Pisos em marchetaria e pinturas artísticas serão preservados no imóvel que por fora tem aspecto de abandono
Uma casa que existe há 91 anos, cheia de riqueza de detalhes arquitetônicos. As madeiras originais se tornam recordações; as pinturas artísticas nas paredes mostram como era a elegância da época.
A Casa Engenheiro Carlos Miguel Mônaco, construída em 1935 na Avenida Calógeras, em Campo Grande, será restaurada. O projeto prevê correção de infiltrações, recuperação do jardim, restauro de esquadrias, pisos e elementos decorativos em argamassa. A estrutura, que não utiliza cimento, apenas areia e cal, tem 91 anos e está ligada à memória da Esplanada Ferroviária. O orçamento da obra ainda não foi definido.
A descrição acima se refere à Casa Engenheiro Carlos Miguel Mônaco, localizada na Avenida Calógeras. Aurélio Ibiapina, engenheiro da NOB (Noroeste do Brasil), construiu-a em 1935. Por isso, ela está diretamente ligada à memória da Esplanada Ferroviária.
Apesar disso, a casa leva o nome de Carlos Miguel Mônaco, que foi um chefe engenheiro importante na história ferroviária local. Apesar do aparente abandono na parte externa, conforme reportagem publicada na semana passada pelo Campo Grande, dentro a história é preservada.

A proposta é de restauro, mas ainda não tem data para isso, nem projeto estruturado. A única revitalização ocorreu entre 2005 e 2007.
O plano de recuperação que está sendo feito pela arquiteta Perla Larsen, especialista em restauração, tem previsão de ser finalizado ainda em abril. Depois disso, vai para a fase de orçamentos para saber o valor da obra.
Estão previstos a correção de pontos de infiltração, recuperação do jardim, da fonte e de partes do madeiramento, além da restauração dos forros de estuque.
Também estão inclusas melhorias de acessibilidade e revisões completas nas redes elétrica e hidráulica. Um dos detalhes que deve revelar ainda mais a história da casa será a retirada da cera dos pisos, permitindo que o acabamento original volte a aparecer.
O plano contempla ainda intervenções minuciosas, como o restauro das esquadrias de madeira e dos pisos, tanto de madeira quanto de ladrilhos hidráulicos. Elementos decorativos em argamassa, como frisos, cimalhas e mísulas, também serão recuperados, assim como muros e portões.
As pedras de arenito que formam a base da construção serão limpas e higienizadas, mantendo a autenticidade do material. A casa, inclusive, chama atenção por sua técnica construtiva: não há cimento na estrutura, apenas areia e cal, característica típica de métodos antigos.
“Por isso que o trabalho é de uma maneira diferente, precisa ser criteriosamente. São vários detalhes, o detalhe do desenho da madeira, o detalhe da pedra, rejunte da pedra”, explicou a arquiteta.
Ao abrir as portas do imóvel para a equipe do Campo Grande News, Perla revelou detalhes que ajudam a contar a história da casa.
Logo na entrada, o piso de mosaico original já mostra a antiguidade do local. Em outros ambientes, os ladrilhos hidráulicos reforçam o estilo da época. O corrimão de madeira da escada não pode mais ser utilizado devido à deterioração, mas também será revitalizado.
“O que a gente vai fazer de diferente é restaurar, cuidar e preservar. Precisamos de consciência, uma vez restaurado, precisa ser cuidado. O mais desafiador é o recurso, nós ainda não passamos o projeto para o orçamento”, completou.
As janelas na parte inferior indicam a existência de um porão, que no passado funcionava como depósito e dormitório. Com o tempo, surgiram relatos de que o espaço também teria servido como esconderijo durante a ditadura.
Hoje, o ambiente está sem uso por conta da umidade. O local possui seis cômodos e concentra toda a rede elétrica da casa.
A fonte, que perdeu parte de suas pastilhas ao longo dos anos, será restaurada. No pátio, caminhos foram demarcados para manter o traçado original.
Já nas janelas externas, alguns ganchos ainda revelam como elas eram travadas quando abertas. Um detalhe curioso é que muitas delas estão invertidas, com as folhas voltadas para dentro, fator que contribuiu para a entrada de água da chuva e o surgimento de mofo nas paredes.
Na sala principal, o piso de madeira apresenta duas tonalidades e divide espaço com pinturas em estêncil. Uma antiga divisão interna, feita com telas metálicas, conhecida como tabique, ainda pode ser identificada.

No local, também foi instalada a galeria de prefeitos, com registros desde 1899, quando Francisco Mestre assumiu como chefe do Executivo, até Nelson Trad.
O ambiente ainda reúne elementos sofisticados, como marchetaria, frisos decorativos e vidros jateados com desenhos. No gabinete do prefeito, o piso também é de marchetaria e há medalhões com pinturas artísticas, reforçando o valor cultural do imóvel.
“O que a gente tem de mais legal são as pinturas artísticas. Os pisos de madeira, os pisos decorados são lindos, as esquadrias, a parte de madeiramento da casa é muito rico, quando olha lá fora a grade da varanda, os detalhes e os entalhes de madeira”, concluiu Perla.

A casa carrega grande relevância histórica e por muitos momentos foi espaço para realização de eventos da Prefeitura Municipal, como reuniões durante a pandemia da covid-19 e lançamentos de projetos. Por muito tempo, foi um dos únicos imóveis bem cuidado, com pintura renovada.
O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) informou que a Casa Engenheiro Carlos Miguel Mônaco não é tombada individualmente. O imóvel integra o conjunto protegido do Complexo Ferroviário Histórico e Urbanístico da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que abrange, ao todo, 135 bens.
No ano passado, foi realizada vistoria fiscalizatória conjunta pelo Iphan, em parceria com órgãos municipais, incluindo a Secretaria de Cultura, o Corpo de Bombeiros, a Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) e o CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo).
Na ocasião, foram identificadas necessidades de manutenção voltadas à adequada conservação da edificação.
O Instituto informou também que aguarda o envio das propostas de intervenção pela Prefeitura Municipal de Campo Grande para análise.
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