande rumo a Corumbá em um carro elétrico é possível no papel, mas exige mais planejamento do que simplesmente traçar o destino no aplicativo. Ao longo dos cerca de 425 quilômetros pela BR-262, o motorista precisa calcular a autonomia, identificar onde poderá recarregar e preparar uma alternativa caso encontre o equipamento ocupado, quebrado ou inacessível.
A rota até o Pantanal ajuda a expor as limitações da infraestrutura de recarga de Mato Grosso do Sul. E isso precisa ser levado em conta para qualquer roteiro em estradas que cortam o Estado. Levantamento feito na plataforma Carregados aponta 175 eletropostos distribuídos por 38 cidades. Isso significa que 41 dos 79 municípios do Estado não possuem nenhum ponto cadastrado na base.
Campo Grande concentra 68 eletropostos, o equivalente a 38,9% do total. Dourados aparece em segundo lugar, com 22, seguido por Bonito e Ponta Porã, com 8 cada.
A quantidade geral esconde diferenças importantes. Dos 175 eletropostos, apenas 43 são classificados como carregadores rápidos. Outros 29 têm uso restrito e 18 aparecem em manutenção. A plataforma identifica 85 equipamentos como públicos.
A economia no uso diário é a principal vantagem apontada pelo motorista de aplicativo Wellington Garcia, de 31 anos, que usa o veículo principalmente em Campo Grande.
“Gasto menos com combustível e também tenho uma manutenção mais simples, então acaba compensando bastante no dia a dia. Hoje uso mais dentro da cidade, mas tenho vontade de viajar por Mato Grosso do Sul”, afirma.
Para Wellington, a insegurança começa quando o trajeto ultrapassa os limites da Capital. “O que ainda precisa melhorar é a quantidade de pontos de recarga nas estradas, porque, para viajar, a gente precisa saber onde vai conseguir parar e carregar. É muito complicado pensar nessa logística”, relata.
O empresário Marcelo Duarte, de 56 anos, proprietário de um GWM Ora, aponta a mesma dificuldade. Ele afirma que não pretende voltar a usar um veículo a combustão, mas reconhece que viagens mais longas ainda exigem cautela.
“No dia a dia, para trabalhar e circular pela cidade, ele atende muito bem. O problema aparece quando quero fazer uma viagem mais longa. A autonomia dá conta de muitos trajetos, mas ainda precisamos planejar bastante por causa da falta de carregadores rápidos em alguns pontos do Estado”, diz.
O veículo de Marcelo percorre cerca de 300 quilômetros com uma carga. Depois disso, a continuidade da viagem depende da existência de um equipamento disponível. “Se não tiver local para recarga depois dessa distância, não consigo seguir viagem. Se a infraestrutura continuar crescendo, vai ficar cada vez mais fácil viajar de elétrico por Mato Grosso do Sul”, avalia.

No trajeto entre Campo Grande e Corumbá, há eletropostos cadastrados em Terenos, Anastácio e Miranda, além dos equipamentos existentes no destino.
A presença desses carregadores, entretanto, não significa que o motorista possa pegar a estrada sem preocupação. É necessário verificar a potência, o padrão do conector, as regras de acesso e a disponibilidade de cada equipamento. Alguns ficam dentro de hotéis, restaurantes, supermercados ou outros estabelecimentos privados, o que pode limitar o uso ao horário de funcionamento ou aos clientes do local.
Recarga pode custar até R$ 4 por kWh – Entre os eletropostos de Mato Grosso do Sul que apresentam informações sobre preço na plataforma, o valor varia de gratuito a R$ 4 por quilowatt-hora. A mediana é de R$ 2 por kWh.
O custo total depende do tamanho da bateria e da quantidade de energia necessária. Para colocar 40 kWh em uma bateria, por exemplo, o motorista pagaria R$ 80 considerando o valor mediano. No preço máximo informado, a mesma recarga chegaria a R$ 160.
A conta é apenas uma estimativa. O carregador pode cobrar por energia consumida, tempo de permanência ou sessão, além de exigir aplicativo ou cadastro prévio. Pontos gratuitos também podem impor condições, como consumo no estabelecimento ou limite de uso.
Frota está concentrada na Capital – Dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) apontam 8.896 veículos eletrificados em Mato Grosso do Sul, distribuídos pelos 79 municípios. Campo Grande reúne 5.737 unidades, equivalentes a 64,48% da frota estadual. Dourados possui 1.422 veículos, enquanto Três Lagoas soma 300 e Ponta Porã, 188.
Quem encontrar um eletroposto pode colaborar com o levantamento enviando informações pelo mapa interativo. Para participar, basta clicar em “Enviar relato”, no canto superior direito, e informar a localização e as condições do equipamento.