Com fila crescente, 235 ações foram parar na Justiça em Campo Grande só no ano passado
Por Ângela Kempfer | 09/04/2026 10:39
Quase 2 mil pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrentam fila de espera na rede pública de saúde em Campo Grande, com tempo médio estimado de até três anos para acesso a terapias de reabilitação. Os dados acenderam alerta no Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que abriu investigação para apurar a capacidade de atendimento do sistema.
Quase 2 mil pessoas com Transtorno do Espectro Autista aguardam até três anos por terapias na rede pública de Mato Grosso do Sul. O Ministério Público estadual abriu investigação para apurar falhas no atendimento. Em 2025, já foram ajuizadas 235 ações judiciais por pacientes que buscam consultas, terapias, medicamentos e outros insumos negados pelo sistema público.
O gargalo já transbordou para o Judiciário. Somente em 2025, foram ajuizadas 235 ações por pacientes com TEA, a maioria para garantir consultas e terapias que não estão sendo ofertadas em tempo adequado. Também há pedidos por medicamentos, exames, fraldas, suplementos e vagas hospitalares.
O volume de processos indica que famílias têm recorrido à Justiça como alternativa para conseguir atendimento, diante da demora na rede pública. O cenário expõe uma pressão dupla, tanto sobre o sistema de saúde quanto sobre o Judiciário.
Entre os pontos analisados estão o número de vagas disponíveis, a composição das equipes multiprofissionais e a oferta de terapias como fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicoterapia.
Também entram no radar os fluxos de atendimento para pacientes com outras condições associadas, a necessidade de internações e o fornecimento de dietas específicas na Capital.
Embora Campo Grande conte com instituições que atuam na reabilitação e no atendimento especializado, os números indicam que a oferta não acompanha o crescimento da demanda.
O MPMS ressalta que “a legislação brasileira assegura às pessoas com TEA o direito ao diagnóstico precoce, atendimento multiprofissional, acesso a terapias adequadas e prioridade no atendimento, conforme previsto na Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA e no Estatuto da Pessoa com Deficiência”.
O Campo Grande News encaminhou e-mail à prefeitura solicitando resposta e aguarda retorno.