Pais relatam atraso de salários e desabastecimento de combustível como possíveis motivos para paralisação
Pais e alunos da zona rural de Campo Grande enfrentam novamente problemas com o transporte escolar na região. Estudantes da Escola Municipal Orlandina Oliveira Lima, na Colônia do Aguão, estão sem ir à aula desde terça-feira (7), e responsáveis relatam que o problema é causado por atrasos no pagamento às empresas responsáveis pelo serviço, o que levou à paralisação de motoristas e até à suspensão das rotas por falta de combustível.
Alunos da Escola Municipal Orlandina Oliveira Lima, na zona rural de Campo Grande, estão sem aulas desde terça-feira (7) devido à paralisação do transporte escolar. Motoristas relatam três meses de salário atrasado e falta de combustível por inadimplência da prefeitura. O problema afeta dezenas de estudantes e coincidiu com semana de provas. A situação se repete: em fevereiro, mais de 50 alunos do Assentamento Estrela também ficaram sem transporte.
Segundo uma mãe, que preferiu não se identificar, a situação se arrasta há meses e já provocou outras interrupções. “Os motoristas estão com três meses de salário atrasado. Já teve paralisação antes e agora a empresa pediu para não rodar porque não tem combustível e a prefeitura não pagou”, afirmou.
Ainda conforme o relato, na segunda-feira (6), um dos motoristas quase ficou parado na estrada com alunos por falta de combustível. No dia seguinte, o transporte já não passou, e desde então não há previsão de retorno. “Ele mandou um áudio avisando que não vai rodar enquanto não pagarem. Não são só meus filhos, são vários alunos, inclusive de outras linhas”, disse.
A dona de casa Tatiany Lesmo Bispo de Oliveira, de 31 anos, também relata prejuízos. Mãe de três crianças, de quatro, nove e 11 anos, ela conta que os filhos estão sem aula desde terça-feira. “Não é falta de vontade do motorista, porque mesmo sem receber ele estava passando. Mas agora parou por falta de combustível. Acaba prejudicando as crianças, ainda mais porque era semana de prova”, afirmou.
De acordo com ela, a escola precisou adiar as avaliações, mas o impacto no aprendizado permanece. “Prejudica porque perde conteúdo. E pelo que o motorista fala, ainda não tem previsão de voltar, porque a prefeitura não repassou o dinheiro para a empresa”, disse.
Os relatos indicam que o problema não atinge apenas uma linha. Há registros de suspensão em rotas atendidas por vans e ônibus escolares, afetando dezenas de estudantes de diferentes séries.
No entanto, a situação não é inédita. Em fevereiro deste ano, alunos do Assentamento Estrela, na zona rural da Capital, também ficaram sem transporte escolar, afetando mais de 50 estudantes. O problema vem se repetindo anualmente. Em 2025, trabalhadores do transporte rural paralisaram as atividades por falta de pagamento, o que levou a prefeitura a firmar 17 contratos emergenciais para a prestação do serviço. Os acordos somam R$ 2.770.895,23 e têm validade de 12 meses.
A reportagem entrou em contato com a prefeitura para esclarecimentos sobre os atrasos e a regularização do transporte escolar, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.
Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.